O perímetro braquial serve como referência ao estado nutricional prévio a gestação e o atual. Porém ele é menos sensível que o peso em relação as alterações a curto prazo das condições de saúde e nutrição, sendo assim usado apenas na impossibilidade de recursos para aferir peso;
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PB < 21 – 23 CM à RISCO DE BAIXO PESO AO NASCER |

Outro aspecto importante é a Altura Uterina: Ela exprime o tamanho total do útero, sendo um importante indicador de crescimento fetal permitindo a avaliação se o feto está Pequeno para Idade Gestacional (PIG) ou Grande para Idade Gestacional GIG).
1.4.2 Diagnóstico Nutricional
O diagnóstico nutricional da gestante nos permite direcionar qual será a necessidade de ganho de peso durante a gestação, também sendo o fator preditivo do crescimento fetal. Então é necessário saber o peso pré-gestacional para que seja avaliado seu estado nutricional.

- Recordação da mãe com relação ao seu peso até 2 meses antes da gestação (sujeito a viés de memória);
- Registro médico (até 2 meses anteriores a gestação);
Em posse desse dado, deve-se realizar o IMC pré gestaciona l.
Após a avaliação do IMC pré-gestacional deve-se realizar a classificação da gestante de acordo com o Quadro 7, e após o Quadro 8 verificar as recomendações de Ganho de Peso Gestacional (GPD) para a sua classificação.


Recomendações de ganho de peso: Também há uma recomendação de ganho de peso trimestral para facilitar o trabalho do profissional responsável por orientar o ganho de peso e do nutricionista encarregado do cálculo do Valor Energético Total (VET). Essa recomendação considera a taxa de ganho de peso semanal necessária para a gestante.

O ganho de peso e o IMC gestacional tem associação com o crescimento fetal, pois caso o ganho de peso seja insuficiente o resultado é RCIU e caso o ganho de peso seja excessivo causa macrossomia fetal.
A macrossomia fetal é uma condição em que o feto atinge um peso significativamente maior do que a média para a sua idade gestacional. Embora não haja uma definição universalmente aceita, comumente considera-se um bebê macrossômico um RN com peso ao nascer igual ou superior a 4 kg ou acima do percentil 90 para a idade gestacional específica da população.
A Curva de Atalah é um gráfico utilizado na prática clínica para avaliar o estado nutricional de gestantes com base no seu Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional e no ganho de peso durante a gravidez, em relação à idade gestacional. Desenvolvida por pesquisadores liderados por Atalah Samur no Chile, essa curva se tornou uma ferramenta valiosa e amplamente utilizada na atenção pré-natal, especialmente em países da América Latina, incluindo o Brasil

Para gestantes com baixo peso, recomenda-se que a curva de ganho de peso siga uma inclinação ascendente até atingir o peso adequado (faixa roxa). Para gestantes com peso adequado, a curva deve permanecer retilínea ao longo de toda a gestação (faixa azul). Em gestantes com sobrepeso, a faixa se torna mais estreita, formando um leve arco (faixa rosa). Já em gestantes obesas, a faixa fica ainda mais arqueada, especialmente no primeiro trimestre (faixa amarela).
Segue abaixo a classificação do estado nutricional da gestante de acordo com seu IMC gestacional:

Fonte: BVS (2025)
1. Gestante com 20 semanas de gestação, peso pré gestacional de 65 kg, peso atual de 70 kg, altura 1,58. Qual estado nutricional pré gestacional, gestacional (atual), qual a recomendação de ganho de peso total para essa gestante?
Artigo para leitura:
· PREVALÊNCIA DE EXCESSO DE PESO ENTRE GESTANTES BRASILEIRAS E AS REPERCUSSÕES CLÍNICAS E NUTRICIONAIS PARA O BINÔMIO MÃE-FILHO: UMA REVISÃO DE LITERATURA.
https://www.researchgate.net/publication/365958903_Prevalencia_de_excesso_de_peso_entre_gestantes_brasileiras_e_as_repercussoes_clinicas_e_nutricionais_para_o_binomio_mae-filho_uma_revisao_de_literatura
2. RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS DA GESTANTE
As necessidades energéticas estão aumentadas nessa fase, como mencionado anteriormente. Mas o que determina esse aumento?
2.1 COMO CALCULAR AS NECESSIDADES ENERGÉTICAS
1º Avaliar o estado nutricional pré-gestacional e o ganho de peso gestacional recomendado;
2º Calcular o VET: GE = TMB x NAF
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Categoria |
NAF (média) |
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Sedentário ou leve |
1,4 – 1,69 (1,53) |
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Ativo ou moderadamente ativo |
1,7 – 1,99 (1,76) |
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Vigoroso ou moderadamente vigoroso |
2 – 2,4 (2,25) |
NAF:
Ainda existe o método rápido (TMB): 18 – 30 anos: 14,818 x PESO x 486,6
30 – 60 anos: 8,126 x PESO x 845,6
3º VET = GE + ADICIONAL ENERGÉTICO
1º Trimestre (TMT): 85 kcal
2º Trimestre (TMT): 285 kcal
3º Trimestre (TMT): 475 kcal
OBS 1: A gestação não é um momento adequado para restrição energética, pois pode levar à lipólise e à precipitação de corpos cetônicos, resultando em acidose materna e cetonúria, o que pode afetar neurologicamente o feto.
OBS 2: É importante verificar quanto peso a gestante já ganhou até o momento da consulta e estimar o ganho necessário até o final da gestação, considerando as semanas restantes.
· Carboidratos: 55 a 75%;
· Fibras > 25 g/dia;
· Açucar de adição < 10%;
· Proteínas: 10 a 15%
· Lipídios: 15 a 30%
· Evitar o consumo de ácidos graxos saturados, trans e colesterol;
· Água: 3 L/dia
2.1.1 Recomendações de proteínas: Durante a gestação, ocorrem adaptações para a conservação do nitrogênio e o aumento da síntese proteica, que cresce em 1%, 15% e 25% no primeiro, segundo e terceiro trimestres, respectivamente.
Adicional proteico por TMT: 1º) 1g/kg/dia + 1 g
2º) 1g/kg/dia + 9 g
3º) 1g/kg/dia + 31g
Fontes alimentares: carne bovina, aves, peixes, ovos, leite e derivados, leguminosas (feijão, soja, amendoim, ervilha).
1 Vitamina A
A vitamina A desempenha diversas funções, incluindo a manutenção da visão, a reprodução, o desenvolvimento fetal e a função imune. Ela também participa da diferenciação e proliferação celular, da conservação do tecido esquelético e da manutenção da placenta, além de atuar como receptora nuclear e ativadora na regulação da expressão gênica de alguns hormônios.
Durante a gravidez, ocorre uma alteração na proporção de proteínas circulantes para favorecer a transferência dessa vitamina ao feto.
A deficiência de vitamina A (DVA) pode estar associada a defeitos congênitos em diversos sistemas, morte fetal, parto prematuro e sepse puerperal. Além disso, está relacionada à redução da mobilização dos estoques de ferro, comprometendo a diferenciação e proliferação das células hematopoiéticas.
Fontes Alimentares: Gema de ovo, leite integral, fígado, frutas e legumes amarelos e alaranjados, espinafre, chicória e couve.
2.2.2 Vitamina C
As principais funções da vitamina estão relacionadas à ação antioxidante, à melhoria da absorção de ferro vegetal (férrico) e ao fortalecimento das respostas infecciosas.
Durante a gestação, ocorre uma redução nos níveis plasmáticos dessa vitamina de aproximadamente 10 a 15%, devido à expansão do volume sanguíneo e aos ajustes hormonais.
A deficiência compromete a síntese de colágeno, proteínas estruturais dos ossos, cartilagem, músculos e vasos sanguíneos, além de estar associada a parto prematuro e proteólise causada pela ação de radicais livres.
Fontes Alimentares: Frutas como acerola, goiaba, abacaxi, laranja, morango, kiwi.
2.2.3 Vitamina B9 (Folato)
O folato reage como coenzima de reações de metilação envolvido na síntese proteica, de purinas e pirimidinas, ácidos nucleicos DNA e RNA, vital para divisão celular.
A deficiência do folato pode originar desconformidades no DNA e nos cromossomos. Na gestação ocorre um acréscimo da demanda e uma dieta inadequada causa aborto espontâneo, pré-eclâmpsia, restrição do crescimento intrauterino e hemorragia. Além disso ocasiona deficiências no fechamento do tubo neural que é essencial para o fechamento da calota craniana e da coluna vertebral, com posterior acontecimento de anencefalia e espinha bífida.
Na gestação a suplementação é realizada através do consumo de alimentos fortificados e administração de suplementos no período periconcepcional e até o final do 1º TMT. Sua recomendação diária é 0,4 mg/dia.
Fontes Alimentares: Vegetais folhosos escuros, amendoim, milho, legumes e fígado.
2.2.4 Vitamina D
A vitamina desempenha um papel fundamental na homeostase do cálcio e do fósforo, sendo essencial para o crescimento ósseo, a função imunológica e a reprodução humana.
Sua deficiência pode causar hipocalcemia neonatal, hipoplasia do esmalte da dentição decídua e afetar o crescimento fetal.
As fontes alimentares são limitadas, porém a maior parte das necessidades diárias é suprida pela conversão de metabólitos precursores na forma ativa da vitamina, sob a ação do sol.
Fontes Alimentares: Salmão, sardinha, fígado, ovos, manteiga e leite.
2.2.5 Vitamina E (Tocoferol)
A vitamina atua como importante antioxidante, protegendo contra a oxidação de proteínas, do DNA, das partículas de LDL e inibição da oxidação dos lipídios de membranas celulares.
Sua deficiência pode causar anemia hemolítica do prematuro, anormalidades neuromusculares e falhas na reprodução.
Fontes Alimentares: Oleaginosas como: avelã, castanha do Pará, amendoim, pistache, nozes. Como também óleos como: óleo de milho e de amendoim e o azeite de oliva.
2.2.6 Vitamina K
A vitamina K é responsável pela síntese de protrombina e fatores de coagulação. Durante a gestação, a transferência placentária dessa vitamina é limitada, e o leite materno contém baixas concentrações dela. Por isso, os recém-nascidos (RNs) são mais suscetíveis à deficiência na síntese de protrombina.
Além disso, o intestino do recém-nascido tem uma flora intestinal reduzida, comprometendo a produção dessa vitamina, e o fígado ainda é imaturo para sintetizar a protrombina.
Para prevenir essa deficiência, todo recém-nascido recebe suplementação profilática de vitamina K. A forma mais eficaz é uma injeção intramuscular de vitamina K1 (filoquinona) logo após o nascimento. A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda uma dose única de vitamina K intramuscular para todos os recém-nascidos.
A dose recomendada é de 0,5 a 1,0 mg para recém-nascidos com peso superior a 1.500 g, e a injeção deve ser administrada nas primeiras seis horas após o nascimento.
Fontes Alimentares: Vegetais folhosos verdes escuros (brócolis, espinafre, alface, agrião).
2.2.7 Vitamina B3
Essa vitamina é um importante componente de duas enzimas: Nicotinamida Adenina Nucleotídeo (NAD) e a Nicotinamida Adenina Nucleotídeo fosfato (NADP), estas enzimas participam de vários processos metabólicos como a glicólise, metabolismo doa ácidos graxos e respiração tecidual. Estudos recentes sugerem que a vitamina B3, além do ácido fólico, auxilia na prevenção de más-formações fetais, problemas no RN e até mesmo relacionado a atrasos de fala na infância.
A dose recomendada de consumo diário de B3 para gestantes é de 18 mg. Os alimentos que são fontes de niacina são os peixes, carnes magras, legumes, verduras e grãos integrais.
2.2.8 Vitamina B6
A piridoxina é uma coenzima envolvida no metabolismo proteico, atuando nas reações de transaminação, desaminação, dessulfuração e descarboxilação. Ela participa na conversão de triptofano em niacina e na conversação de ácido graxo linoleico em araquidônico. Na gravidez ela auxilia no tratamento da hiperêmese gravídica, sua suplementação está associada a melhora do índice Appgar. A sua concentração no leite materno reflete a adequação da dieta materna.
Fontes Alimentares: Fígado, carne vermelha, leite, ovos e gérmen de trigo.
2.2.9 Vitamina B12
A cobalamina é essencial para o organismo, mas o corpo humano não consegue produzi-la sozinho. Sua síntese é realizada por microrganismos, como bactérias, fungos e algas.
A deficiência de cobalamina causa lesões hematológicas de difícil distinção em relação às provocadas pela carência de folato. Os principais sinais dessa deficiência são anemia megaloblástica e distúrbios neurológicos.
Magnésio
O magnésio possui a função de atuar na transmissão da atividade neuromuscular requerendo o relaxamento do musculo e atuando como antagonista do canal de cálcio fisiológico e participando do metabolismo de macronutrientes. Tanto sua deficiência como seu excesso estão associados a malformações fetais.
Fontes Alimentares: Leguminosas e vegetais verdes escuros, oleaginosas como nozes.
2.3.2 Selênio
O selênio desempenha um papel fundamental na proteção antioxidante e no fortalecimento do sistema imunológico. Suas principais fontes alimentares incluem carnes brancas e vermelhas, como peixes, frango e bovinos, além de fontes vegetais, como a castanha-do-Pará.
A deficiência de selênio pode causar a doença de Keshan, caracterizada por insuficiência cardíaca. Essa condição geralmente afeta mulheres em idade fértil e crianças, sendo mais comum em países asiáticos, como a China, devido ao solo pobre nesse mineral.
2.3.3 Iodo
O iodo é um componente essencial dos hormônios tireoidianos, desempenhando um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento humano. Sua deficiência é denominada Distúrbios por Deficiência de Iodo (DDI). A deficiência fetal de iodo está associada a um maior risco de natimortos, abortos espontâneos e anormalidades congênitas. O cretinismo congênito é caracterizado por deficiência mental e diplegia espástica, enquanto o cretinismo mixedematoso se manifesta por hipotireoidismo e nanismo.
Fontes Alimentares: Sal de cozinha iodado e peixes ricos em gordura (sardinha, atum, salmão).
2.3.4 Cálcio (Ca)
O cálcio é um mineral presente nos ossos, dentes, sangue, músculos e fluidos extracelulares, sendo essencial para a contração e vasodilatação muscular e vascular, a transmissão nervosa e a secreção glandular.
Durante a gestação, ocorre uma modificação no metabolismo do cálcio, incluindo mudanças nos reguladores. O estrogênio inibe a reabsorção óssea, enquanto o turnover do cálcio ósseo é estimulado, além do aumento da reabsorção renal desse mineral.
A carência de cálcio pode impactar a gestação, comprometendo o crescimento e desenvolvimento fetal, causando alterações na membrana celular e afetando a pressão sanguínea. Além disso, pode favorecer contrações uterinas prematuras e parto prematuro.
A suplementação de cálcio na gestação é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido aos seus diversos benefícios para mãe e bebê. Recentemente, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica Conjunta nº 251/2024, que estabelece a suplementação universal de cálcio para gestantes na Atenção Primária à Saúde (APS).
A partir da 12ª semana de gestação até o parto deve-se iniciar a suplementação com dosagem de 1000 mg de cálcio elementar por dia, o que equivale a dois comprimidos de carbonato de cálcio de 1.250 mg, a prescrição pode ser feita por médicos, enfermeiros e nutricionistas da Atenção Primária à Saúde (APS). E a administração dos suplementos de cálcio não devem ser ingeridos junto com a suplementação de ferro. É necessário um intervalo de duas horas entre eles para garantir a absorção adequada de cada um. Recomenda-se ingerir o cálcio à noite, com um copo de leite ou suco de frutas, evitando o jejum e alimentos ricos em fitatos, oxalatos ou ferro.
2.3.5 Ferro (Fe)
O Ferro é essencial para síntese de hemoglobina, participa da distribuição de oxigênio, da síntese de enzimas ferro-dependentes importantes para a respiração de células maternas e fetais, além de participar da formação de energia. Na gestação a necessidade de absorção do ferro está aumentada, a mulher precisa repor suas perdas basais (expulsão de feto, placenta e sangue) e suas necessidades aumentam no final da gestação, o que é muito difícil por meio dietético, por isso é necessário suplementação.
A suplementação de Ferro ocorre da seguinte forma:

Sua deficiência na gestação está relacionada ao aumento da mortalidade perinatal e prematuridade.
2.3.6 Ácidos Graxos Essenciais
Os ácidos graxos essenciais são potentes mediadores químicos envolvidos na resposta imunológica. Eles estão diretamente ligados ao desenvolvimento fetal e também compõem a estrutura da retina. As gestantes devem ingerir entre 200 mg e 1.000 mg por dia para garantir uma adequada nutrição.
Fontes Alimentares: Peixes gordos: salmão, atum, sardinha, abacate, azeite de oliva e em oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas), azeite de oliva.
Os distúrbios hipertensivos na gestação estão entre as principais causas de mortalidade materna e perinatal em todo o mundo. A hipertensão crônica afeta entre 0,9% e 1,5% das grávidas, e estima-se que a pré-eclâmpsia (PE) complique de 2% a 8% das gestações globalmente (Arq Bras Cardiol, 2021).
Segue o Quadro 11.1, que define e classifica os distúrbios hipertensivos na gestação.

Então para que se faça a prevenção dos Distúrbios Hipertensivos é importante realizar algumas recomendações no âmbito nutricional:
· Dieta balanceada, fracionada
· Dieta normossódica e até levemente hipossódica (até 4g de sal); sendo evitado os alimentos ultraprocessados
· Acrescida de proteína 2g/kg/dia,
· Adequada em vitaminas e minerais (A, C, E, K, Cálcio – sendo 2g diário).
· Reduzir rigorosamente o consumo alimentos gordurosos e ricos em ácidos graxos trans
· Consumir 2 a 3 porções de peixe/semana.
A disglicemia é a alteração metabólica mais comum durante a gestação. Estima-se que aproximadamente 16% dos nascidos vivos sejam gerados por mulheres que apresentaram alguma forma de hiperglicemia durante a gravidez. Cerca de 8% dos casos envolvem mulheres com diabetes diagnosticado antes da gestação.
O aumento da prevalência de gestações em mulheres com diabetes mellitus (DM) pré-gestacional acompanha o crescimento da frequência de DM1 e DM2 na população feminina em idade fértil (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2022).
O quadro abaixo apresenta os valores de glicemia para o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional (DMG).

Ainda a DMG pode trazer complicações maternas e fetais, segue o Quadro 2 com as principais complicações

O principal objetivo é promover o controle glicêmico, garantir uma nutrição materno-fetal adequada e um ganho de peso saudável, reduzindo o risco de desfechos indesejáveis. Esse processo deve ser realizado de forma individualizada.
Recomendações específicas de macronutrientes e micronutrientes nesta fase:
Considerações
· A dieta deve ser individualizada, balanceada e fracionada em seis refeições ao dia, com horários regulares, garantindo a inclusão de todos os grupos alimentares.
Enjoo
Os enjoos geralmente começam a surgir a partir da 4º semana e em alguns casos pode durar toda a gravidez.
ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS PARA AMENIZAR OS ENJOOS:
✔️ Alimentar-se de 3 em 3 horas;
✔️ Preferir o consumo de alimentos secos no café da manhã, como bolachas, torradas e cookies, sempre optando pela versão integral.
✔️ Dar preferência às frutas cítricas, como laranja, kiwi, tangerina, abacaxi e acerola. A adição de gotas de limão na comida também pode ajudar.
✔️ Acrescentar gotas de limão na água para facilitar a ingestão e reduzir sintomas incômodos.
✔️ Optar pelo consumo de carnes grelhadas.
✔️ Evitar alimentos muito temperados, quentes ou que contenham pimenta.
✔️ Consumir alimentos ricos em vitamina B6 para ajudar a combater enjoos e vômitos nessa fase, como banana, frango, espinafre, salmão, inhame, abacate e suco de ameixa.
✔️ Evitar alimentos gordurosos.
6.2 Síndrome de Pica ou Picamalacia
É uma desordem alimentar que compreende o consumo de alimentos incomuns e que não possuem qualquer valor nutricional, ou até mesmo o consumo de substâncias inadequadas. Dentre as substâncias mais comumente relatadas, estão:
Terra ou barro (geofagia) ou Amido (amilofagia) ou Gelo (pagofagia)
A causa dessa síndrome ainda não está completamente definida, porém estudos apontam diversas possibilidades, tais como:
6.3 Pirose na gestação
É causado pelo refluxo para o esófago do conteúdo ácido do estômago. A motilidade gastroesofágica, intestinal, da vesícula e a tonicidade dos esfíncteres (incluindo o esfíncter gastroesofágico) estão diminuídos durante a gestação, razão pela qual o ácido gástrico reflui com mais facilidade.
Orientações nutricionais para evitar pirose:
ü Evitar deitar-se nas primeiras três horas após as refeições;
ü Opte pelo uso de roupas mais folgadas (para evitar a pressão intra-abdominal);
ü Elevar a cabeceira da cama cerca de 15 a 20 cm ou usar mais ou maiores almofadas que permitam elevação equivalente.
ü Já a alteração da dieta deve ser feita no sentido de evitar os alimentos com maiores probabilidades de desencadearem azia, tais como café, chá, chocolate, bebidas com gás, menta e alimentos muito gordurosos ou picantes.
6.4 Constipação Intestinal
A constipação é um sintoma comum na gestação, causado principalmente pela progesterona. Esse hormônio reduz a motilidade intestinal, tornando o trânsito dos alimentos mais lento, o que acaba resultando em fezes mais ressecadas. Além disso, alguns segmentos do intestino podem ficar comprimidos pelo útero, agravando o quadro.
Orientações nutricionais:
· Ingerir ameixa preta seca diariamente ou consumir a água da ameixa.
· Aumentar a ingestão de fibras.
· Praticar exercícios regularmente.
· Beber bastante água, não apenas água mineral, mas também por meio de alimentos como frutas e sopas.
1. Sabemos que a suplementação de Ferro é essencial na gestação. Quais são os principais problemas para a mãe e o bebê associados à deficiência de ferro durante a gestação?
2. De que maneira a deficiência de cálcio na gestação pode impactar a saúde óssea e cardíaca da mãe, inclusive a longo prazo, e quais estratégias nutricionais e de suplementação são mais eficazes para garantir níveis adequados desse mineral durante a gravidez?
Artigos para leitura:
· PRÉ-ECLÂMPSIA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DOS FATORES DE RISCO E ESTRATÉGIAS PREVENTIVAS: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/4954/3432
· DIABETES GESTACIONAL: ORIGEM, PREVENÇÃO E RISCOS: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/22764/18246