Unidade 1

Elementos Direito
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Introdução

Gravidez, ou gestação, é o período de desenvolvimento do embrião no útero, desde a concepção até o nascimento, com duração aproximada de 40 semanas. Durante essa fase, ocorrem importantes adaptações na mãe e no feto, abrangendo aspectos:
○Anatômicos
○Fisiológicos
○Metabólicos
○ Nutricionais

Esse é um período de grande demanda para a mulher e de maior suscetibilidade a deficiências nutricionais, sendo determinante para a predisposição a doenças metabólicas futuras. A saúde do embrião está diretamente relacionada à condição pré-gestacional da mãe, não apenas em relação às suas reservas energéticas, mas também ao equilíbrio de vitaminas e minerais.

Os nutrientes oferecidos pela mãe são essenciais para a formação de todos os órgãos e sistemas do feto, desde o sistema nervoso central até ossos e músculos. Deficiências nutricionais podem acarretar Restrição do Crescimento Intrauterino (RCIU) e baixo peso ao nascer.

Nutrientes como folato, ferro, cálcio e ácidos graxos (como o ômega-3) desempenham papéis cruciais no desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso do feto. Manter uma alimentação saudável, equilibrada e rica em nutrientes antes, durante e após a gestação é uma das formas mais importantes de garantir a saúde e o bem-estar das duas vidas interligadas.

 

                                                                                1.1 Etapa inicial da nutrição intra uterina do embrião:

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Placenta

A placenta é um órgão de alta complexidade metabólica, com estrutura esponjosa e oval, apresentando um diâmetro médio de 16 cm e um peso aproximado de 450 gramas em uma gestação a termo. Ela desempenha diversas funções essenciais, entre elas:

  • Transferência de gases: Permite a passagem de oxigênio do sangue materno para o sangue fetal, fundamental para a respiração e metabolismo do bebê. Da mesma forma, o sangue da mãe remove o gás carbônico proveniente do metabolismo fetal.
  • Suprimento de nutrientes: Transporta todos os nutrientes do sangue materno para o sangue fetal, incluindo glicose, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais.
  • Produção de hormônios: Atua como uma glândula endócrina temporária, produzindo hormônios fundamentais para a manutenção da gestação e o desenvolvimento fetal, como:
  • Gonadotrofina coriônica humana (hCG): Responsável pela manutenção do corpo lúteo na fase inicial da gravidez, estimulando a produção de progesterona e estrogênio. É o hormônio detectado em testes de gravidez.
  • Progesterona: Mantém o revestimento uterino (endométrio) adequado para a implantação e manutenção da gestação, além de prevenir contrações uterinas prematuras.
  • Estrogênio: Estimula o crescimento uterino e mamário, preparando o corpo da mãe para o parto.

Lactogênio placentário humano (hPL) ou somatomamotrofina coriônica humana (hCS): Hormônios que contribuem para o desenvolvimento fetal, influenciando o metabolismo materno da glicose e dos ácidos graxos para fornecer energia ao feto.

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Adaptações Fisiológicas à gestação

O Sistema Cardiovascular é uma dos mais alterados durante a gestação, inicialmente ocorre o aumento no volume sanguíneo em cerca de 30-50% para atender às necessidades do feto em desenvolvimento e compensar as perdas sanguíneas durante o parto. Esse aumento começa cedo na gestação e atinge o pico por volta da 32ª semana.

Como o coração precisa bombear mais sangue, ocorre um aumento do débito cardíaco (volume de sangue bombeado por minuto) em torno de 30-40%. Isso ocorre devido ao aumento da frequência cardíaca (10-20 bpm).

O Sistema Hematológico é um dos mais alterados pela gestação, ocorre aumento da massa de glóbulos vermelhos (hemoglobina), porém o aumento do volume plasmático é maior do que o aumento de glóbulos levando a uma hemodiluição e a uma diminuição relativa da concentração de hemoglobina.

Já no Sistema Respiratório ocorre maior consumo de oxigênio em cerca de 20-40% para atender às demandas metabólicas da gestação. Ocorre também, principalmente ao final da gestação, compressão do diafragma pelo crescimento uterino, o que pode levar a uma sensação de falta de ar (dispneia). 

No Sistema Renal o fluxo de sangue renal é significativamente acrescido para lidar com o aumento do volume sanguíneo e a necessidade de filtrar os resíduos metabólicos da mãe e do feto. Além disso, ocorre também o aumento da taxa de filtração glomerular devido a uma maior excreção de ureia, creatinina e outros produtos de descarte. E com o passar da gestação, o útero em crescimento exerce pressão sobre a bexiga, reduzindo sua capacidade e levando a uma maior frequência urinária.

O Sistema Gastrointestinal não é poupado na gestação, náuseas e vômitos muito comuns no primeiro trimestre, acredita-se que sejam causados por alterações hormonais, principalmente o hCG. O aumento do apetite ocorre para suprir as necessidades energéticas aumentadas, como também, ocorre alterações no paladar e olfato, redução da motilidade intestinal (podendo causar constipação).

No Sistema Muscular/esquelético o útero em crescimento desloca o centro de gravidade corporal para frente, levando a uma lordose lombar mais pronunciada para manter o equilíbrio, o que pode causar dor nas costas. A separação dos músculos retos abdominais na linha média (diástase) é bem comum de ocorrer devido ao crescimento do útero.

O Sistema Endócrino é o mais alterado durante a gestação principalmente pelo aumento da secreção de hCG, progesterona, estrogênio (principalmente estriol) e lactogênio placentário humano (hPL), que desempenham papéis cruciais na manutenção da gravidez e no desenvolvimento fetal. Hormônios maternos, como prolactina (preparação para a lactação), relaxina (relaxamento dos ligamentos pélvicos), cortisol (aumentado) e insulina (resistência aumentada no final da gestação), também sofrem alterações significativas.

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REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Essas são apenas exemplos das mais importantes adaptações fisiológicas que acontecem no corpo da mulher durante a gravidez. É importante ressaltar que essas mudanças são habituais e essenciais para o sucesso da gestação e para o desenvolvimento saudável do bebê. O acompanhamento pré-natal adequado é fundamental para monitorar essas adaptações e identificar precocemente qualquer sinal de complicação.

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Avaliação Nutricional na Gestação

Objetivos da Avaliação Nutricional na Gestação

      Identificar gestantes com desvio ponderal no início da gestação;

      Diagnosticar gestantes com ganho de peso menor ou demasiado para idade gestacional;

      Auxiliar nas intervenções adequadas, sejam elas: melhorar o estado nutricional materno e do recém-nascido, como também nas condições do parto.

Na Avaliação Nutricional na Gestação precisamos observar os seguintes aspectos:

História clínica: Devemos observar as intercorrências gestacionais anteriores, bem como doenças prévias e atuais.

Anamnese alimentar: Identificar alergias e intolerâncias, preferências e aversões. Investigar a composição das refeições (quantidade e qualidade), além do local e horários adotados.

Exames laboratoriais: Hemograma, albumina, creatinina, ureia, TGO, TGP, sorologias, colesterol total e frações, triglicerídeos, glicemia, níveis de vitamina D e níveis de vitamina B12.

Semiologia nutricional: Realizar exame físico e avaliar sinais clínicos de carências nutricionais (Quadro 5).

Antropometria: Avaliação nutricional pré-gestacional (peso, altura e IMC) e gestacional (peso, altura e IMC). Considerar o ganho de peso na gestação e o perímetro braquial.

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PB < 21 – 23 CM à RISCO DE BAIXO PESO AO NASCER

 

O perímetro braquial serve como referência ao estado nutricional prévio a gestação e o atual. Porém ele é menos sensível que o peso em relação as alterações a curto prazo das condições de saúde e nutrição, sendo assim usado apenas na impossibilidade de recursos para aferir peso;

PB < 21 – 23 CM à RISCO DE BAIXO PESO AO NASCER

 

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Quadro de Semiologia nutricional

Outro aspecto importante é a Altura Uterina: Ela exprime o tamanho total do útero, sendo um importante indicador de crescimento fetal permitindo a avaliação se o feto está Pequeno para Idade Gestacional (PIG) ou Grande para Idade Gestacional GIG).

 

1.4.2 Diagnóstico Nutricional

O diagnóstico nutricional da gestante nos permite direcionar qual será a necessidade de ganho de peso durante a gestação, também sendo o fator preditivo do crescimento fetal. Então é necessário saber o peso pré-gestacional para que seja avaliado seu estado nutricional.

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O peso pré-gestacional pode ser obtido por duas formas principais

- Recordação da mãe com relação ao seu peso até 2 meses antes da gestação (sujeito a viés de memória);

- Registro médico (até 2 meses anteriores a gestação);

Em posse desse dado, deve-se realizar o IMC pré gestaciona l.

Após a avaliação do IMC pré-gestacional deve-se realizar a classificação da gestante de acordo com o Quadro 7, e após o Quadro 8 verificar as recomendações de Ganho de Peso Gestacional (GPD) para a sua classificação.

Recomendações de ganho de peso: Também há uma recomendação de ganho de peso trimestral para facilitar o trabalho do profissional responsável por orientar o ganho de peso e do nutricionista encarregado do cálculo do Valor Energético Total (VET). Essa recomendação considera a taxa de ganho de peso semanal necessária para a gestante.

O ganho de peso e o IMC gestacional tem associação com o crescimento fetal, pois caso o ganho de peso seja insuficiente o resultado é RCIU e caso o ganho de peso seja excessivo causa macrossomia fetal.

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A macrossomia fetal é uma condição em que o feto atinge um peso significativamente maior do que a média para a sua idade gestacional. Embora não haja uma definição universalmente aceita, comumente considera-se um bebê macrossômico um RN com peso ao nascer igual ou superior a 4 kg ou acima do percentil 90 para a idade gestacional específica da população.

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Curva de Atalah

A Curva de Atalah é um gráfico utilizado na prática clínica para avaliar o estado nutricional de gestantes com base no seu Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional e no ganho de peso durante a gravidez, em relação à idade gestacional. Desenvolvida por pesquisadores liderados por Atalah Samur no Chile, essa curva se tornou uma ferramenta valiosa e amplamente utilizada na atenção pré-natal, especialmente em países da América Latina, incluindo o Brasil

Para gestantes com baixo peso, recomenda-se que a curva de ganho de peso siga uma inclinação ascendente até atingir o peso adequado (faixa roxa). Para gestantes com peso adequado, a curva deve permanecer retilínea ao longo de toda a gestação (faixa azul). Em gestantes com sobrepeso, a faixa se torna mais estreita, formando um leve arco (faixa rosa). Já em gestantes obesas, a faixa fica ainda mais arqueada, especialmente no primeiro trimestre (faixa amarela).

Segue abaixo a classificação do estado nutricional da gestante de acordo com seu IMC gestacional:

Fonte: BVS (2025)

 

1. Gestante com 20 semanas de gestação, peso pré gestacional de 65 kg, peso atual de 70 kg, altura 1,58. Qual estado nutricional pré gestacional, gestacional (atual), qual a recomendação de ganho de peso total para essa gestante?

 

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QUERO SABER MAIS

QUERO SABER MAIS

Artigo para leitura:

 

·         PREVALÊNCIA DE EXCESSO DE PESO ENTRE GESTANTES BRASILEIRAS E AS REPERCUSSÕES CLÍNICAS E NUTRICIONAIS PARA O BINÔMIO MÃE-FILHO: UMA REVISÃO DE LITERATURA.

https://www.researchgate.net/publication/365958903_Prevalencia_de_excesso_de_peso_entre_gestantes_brasileiras_e_as_repercussoes_clinicas_e_nutricionais_para_o_binomio_mae-filho_uma_revisao_de_literatura

 

2. RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS DA GESTANTE

            As necessidades energéticas estão aumentadas nessa fase, como mencionado anteriormente. Mas o que determina esse aumento?

  • A quantidade de energia necessária para o ganho de peso adequado;
  • O aumento do gasto energético e o incremento da Taxa Metabólica Basal (TMB);
  • A atividade física, caso a gestante pratique.
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MERECE DESTAQUE

2.1 COMO CALCULAR AS NECESSIDADES ENERGÉTICAS

1º Avaliar o estado nutricional pré-gestacional e o ganho de peso gestacional recomendado;

2º Calcular o VET: GE = TMB x NAF

Categoria

NAF (média)

Sedentário ou leve

1,4 – 1,69 (1,53)

Ativo ou moderadamente ativo

1,7 – 1,99 (1,76)

Vigoroso ou moderadamente vigoroso

2 – 2,4 (2,25)

NAF:

 

 

 

 

 

Ainda existe o método rápido (TMB): 18 – 30 anos: 14,818 x PESO x 486,6

                                                              30 – 60 anos: 8,126 x PESO x 845,6

3º VET = GE + ADICIONAL ENERGÉTICO

1º Trimestre (TMT):  85 kcal

2º Trimestre (TMT): 285 kcal

3º Trimestre (TMT): 475 kcal

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REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

OBS 1: A gestação não é um momento adequado para restrição energética, pois pode levar à lipólise e à precipitação de corpos cetônicos, resultando em acidose materna e cetonúria, o que pode afetar neurologicamente o feto.

OBS 2: É importante verificar quanto peso a gestante já ganhou até o momento da consulta e estimar o ganho necessário até o final da gestação, considerando as semanas restantes.

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MACRONUTRIENTES PARA GESTANTES ADULTAS

·         Carboidratos: 55 a 75%;

·         Fibras > 25 g/dia;

·         Açucar de adição < 10%;

·         Proteínas: 10 a 15%

·         Lipídios: 15 a 30%

·         Evitar o consumo de ácidos graxos saturados, trans e colesterol;

·         Água: 3 L/dia

 

2.1.1 Recomendações de proteínas: Durante a gestação, ocorrem adaptações para a conservação do nitrogênio e o aumento da síntese proteica, que cresce em 1%, 15% e 25% no primeiro, segundo e terceiro trimestres, respectivamente.

 

            Adicional proteico por TMT: 1º) 1g/kg/dia + 1 g

                                                                 2º) 1g/kg/dia + 9 g

                                                                 3º) 1g/kg/dia + 31g

Fontes alimentares: carne bovina, aves, peixes, ovos, leite e derivados, leguminosas (feijão, soja, amendoim, ervilha).

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Micronutrientes para gestantes adultas

1 Vitamina A

A vitamina A desempenha diversas funções, incluindo a manutenção da visão, a reprodução, o desenvolvimento fetal e a função imune. Ela também participa da diferenciação e proliferação celular, da conservação do tecido esquelético e da manutenção da placenta, além de atuar como receptora nuclear e ativadora na regulação da expressão gênica de alguns hormônios.

Durante a gravidez, ocorre uma alteração na proporção de proteínas circulantes para favorecer a transferência dessa vitamina ao feto.

A deficiência de vitamina A (DVA) pode estar associada a defeitos congênitos em diversos sistemas, morte fetal, parto prematuro e sepse puerperal. Além disso, está relacionada à redução da mobilização dos estoques de ferro, comprometendo a diferenciação e proliferação das células hematopoiéticas.

Fontes Alimentares: Gema de ovo, leite integral, fígado, frutas e legumes amarelos e alaranjados, espinafre, chicória e couve.

2.2.2 Vitamina C

            As principais funções da vitamina estão relacionadas à ação antioxidante, à melhoria da absorção de ferro vegetal (férrico) e ao fortalecimento das respostas infecciosas.

Durante a gestação, ocorre uma redução nos níveis plasmáticos dessa vitamina de aproximadamente 10 a 15%, devido à expansão do volume sanguíneo e aos ajustes hormonais.

A deficiência compromete a síntese de colágeno, proteínas estruturais dos ossos, cartilagem, músculos e vasos sanguíneos, além de estar associada a parto prematuro e proteólise causada pela ação de radicais livres.

            Fontes Alimentares: Frutas como acerola, goiaba, abacaxi, laranja, morango, kiwi.

2.2.3 Vitamina B9 (Folato)

O folato reage como coenzima de reações de metilação envolvido na síntese proteica, de purinas e pirimidinas, ácidos nucleicos DNA e RNA, vital para divisão celular.

A deficiência do folato pode originar desconformidades no DNA e nos cromossomos. Na gestação ocorre um acréscimo da demanda e uma dieta inadequada causa aborto espontâneo, pré-eclâmpsia, restrição do crescimento intrauterino e hemorragia. Além disso ocasiona deficiências no fechamento do tubo neural que é essencial para o fechamento da calota craniana e da coluna vertebral, com posterior acontecimento de anencefalia e espinha bífida.

Na gestação a suplementação é realizada através do consumo de alimentos fortificados e administração de suplementos no período periconcepcional e até o final do 1º TMT. Sua recomendação diária é 0,4 mg/dia.

Fontes Alimentares: Vegetais folhosos escuros, amendoim, milho, legumes e fígado. 

2.2.4 Vitamina D

            A vitamina desempenha um papel fundamental na homeostase do cálcio e do fósforo, sendo essencial para o crescimento ósseo, a função imunológica e a reprodução humana.

Sua deficiência pode causar hipocalcemia neonatal, hipoplasia do esmalte da dentição decídua e afetar o crescimento fetal.

As fontes alimentares são limitadas, porém a maior parte das necessidades diárias é suprida pela conversão de metabólitos precursores na forma ativa da vitamina, sob a ação do sol.

Fontes Alimentares: Salmão, sardinha, fígado, ovos, manteiga e leite.

2.2.5 Vitamina E (Tocoferol)

            A vitamina atua como importante antioxidante, protegendo contra a oxidação de proteínas, do DNA, das partículas de LDL e inibição da oxidação dos lipídios de membranas celulares.

            Sua deficiência pode causar anemia hemolítica do prematuro, anormalidades neuromusculares e falhas na reprodução.

            Fontes Alimentares: Oleaginosas como: avelã, castanha do Pará, amendoim, pistache, nozes. Como também óleos como: óleo de milho e de amendoim e o azeite de oliva.

2.2.6 Vitamina K

A vitamina K é responsável pela síntese de protrombina e fatores de coagulação. Durante a gestação, a transferência placentária dessa vitamina é limitada, e o leite materno contém baixas concentrações dela. Por isso, os recém-nascidos (RNs) são mais suscetíveis à deficiência na síntese de protrombina.

Além disso, o intestino do recém-nascido tem uma flora intestinal reduzida, comprometendo a produção dessa vitamina, e o fígado ainda é imaturo para sintetizar a protrombina.

Para prevenir essa deficiência, todo recém-nascido recebe suplementação profilática de vitamina K. A forma mais eficaz é uma injeção intramuscular de vitamina K1 (filoquinona) logo após o nascimento. A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda uma dose única de vitamina K intramuscular para todos os recém-nascidos.

A dose recomendada é de 0,5 a 1,0 mg para recém-nascidos com peso superior a 1.500 g, e a injeção deve ser administrada nas primeiras seis horas após o nascimento.

Fontes Alimentares: Vegetais folhosos verdes escuros (brócolis, espinafre, alface, agrião).

2.2.7 Vitamina B3

            Essa vitamina é um importante componente de duas enzimas: Nicotinamida Adenina Nucleotídeo (NAD) e a Nicotinamida Adenina Nucleotídeo fosfato (NADP), estas enzimas participam de vários processos metabólicos como a glicólise, metabolismo doa ácidos graxos e respiração tecidual. Estudos recentes sugerem que a vitamina B3, além do ácido fólico, auxilia na prevenção de más-formações fetais, problemas no RN e até mesmo relacionado a atrasos de fala na infância.

A dose recomendada de consumo diário de B3 para gestantes é de 18 mg. Os alimentos que são fontes de niacina são os peixes, carnes magras, legumes, verduras e grãos integrais.

2.2.8 Vitamina B6

            A piridoxina é uma coenzima envolvida no metabolismo proteico, atuando nas reações de transaminação, desaminação, dessulfuração e descarboxilação. Ela participa na conversão de triptofano em niacina e na conversação de ácido graxo linoleico em araquidônico. Na gravidez ela auxilia no tratamento da hiperêmese gravídica, sua suplementação está associada a melhora do índice Appgar. A sua concentração no leite materno reflete a adequação da dieta materna.

Fontes Alimentares: Fígado, carne vermelha, leite, ovos e gérmen de trigo.

2.2.9 Vitamina B12

            A cobalamina é essencial para o organismo, mas o corpo humano não consegue produzi-la sozinho. Sua síntese é realizada por microrganismos, como bactérias, fungos e algas.

A deficiência de cobalamina causa lesões hematológicas de difícil distinção em relação às provocadas pela carência de folato. Os principais sinais dessa deficiência são anemia megaloblástica e distúrbios neurológicos.

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Minerais na Gestação

Magnésio

 

            O magnésio possui a função de atuar na transmissão da atividade neuromuscular requerendo o relaxamento do musculo e atuando como antagonista do canal de cálcio fisiológico e participando do metabolismo de macronutrientes. Tanto sua deficiência como seu excesso estão associados a malformações fetais.

 

Fontes Alimentares: Leguminosas e vegetais verdes escuros, oleaginosas como nozes.

 

2.3.2 Selênio

            O selênio desempenha um papel fundamental na proteção antioxidante e no fortalecimento do sistema imunológico. Suas principais fontes alimentares incluem carnes brancas e vermelhas, como peixes, frango e bovinos, além de fontes vegetais, como a castanha-do-Pará.

A deficiência de selênio pode causar a doença de Keshan, caracterizada por insuficiência cardíaca. Essa condição geralmente afeta mulheres em idade fértil e crianças, sendo mais comum em países asiáticos, como a China, devido ao solo pobre nesse mineral.

 

2.3.3 Iodo

            O iodo é um componente essencial dos hormônios tireoidianos, desempenhando um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento humano. Sua deficiência é denominada Distúrbios por Deficiência de Iodo (DDI). A deficiência fetal de iodo está associada a um maior risco de natimortos, abortos espontâneos e anormalidades congênitas. O cretinismo congênito é caracterizado por deficiência mental e diplegia espástica, enquanto o cretinismo mixedematoso se manifesta por hipotireoidismo e nanismo.

Fontes Alimentares:  Sal de cozinha iodado e peixes ricos em gordura (sardinha, atum, salmão).

 


2.3.4 Cálcio (Ca)

O cálcio é um mineral presente nos ossos, dentes, sangue, músculos e fluidos extracelulares, sendo essencial para a contração e vasodilatação muscular e vascular, a transmissão nervosa e a secreção glandular.

Durante a gestação, ocorre uma modificação no metabolismo do cálcio, incluindo mudanças nos reguladores. O estrogênio inibe a reabsorção óssea, enquanto o turnover do cálcio ósseo é estimulado, além do aumento da reabsorção renal desse mineral.

A carência de cálcio pode impactar a gestação, comprometendo o crescimento e desenvolvimento fetal, causando alterações na membrana celular e afetando a pressão sanguínea. Além disso, pode favorecer contrações uterinas prematuras e parto prematuro.

A suplementação de cálcio na gestação é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido aos seus diversos benefícios para mãe e bebê. Recentemente, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica Conjunta nº 251/2024, que estabelece a suplementação universal de cálcio para gestantes na Atenção Primária à Saúde (APS).

A partir da 12ª semana de gestação até o parto deve-se iniciar a suplementação com dosagem de 1000 mg de cálcio elementar por dia, o que equivale a dois comprimidos de carbonato de cálcio de 1.250 mg, a prescrição pode ser feita por médicos, enfermeiros e nutricionistas da Atenção Primária à Saúde (APS).  E a administração dos suplementos de cálcio não devem ser ingeridos junto com a suplementação de ferro. É necessário um intervalo de duas horas entre eles para garantir a absorção adequada de cada um. Recomenda-se ingerir o cálcio à noite, com um copo de leite ou suco de frutas, evitando o jejum e alimentos ricos em fitatos, oxalatos ou ferro.

2.3.5 Ferro (Fe)

O Ferro é essencial para síntese de hemoglobina, participa da distribuição de oxigênio, da síntese de enzimas ferro-dependentes importantes para a respiração de células maternas e fetais, além de participar da formação de energia. Na gestação a necessidade de absorção do ferro está aumentada, a mulher precisa repor suas perdas basais (expulsão de feto, placenta e sangue) e suas necessidades aumentam no final da gestação, o que é muito difícil por meio dietético, por isso é necessário suplementação.

A suplementação de Ferro ocorre da seguinte forma:

Sua deficiência na gestação está relacionada ao aumento da mortalidade perinatal e prematuridade.

2.3.6 Ácidos Graxos Essenciais

            Os ácidos graxos essenciais são potentes mediadores químicos envolvidos na resposta imunológica. Eles estão diretamente ligados ao desenvolvimento fetal e também compõem a estrutura da retina. As gestantes devem ingerir entre 200 mg e 1.000 mg por dia para garantir uma adequada nutrição.

Fontes Alimentares: Peixes gordos: salmão, atum, sardinha, abacate, azeite de oliva e em oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas), azeite de oliva.

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Distúrbios hipertensivos na gestação

Os distúrbios hipertensivos na gestação estão entre as principais causas de mortalidade materna e perinatal em todo o mundo. A hipertensão crônica afeta entre 0,9% e 1,5% das grávidas, e estima-se que a pré-eclâmpsia (PE) complique de 2% a 8% das gestações globalmente (Arq Bras Cardiol, 2021).

Segue o Quadro 11.1, que define e classifica os distúrbios hipertensivos na gestação.

 

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REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Então para que se faça a prevenção dos Distúrbios Hipertensivos é importante realizar algumas recomendações no âmbito nutricional:

·         Dieta balanceada, fracionada

·         Dieta normossódica e até levemente hipossódica (até 4g de sal); sendo evitado os alimentos ultraprocessados

·         Acrescida de proteína 2g/kg/dia,

·          Adequada em vitaminas e minerais (A, C, E, K, Cálcio – sendo 2g diário).

·         Reduzir rigorosamente o consumo alimentos gordurosos e ricos em ácidos graxos trans

·         Consumir 2 a 3 porções de peixe/semana.

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Diabetes mellitus gestacional (DMG)

A disglicemia é a alteração metabólica mais comum durante a gestação. Estima-se que aproximadamente 16% dos nascidos vivos sejam gerados por mulheres que apresentaram alguma forma de hiperglicemia durante a gravidez. Cerca de 8% dos casos envolvem mulheres com diabetes diagnosticado antes da gestação.

O aumento da prevalência de gestações em mulheres com diabetes mellitus (DM) pré-gestacional acompanha o crescimento da frequência de DM1 e DM2 na população feminina em idade fértil (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2022).

O quadro abaixo apresenta os valores de glicemia para o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional (DMG).

Ainda a DMG pode trazer complicações maternas e fetais, segue o Quadro 2 com as principais complicações

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Terapia nutricional na gestante com diabetes

 O principal objetivo é promover o controle glicêmico, garantir uma nutrição materno-fetal adequada e um ganho de peso saudável, reduzindo o risco de desfechos indesejáveis. Esse processo deve ser realizado de forma individualizada.

Recomendações específicas de macronutrientes e micronutrientes nesta fase:

  • Proteínas: 15-20% do valor energético total (VET) para gestantes com função renal normal.
  • Lipídios: 30-40% do VET, com restrição de ácidos graxos saturados e trans. Recomenda-se o consumo de duas ou mais porções semanais de peixes ricos em ácido graxo poli-insaturado da série ômega-3.
  • Carboidratos (CHO): Devem ser distribuídos ao longo do dia (45-60% do VET), com controle da quantidade total nas refeições. A dieta deve conter, no mínimo, 175 g de carboidratos por dia e atender à recomendação de fibras (20-35 g/dia ou 14 g/1000 kcal).
  • Vitaminas e minerais: mesma recomendação para gestantes sem diabetes. Segue-se a recomendação da Dietary Reference Intakes (DRI) ou ingestão dietética de referência (IDR) propostas pelo Institute of Medicine-IOM, (2001) para gestantes.
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REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Considerações

·         A dieta deve ser individualizada, balanceada e fracionada em seis refeições ao dia, com horários regulares, garantindo a inclusão de todos os grupos alimentares.

  • Priorizar o consumo de alimentos integrais, ricos em fibras e produtos lácteos desnatados.
  • Caso a gestante tenha alguma morbidade crônica associada ou apresente intercorrências gestacionais ou digestivas, a conduta dietética deverá ser ajustada.
  • Orientar a gestante a observar os rótulos dos alimentos, verificando a quantidade de ingredientes, carboidratos, gorduras saturadas e sódio.
  • Incluir orientações para a prevenção de carências de micronutrientes, garantir uma ingestão hídrica adequada e fornecer demais recomendações nutricionais comuns às gestantes.
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Sintomas típicos da gestação

Enjoo

Os enjoos geralmente começam a surgir a partir da 4º semana e em alguns casos pode durar toda a gravidez. 

ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS PARA AMENIZAR OS ENJOOS:

✔️ Alimentar-se de 3 em 3 horas;
✔️ Preferir o consumo de alimentos secos no café da manhã, como bolachas, torradas e cookies, sempre optando pela versão integral.
✔️ Dar preferência às frutas cítricas, como laranja, kiwi, tangerina, abacaxi e acerola. A adição de gotas de limão na comida também pode ajudar.
✔️ Acrescentar gotas de limão na água para facilitar a ingestão e reduzir sintomas incômodos.
✔️ Optar pelo consumo de carnes grelhadas.
✔️ Evitar alimentos muito temperados, quentes ou que contenham pimenta.
✔️ Consumir alimentos ricos em vitamina B6 para ajudar a combater enjoos e vômitos nessa fase, como banana, frango, espinafre, salmão, inhame, abacate e suco de ameixa.
✔️ Evitar alimentos gordurosos.

 

6.2  Síndrome de Pica ou Picamalacia

É uma desordem alimentar que compreende o consumo de alimentos incomuns e que não possuem qualquer valor nutricional, ou até mesmo o consumo de substâncias inadequadas. Dentre as substâncias mais comumente relatadas, estão:

    

 Terra ou barro (geofagia) ou Amido (amilofagia) ou Gelo (pagofagia)

A causa dessa síndrome ainda não está completamente definida, porém estudos apontam diversas possibilidades, tais como:

  • Deficiências de micronutrientes, descritas como um dos sinais característicos da anemia ferropriva.
  • Sintomas digestivos, devido aos desconfortos gástricos comuns na gestação, como náuseas, vômitos e refluxo gastroesofágico. O consumo dessas substâncias pode estar relacionado à tentativa de aliviar esses desconfortos.
  • Fatores culturais e ambientais, incluindo mitos, tabus e superstições familiares sobre o consumo de alimentos incomuns.

6.3  Pirose na gestação

É causado pelo refluxo para o esófago do conteúdo ácido do estômago. A motilidade gastroesofágica, intestinal, da vesícula e a tonicidade dos esfíncteres (incluindo o esfíncter gastroesofágico) estão diminuídos durante a gestação, razão pela qual o ácido gástrico reflui com mais facilidade.

Orientações nutricionais para evitar pirose:

ü  Evitar deitar-se nas primeiras três horas após as refeições;

ü   Opte pelo uso de roupas mais folgadas (para evitar a pressão intra-abdominal);

ü   Elevar a cabeceira da cama cerca de 15 a 20 cm ou usar mais ou maiores almofadas que permitam elevação equivalente.

ü  Já a alteração da dieta deve ser feita no sentido de evitar os alimentos com maiores probabilidades de desencadearem azia, tais como café, chá, chocolate, bebidas com gás, menta e alimentos muito gordurosos ou picantes.

6.4  Constipação Intestinal

A constipação é um sintoma comum na gestação, causado principalmente pela progesterona. Esse hormônio reduz a motilidade intestinal, tornando o trânsito dos alimentos mais lento, o que acaba resultando em fezes mais ressecadas. Além disso, alguns segmentos do intestino podem ficar comprimidos pelo útero, agravando o quadro.

Orientações nutricionais:

·         Ingerir ameixa preta seca diariamente ou consumir a água da ameixa.

·         Aumentar a ingestão de fibras.

·         Praticar exercícios regularmente.

·         Beber bastante água, não apenas água mineral, mas também por meio de alimentos como frutas e sopas.

 

 

1.  Sabemos que a suplementação de Ferro é essencial na gestação. Quais são os principais problemas para a mãe e o bebê associados à deficiência de ferro durante a gestação?

 

2. De que maneira a deficiência de cálcio na gestação pode impactar a saúde óssea e cardíaca da mãe, inclusive a longo prazo, e quais estratégias nutricionais e de suplementação são mais eficazes para garantir níveis adequados desse mineral durante a gravidez?

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Artigos para leitura:

·         PRÉ-ECLÂMPSIA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DOS FATORES DE RISCO E ESTRATÉGIAS PREVENTIVAS: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/4954/3432

·         DIABETES GESTACIONAL: ORIGEM, PREVENÇÃO E RISCOS: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/22764/18246

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