NUTRIÇÃO NOS CICLOS DA VIDA

Editar

Introdução

Nutrição nos Ciclos da Vida: Uma visão geral para o Nutricionista

A disciplina Nutrição nos Ciclos da Vida oferece uma visão abrangente sobre as necessidades nutricionais e as recomendações dietéticas específicas para cada fase, desde a concepção até a senescência. Ela abrange aspectos fisiológicos, metabólicos e sociais que influenciam as demandas nutricionais em cada etapa: gestação, lactação, primeira infância, infância, adolescência, vida adulta e terceira idade.

O conhecimento aprofundado em Nutrição nos Ciclos da Vida é fundamental para a prática profissional do nutricionista, pois cada fase da vida apresenta necessidades nutricionais distintas, influenciadas pelo crescimento, desenvolvimento, atividade metabólica e estado fisiológico. Compreender essas nuances é essencial para a elaboração de planos alimentares e intervenções nutricionais personalizadas e eficazes, contribuindo para a prevenção de deficiências nutricionais, doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e para a promoção da saúde e do bem-estar geral.

A disciplina integra conhecimentos de diversas áreas científicas, tendo como eixo principal a ciência da saúde. Entre os temas abordados, destacam-se:

• Fisiologia humana e metabolismo dos nutrientes;

• Reações químicas e processos metabólicos relacionados à nutrição;

• Mudanças fisiológicas e metabólicas ao longo dos diferentes períodos da vida.

 

O que a disciplina estuda?  A Nutrição nos Ciclos da Vida dedica-se ao estudo de:

·                    Necessidades Nutricionais: Análise das necessidades de macro e micronutrientes (carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas e minerais) em cada fase da vida, considerando fatores como idade, sexo, nível de atividade física, estado fisiológico e condições de saúde.

Recomendações Dietéticas: Estudo das diretrizes e orientações para uma alimentação adequada em cada ciclo da vida, com base nos guias alimentares, incluindo escolha dos alimentos, frequência de consumo e melhores métodos de preparo.
Avaliação Nutricional: Exploração das metodologias e instrumentos utilizados para avaliar o estado nutricional de indivíduos em diferentes fases da vida, identificando riscos e deficiências nutricionais.

Intervenções Nutricionais: Aplicação de estratégias de educação alimentar e terapia nutricional para promover a saúde, prevenir e tratar doenças relacionadas à alimentação em cada etapa da vida.

Desafios Nutricionais: Identificação dos principais problemas nutricionais em cada fase, como desnutrição infantil, obesidade na infância e adolescência, deficiências de vitaminas e minerais na gestação, além de sarcopenia e osteoporose na velhice.

Em suma, a disciplina Nutrição nos Ciclos da Vida capacita o futuro nutricionista a compreender a complexidade da relação entre nutrição e saúde ao longo da jornada humana. Ela fornece as bases teóricas e práticas essenciais para uma atuação profissional competente, ética e focada na promoção da saúde em todas as fases da vida.

 

 

 

Que tal construirmos juntos um caminho de aprendizado?

  • Mapeie suas Ideias: Enquanto você estuda cada capítulo, faça um "mapa mental" (pode ser em um caderno, em um bloco de notas). Anotando as dúvidas ou as ideias que aparecem, após o término do capítulo tente saná-las seja através do material ou de estudos mais aprofundados.
  • Deixe seu material colorido: Utilize marca-texto para grifar aquelas informações mais importantes, que te fazem pensar "Opa, essa informação eu vou precisar”.
  • Desenvolva um Ritmo: Que tal estudar um pouco todos os dias? Organize sua agenda, priorize um tempo para se dedicar a essa disciplina. Tornando assim, o aprendizado mais leve e constante.
  • Você é o Protagonista: Lembre-se, o desenvolvimento do conhecimento está nas suas mãos!

 

Quer ir além?

No final de cada unidade, você vai ver um "QUERO SABER MAIS" com diversas indicações artigos e documentários que podem te levar a outro patamar de aprendizado. Explore esses materiais e desenvolva a prática da leitura cientifica.

Editar

Unidade 1

Editar

Introdução

Gravidez, ou gestação, é o período de desenvolvimento do embrião no útero, desde a concepção até o nascimento, com duração aproximada de 40 semanas. Durante essa fase, ocorrem importantes adaptações na mãe e no feto, abrangendo aspectos:
○Anatômicos
○Fisiológicos
○Metabólicos
○ Nutricionais

Esse é um período de grande demanda para a mulher e de maior suscetibilidade a deficiências nutricionais, sendo determinante para a predisposição a doenças metabólicas futuras. A saúde do embrião está diretamente relacionada à condição pré-gestacional da mãe, não apenas em relação às suas reservas energéticas, mas também ao equilíbrio de vitaminas e minerais.

Os nutrientes oferecidos pela mãe são essenciais para a formação de todos os órgãos e sistemas do feto, desde o sistema nervoso central até ossos e músculos. Deficiências nutricionais podem acarretar Restrição do Crescimento Intrauterino (RCIU) e baixo peso ao nascer.

Nutrientes como folato, ferro, cálcio e ácidos graxos (como o ômega-3) desempenham papéis cruciais no desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso do feto. Manter uma alimentação saudável, equilibrada e rica em nutrientes antes, durante e após a gestação é uma das formas mais importantes de garantir a saúde e o bem-estar das duas vidas interligadas.

 

                                                                                1.1 Etapa inicial da nutrição intra uterina do embrião:

Editar

Placenta

A placenta é um órgão de alta complexidade metabólica, com estrutura esponjosa e oval, apresentando um diâmetro médio de 16 cm e um peso aproximado de 450 gramas em uma gestação a termo. Ela desempenha diversas funções essenciais, entre elas:

  • Transferência de gases: Permite a passagem de oxigênio do sangue materno para o sangue fetal, fundamental para a respiração e metabolismo do bebê. Da mesma forma, o sangue da mãe remove o gás carbônico proveniente do metabolismo fetal.
  • Suprimento de nutrientes: Transporta todos os nutrientes do sangue materno para o sangue fetal, incluindo glicose, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais.
  • Produção de hormônios: Atua como uma glândula endócrina temporária, produzindo hormônios fundamentais para a manutenção da gestação e o desenvolvimento fetal, como:
  • Gonadotrofina coriônica humana (hCG): Responsável pela manutenção do corpo lúteo na fase inicial da gravidez, estimulando a produção de progesterona e estrogênio. É o hormônio detectado em testes de gravidez.
  • Progesterona: Mantém o revestimento uterino (endométrio) adequado para a implantação e manutenção da gestação, além de prevenir contrações uterinas prematuras.
  • Estrogênio: Estimula o crescimento uterino e mamário, preparando o corpo da mãe para o parto.

Lactogênio placentário humano (hPL) ou somatomamotrofina coriônica humana (hCS): Hormônios que contribuem para o desenvolvimento fetal, influenciando o metabolismo materno da glicose e dos ácidos graxos para fornecer energia ao feto.

Editar

Adaptações Fisiológicas à gestação

O Sistema Cardiovascular é uma dos mais alterados durante a gestação, inicialmente ocorre o aumento no volume sanguíneo em cerca de 30-50% para atender às necessidades do feto em desenvolvimento e compensar as perdas sanguíneas durante o parto. Esse aumento começa cedo na gestação e atinge o pico por volta da 32ª semana.

Como o coração precisa bombear mais sangue, ocorre um aumento do débito cardíaco (volume de sangue bombeado por minuto) em torno de 30-40%. Isso ocorre devido ao aumento da frequência cardíaca (10-20 bpm).

O Sistema Hematológico é um dos mais alterados pela gestação, ocorre aumento da massa de glóbulos vermelhos (hemoglobina), porém o aumento do volume plasmático é maior do que o aumento de glóbulos levando a uma hemodiluição e a uma diminuição relativa da concentração de hemoglobina.

Já no Sistema Respiratório ocorre maior consumo de oxigênio em cerca de 20-40% para atender às demandas metabólicas da gestação. Ocorre também, principalmente ao final da gestação, compressão do diafragma pelo crescimento uterino, o que pode levar a uma sensação de falta de ar (dispneia). 

No Sistema Renal o fluxo de sangue renal é significativamente acrescido para lidar com o aumento do volume sanguíneo e a necessidade de filtrar os resíduos metabólicos da mãe e do feto. Além disso, ocorre também o aumento da taxa de filtração glomerular devido a uma maior excreção de ureia, creatinina e outros produtos de descarte. E com o passar da gestação, o útero em crescimento exerce pressão sobre a bexiga, reduzindo sua capacidade e levando a uma maior frequência urinária.

O Sistema Gastrointestinal não é poupado na gestação, náuseas e vômitos muito comuns no primeiro trimestre, acredita-se que sejam causados por alterações hormonais, principalmente o hCG. O aumento do apetite ocorre para suprir as necessidades energéticas aumentadas, como também, ocorre alterações no paladar e olfato, redução da motilidade intestinal (podendo causar constipação).

No Sistema Muscular/esquelético o útero em crescimento desloca o centro de gravidade corporal para frente, levando a uma lordose lombar mais pronunciada para manter o equilíbrio, o que pode causar dor nas costas. A separação dos músculos retos abdominais na linha média (diástase) é bem comum de ocorrer devido ao crescimento do útero.

O Sistema Endócrino é o mais alterado durante a gestação principalmente pelo aumento da secreção de hCG, progesterona, estrogênio (principalmente estriol) e lactogênio placentário humano (hPL), que desempenham papéis cruciais na manutenção da gravidez e no desenvolvimento fetal. Hormônios maternos, como prolactina (preparação para a lactação), relaxina (relaxamento dos ligamentos pélvicos), cortisol (aumentado) e insulina (resistência aumentada no final da gestação), também sofrem alterações significativas.

Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Essas são apenas exemplos das mais importantes adaptações fisiológicas que acontecem no corpo da mulher durante a gravidez. É importante ressaltar que essas mudanças são habituais e essenciais para o sucesso da gestação e para o desenvolvimento saudável do bebê. O acompanhamento pré-natal adequado é fundamental para monitorar essas adaptações e identificar precocemente qualquer sinal de complicação.

Editar

Avaliação Nutricional na Gestação

Objetivos da Avaliação Nutricional na Gestação

      Identificar gestantes com desvio ponderal no início da gestação;

      Diagnosticar gestantes com ganho de peso menor ou demasiado para idade gestacional;

      Auxiliar nas intervenções adequadas, sejam elas: melhorar o estado nutricional materno e do recém-nascido, como também nas condições do parto.

Na Avaliação Nutricional na Gestação precisamos observar os seguintes aspectos:

História clínica: Devemos observar as intercorrências gestacionais anteriores, bem como doenças prévias e atuais.

Anamnese alimentar: Identificar alergias e intolerâncias, preferências e aversões. Investigar a composição das refeições (quantidade e qualidade), além do local e horários adotados.

Exames laboratoriais: Hemograma, albumina, creatinina, ureia, TGO, TGP, sorologias, colesterol total e frações, triglicerídeos, glicemia, níveis de vitamina D e níveis de vitamina B12.

Semiologia nutricional: Realizar exame físico e avaliar sinais clínicos de carências nutricionais (Quadro 5).

Antropometria: Avaliação nutricional pré-gestacional (peso, altura e IMC) e gestacional (peso, altura e IMC). Considerar o ganho de peso na gestação e o perímetro braquial.

Editar

PB < 21 – 23 CM à RISCO DE BAIXO PESO AO NASCER

 

O perímetro braquial serve como referência ao estado nutricional prévio a gestação e o atual. Porém ele é menos sensível que o peso em relação as alterações a curto prazo das condições de saúde e nutrição, sendo assim usado apenas na impossibilidade de recursos para aferir peso;

PB < 21 – 23 CM à RISCO DE BAIXO PESO AO NASCER

 

Editar

Quadro de Semiologia nutricional

Outro aspecto importante é a Altura Uterina: Ela exprime o tamanho total do útero, sendo um importante indicador de crescimento fetal permitindo a avaliação se o feto está Pequeno para Idade Gestacional (PIG) ou Grande para Idade Gestacional GIG).

 

1.4.2 Diagnóstico Nutricional

O diagnóstico nutricional da gestante nos permite direcionar qual será a necessidade de ganho de peso durante a gestação, também sendo o fator preditivo do crescimento fetal. Então é necessário saber o peso pré-gestacional para que seja avaliado seu estado nutricional.

Editar

O peso pré-gestacional pode ser obtido por duas formas principais

- Recordação da mãe com relação ao seu peso até 2 meses antes da gestação (sujeito a viés de memória);

- Registro médico (até 2 meses anteriores a gestação);

Em posse desse dado, deve-se realizar o IMC pré gestaciona l.

Após a avaliação do IMC pré-gestacional deve-se realizar a classificação da gestante de acordo com o Quadro 7, e após o Quadro 8 verificar as recomendações de Ganho de Peso Gestacional (GPD) para a sua classificação.

Recomendações de ganho de peso: Também há uma recomendação de ganho de peso trimestral para facilitar o trabalho do profissional responsável por orientar o ganho de peso e do nutricionista encarregado do cálculo do Valor Energético Total (VET). Essa recomendação considera a taxa de ganho de peso semanal necessária para a gestante.

O ganho de peso e o IMC gestacional tem associação com o crescimento fetal, pois caso o ganho de peso seja insuficiente o resultado é RCIU e caso o ganho de peso seja excessivo causa macrossomia fetal.

Editar

A macrossomia fetal é uma condição em que o feto atinge um peso significativamente maior do que a média para a sua idade gestacional. Embora não haja uma definição universalmente aceita, comumente considera-se um bebê macrossômico um RN com peso ao nascer igual ou superior a 4 kg ou acima do percentil 90 para a idade gestacional específica da população.

Editar

Curva de Atalah

A Curva de Atalah é um gráfico utilizado na prática clínica para avaliar o estado nutricional de gestantes com base no seu Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional e no ganho de peso durante a gravidez, em relação à idade gestacional. Desenvolvida por pesquisadores liderados por Atalah Samur no Chile, essa curva se tornou uma ferramenta valiosa e amplamente utilizada na atenção pré-natal, especialmente em países da América Latina, incluindo o Brasil

Para gestantes com baixo peso, recomenda-se que a curva de ganho de peso siga uma inclinação ascendente até atingir o peso adequado (faixa roxa). Para gestantes com peso adequado, a curva deve permanecer retilínea ao longo de toda a gestação (faixa azul). Em gestantes com sobrepeso, a faixa se torna mais estreita, formando um leve arco (faixa rosa). Já em gestantes obesas, a faixa fica ainda mais arqueada, especialmente no primeiro trimestre (faixa amarela).

Segue abaixo a classificação do estado nutricional da gestante de acordo com seu IMC gestacional:

Fonte: BVS (2025)

 

1. Gestante com 20 semanas de gestação, peso pré gestacional de 65 kg, peso atual de 70 kg, altura 1,58. Qual estado nutricional pré gestacional, gestacional (atual), qual a recomendação de ganho de peso total para essa gestante?

 

Editar

QUERO SABER MAIS

QUERO SABER MAIS

Artigo para leitura:

 

·         PREVALÊNCIA DE EXCESSO DE PESO ENTRE GESTANTES BRASILEIRAS E AS REPERCUSSÕES CLÍNICAS E NUTRICIONAIS PARA O BINÔMIO MÃE-FILHO: UMA REVISÃO DE LITERATURA.

https://www.researchgate.net/publication/365958903_Prevalencia_de_excesso_de_peso_entre_gestantes_brasileiras_e_as_repercussoes_clinicas_e_nutricionais_para_o_binomio_mae-filho_uma_revisao_de_literatura

 

2. RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS DA GESTANTE

            As necessidades energéticas estão aumentadas nessa fase, como mencionado anteriormente. Mas o que determina esse aumento?

  • A quantidade de energia necessária para o ganho de peso adequado;
  • O aumento do gasto energético e o incremento da Taxa Metabólica Basal (TMB);
  • A atividade física, caso a gestante pratique.
Editar

MERECE DESTAQUE

2.1 COMO CALCULAR AS NECESSIDADES ENERGÉTICAS

1º Avaliar o estado nutricional pré-gestacional e o ganho de peso gestacional recomendado;

2º Calcular o VET: GE = TMB x NAF

Categoria

NAF (média)

Sedentário ou leve

1,4 – 1,69 (1,53)

Ativo ou moderadamente ativo

1,7 – 1,99 (1,76)

Vigoroso ou moderadamente vigoroso

2 – 2,4 (2,25)

NAF:

 

 

 

 

 

Ainda existe o método rápido (TMB): 18 – 30 anos: 14,818 x PESO x 486,6

                                                              30 – 60 anos: 8,126 x PESO x 845,6

3º VET = GE + ADICIONAL ENERGÉTICO

1º Trimestre (TMT):  85 kcal

2º Trimestre (TMT): 285 kcal

3º Trimestre (TMT): 475 kcal

Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

OBS 1: A gestação não é um momento adequado para restrição energética, pois pode levar à lipólise e à precipitação de corpos cetônicos, resultando em acidose materna e cetonúria, o que pode afetar neurologicamente o feto.

OBS 2: É importante verificar quanto peso a gestante já ganhou até o momento da consulta e estimar o ganho necessário até o final da gestação, considerando as semanas restantes.

Editar

MACRONUTRIENTES PARA GESTANTES ADULTAS

·         Carboidratos: 55 a 75%;

·         Fibras > 25 g/dia;

·         Açucar de adição < 10%;

·         Proteínas: 10 a 15%

·         Lipídios: 15 a 30%

·         Evitar o consumo de ácidos graxos saturados, trans e colesterol;

·         Água: 3 L/dia

 

2.1.1 Recomendações de proteínas: Durante a gestação, ocorrem adaptações para a conservação do nitrogênio e o aumento da síntese proteica, que cresce em 1%, 15% e 25% no primeiro, segundo e terceiro trimestres, respectivamente.

 

            Adicional proteico por TMT: 1º) 1g/kg/dia + 1 g

                                                                 2º) 1g/kg/dia + 9 g

                                                                 3º) 1g/kg/dia + 31g

Fontes alimentares: carne bovina, aves, peixes, ovos, leite e derivados, leguminosas (feijão, soja, amendoim, ervilha).

Editar

Micronutrientes para gestantes adultas

1 Vitamina A

A vitamina A desempenha diversas funções, incluindo a manutenção da visão, a reprodução, o desenvolvimento fetal e a função imune. Ela também participa da diferenciação e proliferação celular, da conservação do tecido esquelético e da manutenção da placenta, além de atuar como receptora nuclear e ativadora na regulação da expressão gênica de alguns hormônios.

Durante a gravidez, ocorre uma alteração na proporção de proteínas circulantes para favorecer a transferência dessa vitamina ao feto.

A deficiência de vitamina A (DVA) pode estar associada a defeitos congênitos em diversos sistemas, morte fetal, parto prematuro e sepse puerperal. Além disso, está relacionada à redução da mobilização dos estoques de ferro, comprometendo a diferenciação e proliferação das células hematopoiéticas.

Fontes Alimentares: Gema de ovo, leite integral, fígado, frutas e legumes amarelos e alaranjados, espinafre, chicória e couve.

2.2.2 Vitamina C

            As principais funções da vitamina estão relacionadas à ação antioxidante, à melhoria da absorção de ferro vegetal (férrico) e ao fortalecimento das respostas infecciosas.

Durante a gestação, ocorre uma redução nos níveis plasmáticos dessa vitamina de aproximadamente 10 a 15%, devido à expansão do volume sanguíneo e aos ajustes hormonais.

A deficiência compromete a síntese de colágeno, proteínas estruturais dos ossos, cartilagem, músculos e vasos sanguíneos, além de estar associada a parto prematuro e proteólise causada pela ação de radicais livres.

            Fontes Alimentares: Frutas como acerola, goiaba, abacaxi, laranja, morango, kiwi.

2.2.3 Vitamina B9 (Folato)

O folato reage como coenzima de reações de metilação envolvido na síntese proteica, de purinas e pirimidinas, ácidos nucleicos DNA e RNA, vital para divisão celular.

A deficiência do folato pode originar desconformidades no DNA e nos cromossomos. Na gestação ocorre um acréscimo da demanda e uma dieta inadequada causa aborto espontâneo, pré-eclâmpsia, restrição do crescimento intrauterino e hemorragia. Além disso ocasiona deficiências no fechamento do tubo neural que é essencial para o fechamento da calota craniana e da coluna vertebral, com posterior acontecimento de anencefalia e espinha bífida.

Na gestação a suplementação é realizada através do consumo de alimentos fortificados e administração de suplementos no período periconcepcional e até o final do 1º TMT. Sua recomendação diária é 0,4 mg/dia.

Fontes Alimentares: Vegetais folhosos escuros, amendoim, milho, legumes e fígado. 

2.2.4 Vitamina D

            A vitamina desempenha um papel fundamental na homeostase do cálcio e do fósforo, sendo essencial para o crescimento ósseo, a função imunológica e a reprodução humana.

Sua deficiência pode causar hipocalcemia neonatal, hipoplasia do esmalte da dentição decídua e afetar o crescimento fetal.

As fontes alimentares são limitadas, porém a maior parte das necessidades diárias é suprida pela conversão de metabólitos precursores na forma ativa da vitamina, sob a ação do sol.

Fontes Alimentares: Salmão, sardinha, fígado, ovos, manteiga e leite.

2.2.5 Vitamina E (Tocoferol)

            A vitamina atua como importante antioxidante, protegendo contra a oxidação de proteínas, do DNA, das partículas de LDL e inibição da oxidação dos lipídios de membranas celulares.

            Sua deficiência pode causar anemia hemolítica do prematuro, anormalidades neuromusculares e falhas na reprodução.

            Fontes Alimentares: Oleaginosas como: avelã, castanha do Pará, amendoim, pistache, nozes. Como também óleos como: óleo de milho e de amendoim e o azeite de oliva.

2.2.6 Vitamina K

A vitamina K é responsável pela síntese de protrombina e fatores de coagulação. Durante a gestação, a transferência placentária dessa vitamina é limitada, e o leite materno contém baixas concentrações dela. Por isso, os recém-nascidos (RNs) são mais suscetíveis à deficiência na síntese de protrombina.

Além disso, o intestino do recém-nascido tem uma flora intestinal reduzida, comprometendo a produção dessa vitamina, e o fígado ainda é imaturo para sintetizar a protrombina.

Para prevenir essa deficiência, todo recém-nascido recebe suplementação profilática de vitamina K. A forma mais eficaz é uma injeção intramuscular de vitamina K1 (filoquinona) logo após o nascimento. A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda uma dose única de vitamina K intramuscular para todos os recém-nascidos.

A dose recomendada é de 0,5 a 1,0 mg para recém-nascidos com peso superior a 1.500 g, e a injeção deve ser administrada nas primeiras seis horas após o nascimento.

Fontes Alimentares: Vegetais folhosos verdes escuros (brócolis, espinafre, alface, agrião).

2.2.7 Vitamina B3

            Essa vitamina é um importante componente de duas enzimas: Nicotinamida Adenina Nucleotídeo (NAD) e a Nicotinamida Adenina Nucleotídeo fosfato (NADP), estas enzimas participam de vários processos metabólicos como a glicólise, metabolismo doa ácidos graxos e respiração tecidual. Estudos recentes sugerem que a vitamina B3, além do ácido fólico, auxilia na prevenção de más-formações fetais, problemas no RN e até mesmo relacionado a atrasos de fala na infância.

A dose recomendada de consumo diário de B3 para gestantes é de 18 mg. Os alimentos que são fontes de niacina são os peixes, carnes magras, legumes, verduras e grãos integrais.

2.2.8 Vitamina B6

            A piridoxina é uma coenzima envolvida no metabolismo proteico, atuando nas reações de transaminação, desaminação, dessulfuração e descarboxilação. Ela participa na conversão de triptofano em niacina e na conversação de ácido graxo linoleico em araquidônico. Na gravidez ela auxilia no tratamento da hiperêmese gravídica, sua suplementação está associada a melhora do índice Appgar. A sua concentração no leite materno reflete a adequação da dieta materna.

Fontes Alimentares: Fígado, carne vermelha, leite, ovos e gérmen de trigo.

2.2.9 Vitamina B12

            A cobalamina é essencial para o organismo, mas o corpo humano não consegue produzi-la sozinho. Sua síntese é realizada por microrganismos, como bactérias, fungos e algas.

A deficiência de cobalamina causa lesões hematológicas de difícil distinção em relação às provocadas pela carência de folato. Os principais sinais dessa deficiência são anemia megaloblástica e distúrbios neurológicos.

Editar

Minerais na Gestação

Magnésio

 

            O magnésio possui a função de atuar na transmissão da atividade neuromuscular requerendo o relaxamento do musculo e atuando como antagonista do canal de cálcio fisiológico e participando do metabolismo de macronutrientes. Tanto sua deficiência como seu excesso estão associados a malformações fetais.

 

Fontes Alimentares: Leguminosas e vegetais verdes escuros, oleaginosas como nozes.

 

2.3.2 Selênio

            O selênio desempenha um papel fundamental na proteção antioxidante e no fortalecimento do sistema imunológico. Suas principais fontes alimentares incluem carnes brancas e vermelhas, como peixes, frango e bovinos, além de fontes vegetais, como a castanha-do-Pará.

A deficiência de selênio pode causar a doença de Keshan, caracterizada por insuficiência cardíaca. Essa condição geralmente afeta mulheres em idade fértil e crianças, sendo mais comum em países asiáticos, como a China, devido ao solo pobre nesse mineral.

 

2.3.3 Iodo

            O iodo é um componente essencial dos hormônios tireoidianos, desempenhando um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento humano. Sua deficiência é denominada Distúrbios por Deficiência de Iodo (DDI). A deficiência fetal de iodo está associada a um maior risco de natimortos, abortos espontâneos e anormalidades congênitas. O cretinismo congênito é caracterizado por deficiência mental e diplegia espástica, enquanto o cretinismo mixedematoso se manifesta por hipotireoidismo e nanismo.

Fontes Alimentares:  Sal de cozinha iodado e peixes ricos em gordura (sardinha, atum, salmão).

 


2.3.4 Cálcio (Ca)

O cálcio é um mineral presente nos ossos, dentes, sangue, músculos e fluidos extracelulares, sendo essencial para a contração e vasodilatação muscular e vascular, a transmissão nervosa e a secreção glandular.

Durante a gestação, ocorre uma modificação no metabolismo do cálcio, incluindo mudanças nos reguladores. O estrogênio inibe a reabsorção óssea, enquanto o turnover do cálcio ósseo é estimulado, além do aumento da reabsorção renal desse mineral.

A carência de cálcio pode impactar a gestação, comprometendo o crescimento e desenvolvimento fetal, causando alterações na membrana celular e afetando a pressão sanguínea. Além disso, pode favorecer contrações uterinas prematuras e parto prematuro.

A suplementação de cálcio na gestação é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido aos seus diversos benefícios para mãe e bebê. Recentemente, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica Conjunta nº 251/2024, que estabelece a suplementação universal de cálcio para gestantes na Atenção Primária à Saúde (APS).

A partir da 12ª semana de gestação até o parto deve-se iniciar a suplementação com dosagem de 1000 mg de cálcio elementar por dia, o que equivale a dois comprimidos de carbonato de cálcio de 1.250 mg, a prescrição pode ser feita por médicos, enfermeiros e nutricionistas da Atenção Primária à Saúde (APS).  E a administração dos suplementos de cálcio não devem ser ingeridos junto com a suplementação de ferro. É necessário um intervalo de duas horas entre eles para garantir a absorção adequada de cada um. Recomenda-se ingerir o cálcio à noite, com um copo de leite ou suco de frutas, evitando o jejum e alimentos ricos em fitatos, oxalatos ou ferro.

2.3.5 Ferro (Fe)

O Ferro é essencial para síntese de hemoglobina, participa da distribuição de oxigênio, da síntese de enzimas ferro-dependentes importantes para a respiração de células maternas e fetais, além de participar da formação de energia. Na gestação a necessidade de absorção do ferro está aumentada, a mulher precisa repor suas perdas basais (expulsão de feto, placenta e sangue) e suas necessidades aumentam no final da gestação, o que é muito difícil por meio dietético, por isso é necessário suplementação.

A suplementação de Ferro ocorre da seguinte forma:

Sua deficiência na gestação está relacionada ao aumento da mortalidade perinatal e prematuridade.

2.3.6 Ácidos Graxos Essenciais

            Os ácidos graxos essenciais são potentes mediadores químicos envolvidos na resposta imunológica. Eles estão diretamente ligados ao desenvolvimento fetal e também compõem a estrutura da retina. As gestantes devem ingerir entre 200 mg e 1.000 mg por dia para garantir uma adequada nutrição.

Fontes Alimentares: Peixes gordos: salmão, atum, sardinha, abacate, azeite de oliva e em oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas), azeite de oliva.

Editar

Distúrbios hipertensivos na gestação

Os distúrbios hipertensivos na gestação estão entre as principais causas de mortalidade materna e perinatal em todo o mundo. A hipertensão crônica afeta entre 0,9% e 1,5% das grávidas, e estima-se que a pré-eclâmpsia (PE) complique de 2% a 8% das gestações globalmente (Arq Bras Cardiol, 2021).

Segue o Quadro 11.1, que define e classifica os distúrbios hipertensivos na gestação.

 

Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Então para que se faça a prevenção dos Distúrbios Hipertensivos é importante realizar algumas recomendações no âmbito nutricional:

·         Dieta balanceada, fracionada

·         Dieta normossódica e até levemente hipossódica (até 4g de sal); sendo evitado os alimentos ultraprocessados

·         Acrescida de proteína 2g/kg/dia,

·          Adequada em vitaminas e minerais (A, C, E, K, Cálcio – sendo 2g diário).

·         Reduzir rigorosamente o consumo alimentos gordurosos e ricos em ácidos graxos trans

·         Consumir 2 a 3 porções de peixe/semana.

Editar

Diabetes mellitus gestacional (DMG)

A disglicemia é a alteração metabólica mais comum durante a gestação. Estima-se que aproximadamente 16% dos nascidos vivos sejam gerados por mulheres que apresentaram alguma forma de hiperglicemia durante a gravidez. Cerca de 8% dos casos envolvem mulheres com diabetes diagnosticado antes da gestação.

O aumento da prevalência de gestações em mulheres com diabetes mellitus (DM) pré-gestacional acompanha o crescimento da frequência de DM1 e DM2 na população feminina em idade fértil (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2022).

O quadro abaixo apresenta os valores de glicemia para o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional (DMG).

Ainda a DMG pode trazer complicações maternas e fetais, segue o Quadro 2 com as principais complicações

Editar

Terapia nutricional na gestante com diabetes

 O principal objetivo é promover o controle glicêmico, garantir uma nutrição materno-fetal adequada e um ganho de peso saudável, reduzindo o risco de desfechos indesejáveis. Esse processo deve ser realizado de forma individualizada.

Recomendações específicas de macronutrientes e micronutrientes nesta fase:

  • Proteínas: 15-20% do valor energético total (VET) para gestantes com função renal normal.
  • Lipídios: 30-40% do VET, com restrição de ácidos graxos saturados e trans. Recomenda-se o consumo de duas ou mais porções semanais de peixes ricos em ácido graxo poli-insaturado da série ômega-3.
  • Carboidratos (CHO): Devem ser distribuídos ao longo do dia (45-60% do VET), com controle da quantidade total nas refeições. A dieta deve conter, no mínimo, 175 g de carboidratos por dia e atender à recomendação de fibras (20-35 g/dia ou 14 g/1000 kcal).
  • Vitaminas e minerais: mesma recomendação para gestantes sem diabetes. Segue-se a recomendação da Dietary Reference Intakes (DRI) ou ingestão dietética de referência (IDR) propostas pelo Institute of Medicine-IOM, (2001) para gestantes.
Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Considerações

·         A dieta deve ser individualizada, balanceada e fracionada em seis refeições ao dia, com horários regulares, garantindo a inclusão de todos os grupos alimentares.

  • Priorizar o consumo de alimentos integrais, ricos em fibras e produtos lácteos desnatados.
  • Caso a gestante tenha alguma morbidade crônica associada ou apresente intercorrências gestacionais ou digestivas, a conduta dietética deverá ser ajustada.
  • Orientar a gestante a observar os rótulos dos alimentos, verificando a quantidade de ingredientes, carboidratos, gorduras saturadas e sódio.
  • Incluir orientações para a prevenção de carências de micronutrientes, garantir uma ingestão hídrica adequada e fornecer demais recomendações nutricionais comuns às gestantes.
Editar

Sintomas típicos da gestação

Enjoo

Os enjoos geralmente começam a surgir a partir da 4º semana e em alguns casos pode durar toda a gravidez. 

ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS PARA AMENIZAR OS ENJOOS:

✔️ Alimentar-se de 3 em 3 horas;
✔️ Preferir o consumo de alimentos secos no café da manhã, como bolachas, torradas e cookies, sempre optando pela versão integral.
✔️ Dar preferência às frutas cítricas, como laranja, kiwi, tangerina, abacaxi e acerola. A adição de gotas de limão na comida também pode ajudar.
✔️ Acrescentar gotas de limão na água para facilitar a ingestão e reduzir sintomas incômodos.
✔️ Optar pelo consumo de carnes grelhadas.
✔️ Evitar alimentos muito temperados, quentes ou que contenham pimenta.
✔️ Consumir alimentos ricos em vitamina B6 para ajudar a combater enjoos e vômitos nessa fase, como banana, frango, espinafre, salmão, inhame, abacate e suco de ameixa.
✔️ Evitar alimentos gordurosos.

 

6.2  Síndrome de Pica ou Picamalacia

É uma desordem alimentar que compreende o consumo de alimentos incomuns e que não possuem qualquer valor nutricional, ou até mesmo o consumo de substâncias inadequadas. Dentre as substâncias mais comumente relatadas, estão:

    

 Terra ou barro (geofagia) ou Amido (amilofagia) ou Gelo (pagofagia)

A causa dessa síndrome ainda não está completamente definida, porém estudos apontam diversas possibilidades, tais como:

  • Deficiências de micronutrientes, descritas como um dos sinais característicos da anemia ferropriva.
  • Sintomas digestivos, devido aos desconfortos gástricos comuns na gestação, como náuseas, vômitos e refluxo gastroesofágico. O consumo dessas substâncias pode estar relacionado à tentativa de aliviar esses desconfortos.
  • Fatores culturais e ambientais, incluindo mitos, tabus e superstições familiares sobre o consumo de alimentos incomuns.

6.3  Pirose na gestação

É causado pelo refluxo para o esófago do conteúdo ácido do estômago. A motilidade gastroesofágica, intestinal, da vesícula e a tonicidade dos esfíncteres (incluindo o esfíncter gastroesofágico) estão diminuídos durante a gestação, razão pela qual o ácido gástrico reflui com mais facilidade.

Orientações nutricionais para evitar pirose:

ü  Evitar deitar-se nas primeiras três horas após as refeições;

ü   Opte pelo uso de roupas mais folgadas (para evitar a pressão intra-abdominal);

ü   Elevar a cabeceira da cama cerca de 15 a 20 cm ou usar mais ou maiores almofadas que permitam elevação equivalente.

ü  Já a alteração da dieta deve ser feita no sentido de evitar os alimentos com maiores probabilidades de desencadearem azia, tais como café, chá, chocolate, bebidas com gás, menta e alimentos muito gordurosos ou picantes.

6.4  Constipação Intestinal

A constipação é um sintoma comum na gestação, causado principalmente pela progesterona. Esse hormônio reduz a motilidade intestinal, tornando o trânsito dos alimentos mais lento, o que acaba resultando em fezes mais ressecadas. Além disso, alguns segmentos do intestino podem ficar comprimidos pelo útero, agravando o quadro.

Orientações nutricionais:

·         Ingerir ameixa preta seca diariamente ou consumir a água da ameixa.

·         Aumentar a ingestão de fibras.

·         Praticar exercícios regularmente.

·         Beber bastante água, não apenas água mineral, mas também por meio de alimentos como frutas e sopas.

 

 

1.  Sabemos que a suplementação de Ferro é essencial na gestação. Quais são os principais problemas para a mãe e o bebê associados à deficiência de ferro durante a gestação?

 

2. De que maneira a deficiência de cálcio na gestação pode impactar a saúde óssea e cardíaca da mãe, inclusive a longo prazo, e quais estratégias nutricionais e de suplementação são mais eficazes para garantir níveis adequados desse mineral durante a gravidez?

Editar

QUERO SABER MAIS

QUERO SABER MAIS

Artigos para leitura:

·         PRÉ-ECLÂMPSIA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DOS FATORES DE RISCO E ESTRATÉGIAS PREVENTIVAS: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/4954/3432

·         DIABETES GESTACIONAL: ORIGEM, PREVENÇÃO E RISCOS: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/22764/18246

Editar

Unidade 2

Editar

Introdução

O período de lactação, também conhecido como amamentação, é uma fase de alta demanda energética e nutricional, necessária para a produção de leite materno. Segundo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação deve ser exclusiva até, pelo menos, o sexto mês de vida, e complementada até os dois anos.

Esse processo é essencial para a sobrevivência e o desenvolvimento dos recém-nascidos, pois fornece nutrientes, anticorpos e hidratação fundamentais para sua saúde.

A produção de leite depende de diversos fatores, como:

  • Estímulo provocado pela sucção;
  • Estado de hidratação da mãe;
  • Fatores psicológicos;
  • Técnica e atitudes durante a amamentação.
Editar

Período Pós-parto

O período pós-parto da mulher, também conhecido como puerpério, caracteriza-se pelo intervalo de tempo que se inicia imediatamente após o parto (com a expulsão da placenta) e se estende até que o corpo da mulher retorne, tanto quanto possível, ao seu estado pré-gravídico.

Este período é marcado por intensas mudanças físicas, hormonais e emocionais, enquanto a mulher se adapta à nova realidade da maternidade e seu corpo se recupera da gestação e do parto.

As principais características do período pós-parto incluem:

 

·         Mudanças Físicas:

 

1.      Involução Uterina - O útero, que cresceu significativamente durante a gravidez, começa a se contrair para retornar ao seu tamanho normal.

2.      Lóquios - Sangramento vaginal semelhante à menstruação, que ocorre devido à cicatrização do local onde a placenta estava inserida no útero.

3.      Retorno dos Órgãos Internos: Ocorre deslocamento dos órgãos durante a gestação, gradualmente retornam às suas posiçõesoriginias.

 

·         Mudanças Hormonais:

 

1.       Perda Hormonal: Acontece uma perda relevante nos níveis de estrogênio e progesterona após o parto, contribuindo para as diversas mudanças físicas e emocionais que ocorrem posterior a gestação.

·         Aumento da Prolactina e Ocitocina: A lactação excita a produção da prolactina e da ocitocina, sendo essenciais para a produção e liberação do leite materno.

 

·         Mudanças Emocionais e Psicológicas:

 

1.       "Baby Blues": Algumas mulheres sentem uma tristeza passageira, ficam irritadiças, com bastante ansiedade e com choro fácil nos dias ou semanas após o parto, devido às flutuações hormonais, privação de sono e como também a adaptação à nova rotina.

2.       Adequação à nova identidade: A mulher passa por uma transformação em sua identidade, recebendo o papel de mãe, cuidadora, responsável por um ser humano totalmente dependente dela, geralmente gerando bastantes inseguranças, dúvidas e necessidade total de apoio familiar.

A duração do período pós-parto geralmente considera-se que as mudanças mais significativas ocorrem nas primeiras 6 a 8 semanas após o parto. No entanto, a recuperação completa pode chegar até um ano ou enquanto durar a lactação.

Editar
·         O leite materno protege contra infecções, como diarreia, pneumonia e otite. Caso a criança adoeça, a gravidade da doença tende a ser menor;

Por que é tão importante amamentar? 

·         O leite materno protege contra infecções, como diarreia, pneumonia e otite. Caso a criança adoeça, a gravidade da doença tende a ser menor;

  • Previne patologias, como asma, diabetes e obesidade;
  • Beneficia o desenvolvimento físico, emocional e intelectual da criança;
  • Os movimentos realizados durante a sucção do leite materno são um importante exercício para a boca e os músculos do rosto, ajudando a prevenir problemas respiratórios, dificuldades na mastigação e fala, desalinhamento dos dentes e dificuldades para engolir;
  • Promove a saúde psicossocial da mulher, proporcionando uma interação profunda entre mãe e bebê, com trocas hormonais e afetivas, sendo geralmente uma experiência prazerosa para ambos;
  • Amamentar é uma opção econômica, sendo muito mais barato do que alimentar a criança com fórmulas, pois o leite materno é produzido pelo próprio corpo da mãe;
  • Bebês amamentados adoecem menos e têm menor risco de desenvolver doenças futuras, o que contribui para a redução dos gastos das famílias e do sistema de saúde na preservação da saúde infantil.

Editar

Tipos de Aleitamento Materno

Existem diferentes tipos de aleitamento materno, classificados de acordo com a fonte de nutrição do bebê:

·         Aleitamento Materno Exclusivo: O bebê recebe apenas o leite materno, de forma exclusiva, seja diretamente da mama ou ordenhado, sem qualquer outro líquido ou sólido, com exceção de vitaminas, sais de reidratação oral ou suplementos minerais além medicamentos.

·         Aleitamento Materno Predominante: O leite materno é a fonte principal de nutrição e alimento para o bebê, mas ele também recebe outros líquidos como água, chás ou sucos de frutas.

·         Aleitamento Materno Complementado: O bebê recebe leite materno juntamente com outros alimentos sólidos ou semissólidos, que complementam a amamentação, mas não a substituem. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar.

Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

É importante ressaltar que o Aleitamento Materno Exclusivo até os seis meses de vida é a forma mais recomendada de alimentar o bebê, devido aos inúmeros benefícios mencionados acima. Após essa idade, a amamentação deve ser complementada com a introdução de alimentos saudáveis e adequados para a idade, mantendo-se o aleitamento materno até os dois anos ou mais, conforme a recomendação da OMS e do Ministério da Saúde.

Editar

Fisiologia da Lactação

A fisiologia da lactação é um processo complexo e fascinante, resultante de diversas interações hormonais e reflexos neurais. A preparação para a lactação começa ainda na gestação, com o aumento dos níveis de progesterona, estrogênio, prolactina e lactogênio placentário. Esses hormônios estimulam o crescimento e a diferenciação fisiológica do sistema loboalveolar.

Até o parto o fator de inibição da prolactina (PIF) não permite que ocorra secreção láctea, contudo, uma pequena quantidade de colostro pode ser secretada nos últimos meses de gestação.

A lactação é controlada pelo sistema Neuroendócrino, envolvendo a inervação do mamilo, tecidos adjacentes, medula espinhal, hipotálamo e hipófise (imagem acima). O processo de produção do leite ocorre em duas etapas: Sendo a primeira a produção e secreção dos lóbulos alveolares; após ocorre a descida do leite pelos dutos até ser ejetado acontecendo de forma simultânea.

Ocorre o estímulo (sucção do bebê) à O estímulo é encaminhado aos neurônios do hipotálamo à Estes inibem a secreção da PIF àA prolactina estimula a secreção láctea.

A liberação do leite dos alvéolos para os ductos e, finalmente, para fora do mamilo, é mediada pela ocitocina, um hormônio liberado pela glândula pituitária posterior. A sucção do bebê também estimula sua liberação. Os impulsos nervosos do mamilo viajam até o hipotálamo, que então sinaliza a liberação da ocitocina na corrente sanguínea. Esse hormônio atua nas células mioepiteliais que circundam os alvéolos mamários, causando sua contração. Essa contração impulsiona o leite para os ductos até os seios lactíferos, localizados sob a aréola, tornando-o disponível para o bebê. Esse processo é conhecido como reflexo de ejeção do leite ou reflexo da ocitocina.

O reflexo de ocitocina pode ser condicionado, sendo desencadeado não apenas pela sucção, mas também pela visão, cheiro ou choro do bebê, ou até mesmo pelo pensamento na amamentação. O estresse e a ansiedade podem inibir a liberação de ocitocina, dificultando a ejeção do leite.

Editar

Recomendações para a Nutriz

O estado nutricional da nutriz é realizado por dados antropométricos, dietéticos, bioquímicos e clínicos. É comum que a nutriz que amamenta exclusivamente tenha uma perda de peso nos três primeiros meses, sendo uma taxa média de 0,5 a 1,0 kg/mês. Quando realizado a avaliação antropométrica deve-se ser baseado no IMC pré-gestacional, caso a nutriz estivesse com IMC de obesidade (>=30) indica-se uma perde de 0,5 a 2kg/mês.

 

4.1 Cálculo Energético na Lactação

O cálculo energético deve ser calculado pensando na adequada produção de leite, sendo impactado pela duração e quantidade de lactação do bebê, e obviamente do estado nutricional que a nutriz se encontra. Durante a gestação ocorre acúmulo de reserva de gordura, para cobrir as necessidades durante os primeiros meses de lactação.

VET = GE (TMB + NF) + adicional energético para lactação – energia para perda de peso

 

 

·         18 a 30 anos: TMB (kcal/dia) = 14,818x peso (kg) + 486,6

·         30 a 60 anos: TMB (kcal/dia) = 8,126x peso (kg) + 845,6

 

PESO = PESO ATUAL

O adicional energético para lactação é de:

            -1º semestre: 675 kcal (para uma produção média de 807 mL/dia);

            - 2º semestre: 550 kcal (para uma produção média de 550mL/dia);

 

E a redução energética para perda de peso é: -170 kcal.

 

4.2 Recomendações de macronutrientes, água, vitaminas

Os carboidratos devem seguir a recomendação de 55 a 75% do VET, sendo pelo menos 25 g/dia de fibras e no máximo 10% de açúcar adicionado; as proteínas possuem a recomendação de 1,1g/kg/dia, tendo um adicional proteico por semestre, sendo no 1º semestre 19 g/dia e o 2º semestre 12,5 g/dia, já os lipídeos a recomendação é de 15 a 30% do VET, sendo necessário evitar o consumo de gorduras saturadas, trans e o colesterol. O consumo de água deve ser no mínimo 3 litros/dia.

Editar

A Vitamina A possui um protocolo de administração em puérperas recomendado pelo Ministério da Saúde, sendo administrado no pós-parto imediato, antes da alta hospitalar uma dose de Vit. A de 200.000 UI por via oral em dose única.

 

Editar

Mitos e verdades na Lactação e Recomendações Especificas

Muitos mitos cercam a amamentação, sendo um dos principais a crença de que consumir determinados alimentos, como caldo de cana, suco de uva, rapadura e canjica, aumenta a produção de leite. Além disso, ingerir líquidos em excesso, além do recomendado, não influencia no volume de leite produzido.

As vitaminas desempenham um papel fundamental na dieta da mãe e, consequentemente, na composição do leite materno. Uma alimentação deficiente em B1, B2, B6, iodo e piridoxina podem reduzir a presença desses nutrientes no leite. Gestantes vegetarianas precisam de suplementação de vitamina B12.

Principais recomendações específicas:

  • Evitar bebidas contendo cafeína, limitando o consumo a no máximo 1 xícara por dia (40 mg de cafeína).
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas, pois elas alteram a composição e o valor nutricional do leite, além de comprometer reflexos fisiológicos da lactação.
  • Consumir peixe pelo menos três vezes por semana para garantir níveis adequados de ácidos graxos essenciais.
  • Evitar o uso da nicotina, que tem efeito tóxico no bebê, reduz a produção de leite, diminui seu teor de gordura e encurta o tempo de amamentação (CHAVES et al., 2018).
Editar

Composição do leite materno

O leite materno é um alimento de excelência, pois contém todos os nutrientes necessários para o bebê. Ele oferece inúmeros benefícios do ponto de vista nutricional, imunológico, psicológico e cognitivo, sendo uma intervenção eficaz na redução da morbidade e mortalidade infantil.

Durante cada sessão de amamentação, o leite humano inicialmente apresenta uma textura mais fluida, sendo chamado de leite anterior. Ele é rico em proteínas, vitaminas e minerais, contribuindo para a hidratação do bebê. Com o decorrer da amamentação, o leite se torna gradualmente mais espesso e é identificado como leite posterior, caracterizado por seu alto teor de gordura. Esse leite promove maior saciedade e um ganho de peso adequado para o bebê.

 

5.1 Fases do Leite Materno

O leite materno passa por três fases distintas, cada uma com uma composição específica para atender às necessidades do bebê em diferentes estágios de desenvolvimento:

 

1.      Colostro:

É produzido nos primeiros dias após o parto, geralmente entre o 1º e o 5º dia. Trata-se de um líquido mais espesso e de coloração amarelada, gerado em pequena quantidade, ideal para o pequeno estômago do recém-nascido.

Sua composição é rica em proteínas, especialmente imunoglobulinas como a IgA, além de vitaminas lipossolúveis (A, E, K e betacarotenos), minerais e células de defesa, como leucócitos. Em comparação com o leite maduro, apresenta baixo teor de gordura e lactose.

 

2.      Leite de Transição:

Durante o período de transição entre o colostro e o leite maduro, aproximadamente do 6º ao 15º dia após o parto, a produção de leite aumenta significativamente. Sua composição começa a mudar gradualmente, tornando-se mais cremoso e adquirindo uma coloração mais branca. Nesse estágio, os níveis de proteínas e imunoglobulinas diminuem, enquanto as concentrações de gordura, lactose e vitaminas hidrossolúveis aumentam, fornecendo mais energia para o crescimento rápido do bebê.

 

3.      Leite Maduro:

Produzido a partir do 15º dia após o parto e permanece durante todo o período da lactação, torna-se um líquido branco-azulado, com uma composição mais estável. Contém a combinação ideal de carboidratos (principalmente a lactose), gorduras, proteínas (caseína e proteínas do soro, como alfa-lactalbumina e lactoferrina), vitaminas, minerais, enzimas e fatores de crescimento essenciais para o desenvolvimento físico e neurológico do bebê. Sendo cheio de anticorpos e células de defesa, embora em quantidade menor que o colostro.

Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

OBS: O leite humano é considerado um dos principais barreira de ataque para o bebê, ele possui inúmeros fatores imunológicos que protegem a criança contra infecções. Como exemplo de anticorpos, temos as Imunoglobulinas A (IgA) que são no leite humano um reflexo dos antígenos entéricos da mãe, explicando, a mãe produz anticorpos contra agentes infecciosos com os quais a ela já teve contato, proporcionando assim proteção ao bebê contra os microrganismos prevalentes no meio em que a mãe vive.

 

OBS 2: Além do IgA, o leite materno contém outros fatores de proteção, tais como: IgM e IgG, macrófagos, neutrófilos, linfócitos B e T, lactoferrina, lisozima e fator bífido (este fator favorece o crescimento de Lactobacilus Bifidus, uma bactéria não patogênica que acidifica as fezes, dificultando a instalação de bactérias que causam diarreia, tais como Shigella, Salmonella e Escherichia coli.

 

Editar

Técnica de Amamentação

Algumas técnicas de amamentação devem ser consideradas para garantir o conforto da mãe e a pega correta do bebê, essencial para uma amamentação eficaz e sem dor.

Principais técnicas e dicas:

  • Posicionamento adequado da mãe: Deve estar sentada ou deitada em uma posição confortável e relaxada.
  • Posicionamento adequado do bebê: Permite que ele mame de forma eficaz, consumindo leite suficiente para se saciar e evitando dor no mamilo materno.

Editar

Fórmulas Infantis

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), as fórmulas infantis são "produtos, em forma líquida ou em pó, especialmente fabricados para satisfazer as necessidades nutricionais de públicos específicos".

Elas são projetadas para substituir parcial ou totalmente o leite materno, fornecendo os nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento saudável do bebê. Sua utilização é recomendada em casos de impossibilidade de amamentação por diversos motivos, sendo a escolha dependente da idade e de necessidades especiais.

Quadro abaixo traz um comparativo entre o leite materno, fórmula infantil e o leite de vaca:

Editar

Os primeiros 1000 dias

Os "primeiros 1000 dias" da vida de um bebê, que abrangem desde a concepção até aproximadamente seu segundo aniversário, representam uma janela de oportunidade crítica para moldar sua saúde, desenvolvimento e bem-estar ao longo da vida. Esse período é marcado por um crescimento acelerado e transformações profundas em todas as áreas do desenvolvimento, tornando as influências vivenciadas durante essa fase excepcionalmente impactantes.

 

Segue uma análise do porquê estes primeiros 1000 dias são tão importantes:

 

1. Desenvolvimento rápido do cérebro: O cérebro cresce a uma taxa surpreendente durante este período, formando mais de um milhão de novas conexões neurais a cada segundo. Esta fiação intrincada estabelece a base para habilidades cognitivas, aprendizagem, regulação emocional e comportamento ao longo da vida. Sendo a nutrição fundamental para o desenvolvimento do cérebro. A ingestão adequada de nutrientes essenciais como ácidos graxos ômega-3, ferro, zinco, colina, folato e outros apoiam diretamente a estrutura do cérebro, a função e o desenvolvimento de vias neurais. Deficiências podem levar a déficits cognitivos irreversíveis, impactando o aprendizado, a memória, a atenção e as habilidades de resolução de problemas.

 

2. Base para a saúde física:  Os primeiros 1000 dias são um período de rápido crescimento e desenvolvimento físico. A nutrição adequada desde a gestação até os dois primeiros anos de vida é essencial para alcançar um crescimento saudável e construir um sistema imunológico forte reduzindo riscos de doenças crônicas futuras, como obesidade, diabetes e doenças cardíacas. Estabelecer hábitos alimentares saudáveis ​​durante esse período possui efeitos duradouros nas preferências alimentares e na saúde geral.

 

3. Desenvolvimento emocional e social: Vínculos seguros são formados com a família e os cuidadores durante os primeiros 1000 dias. Sendo essenciais para o desenvolvimento social e emocional saudável. Esses relacionamentos ensinam aos bebês sobre confiança, segurança e como regular suas emoções. Crianças que tem cuidados positivos e responsivos são mais resilientes e possuem maior capacidade de formar relacionamentos saudáveis. Por outro lado, crianças com experiências negativas como negligência ou abuso possuem efeitos prejudiciais duradouros no seu bem-estar emocional e em suas habilidades sociais.

 

4. Impacto de longo prazo no aprendizado e comportamento: Crianças que recebem nutrição, cuidados e estimulação adequados durante os primeiros 1000 dias tendem a ter melhor desempenho acadêmico, têm menos problemas comportamentais e têm habilidades cognitivas aprimoradas.

 

Resumindo, os primeiros 1000 dias são um período crucial. O que acontece durante essa fase, seja relacionado à nutrição, ao ambiente ou às relações, tem um impacto profundo e muitas vezes irreversível na trajetória de uma criança. Isso influencia diretamente sua capacidade de aprendizagem e seu desenvolvimento socioemocional ao longo de toda a vida.

 

1. Descreva detalhadamente os mecanismos hormonais envolvidos na lactogênese, destacando os principais hormônios, seus locais de produção e seus efeitos nas glândulas mamárias.

2. Explique o reflexo de ejeção do leite (reflexo de ocitocina), detalhando os estímulos sensoriais que o desencadeiam, a via neural envolvida e o mecanismo fisiológico que resulta na liberação do leite dos alvéolos mamários. Qual a importância desse reflexo para o sucesso da amamentação?

Editar

QUERO SABER MAIS

QUERO SABER MAIS

Artigos para leitura:

·         OS BENEFÍCIOS DA AMAMENTAÇÃO NA PREVENÇÃO DA OBESIDADE INFANTIL: https://periodicos.univag.com.br/index.php/picmed/article/view/2135/2312

Leia e assista os vídeos da UNICEF/ Brasil:

https://www.unicef.org/brazil/aleitamento-materno

Editar

Introdução Alimentar

Embora diversas literaturas abordem a introdução alimentar com algumas variações na forma de listar os passos, iremos nos basear nos princípios fundamentais recomendados pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a alimentação de crianças de até 2 anos. Esses princípios podem ser resumidos em doze passos essenciais, conforme apresentados no Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (BVSMS, 2019).

 

1. Amamentar até 2 anos ou mais, oferecendo somente o leite materno até os 6 meses:

A recomendação é que o leite materno seja ofertado para a criança até os 2 anos, sendo de forma exclusiva até os 6 meses, sem necessidade de água, chá ou qualquer outro alimento. Iniciar a amamentação logo após o nascimento, ainda nas primeiras horas de vida, traz benefícios para a criança e para a mãe.

 

2. Ofertar alimentos in natura ou minimamente processados, além do leite materno, a partir dos 6 meses:

Nessa fase, outros alimentos saudáveis devem ser apresentados para o bebê e fazer parte de suas refeições. Para que a criança tenha um paladar mais estimulado os pais devem apresentar o maior número possível de alimentos in natura ou minimamente processados e de diferentes grupos, como leguminosas, cereais, raízes e tubérculos, frutas, legumes e verduras, além de carnes.

 

3. Oferecer água própria para o consumo ao invés de sucos, refrigerantes e outras bebidas açucaradas:

A necessidade de água da criança é atendida exclusivamente pelo leite materno quando ela está em amamentação exclusiva. A criança que recebe somente fórmula infantil, desde que preparada de forma adequada, também não precisa receber água. Se você começar a dar qualquer outro alimento para a criança, que não o leite materno ou fórmula infantil, ofereça água para a criança nos intervalos das refeições. A água deve ser clorada, mas caso não seja, ferva a água por 5 minutos antes de beber. Espere esfriar antes de ofertar à criança.

 

4. Oferecer alimentos na consistência adequada quando a criança começar a comer outros alimentos além do leite materno:

No início, recomenda-se oferecer alimentos amassados com garfo. Em seguida, deve-se evoluir para preparações picadas em pedaços pequenos, raspadas ou desfiadas, permitindo que a criança aprenda a mastigar gradualmente. Evite preparações líquidas e o uso de liquidificador, mixer ou peneira, pois esses métodos podem comprometer o processo de aprendizagem alimentar. Esse é um desenvolvimento progressivo que ocorre por etapas.

 

5. Não é indicado oferecer preparações ou produtos que contenham açúcar até os 2 anos de idade:

O consumo de açúcar antes dos dois anos de idade pode causar danos à saúde, como cáries, obesidade infantil e aumentar o risco de desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Não há necessidade de incluir mel ou qualquer tipo de açúcar na alimentação da criança. Além disso, deve-se evitar preparações ou produtos industrializados que contenham esses ingredientes, como biscoitos, bolos e iogurtes.

 

6. Não oferecer alimentos ultraprocessados para a criança:  

Os alimentos ultraprocessados são pobres em nutrientes (vitaminas e minerais) e ricos em sal, gordura e açúcar, além de aditivos, como corantes e conservantes. Os alimentos ultraprocessados são aqueles produzidos de forma completamente industrial e que levam em sua composição muitos ingredientes.

 

7. Cozinhar a mesma comida para a criança e para a família:

A criança deve ser inserida na rotina de alimentação da família, sendo assim, os alimentos oferecidos podem ser os mesmos, sendo sem sal, gordura ou condimentos e adaptados na consistência sempre que necessário.

 

8. Zelar para que a hora da alimentação da criança seja um momento de experiências positivas, aprendizado e afeto junto da família:

É fundamental que toda família valorize o momento da alimentação. Comer juntos auxilia a criança a se interessar em experimentar novos alimentos e torna as refeições mais prazerosas.

 

9. Prestar atenção aos sinais de fome e saciedade da criança e conversar com ela durante a refeição:

Os sinais de fome e de saciedade variam de acordo com cada criança e a idade que possui. Ao perceber esses sinais, o responsável deve respeitar, só oferecendo alimento novamente quando a criança sentir fome e parando quando ela demonstrar estar satisfeita.

 

10. Cuidar da higiene em todas as etapas da alimentação da criança e da família:

A higiene do alimento é primordial sendo uma tarefa coletiva. É imprescindível a higiene e desinfecção de legumes, frutas e verduras e a atenção durante o preparo dos alimentos.

 

11. Oferecer alimentação adequada e saudável também fora de casa:  

Ao sair de casa para passeios, festas e consultas de saúde a criança deve manter a alimentação que é ofertada em casa. Isso evita a oferta de alimentos inadequados.

 

12. Proteger a criança da publicidade de alimentos:

Este é o principal desafio enfrentado pelos responsáveis quando o assunto é alimentação saudável. Os alimentos ultraprocessados estão presentes nos comerciais de televisão, jogos eletrônicos e redes sociais, chamando a atenção. Ao levar a criança para supermercados, saia de casa com ela alimentada ou leve um lanche saudável. Crianças menores de 2 anos não devem ter acesso a telas (tablet, televisão, computador, celular).

Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Quando deve ser iniciado a Introdução Alimentar (IA)

A recomendação principal é que se espere até os 6 meses associados os sinais de prontidão! Deve ser aguardado a faixa etária ideal, por ser aquela na qual normalmente o intestino do bebê está pronto para receber e digerir outros alimentos que não o leite materno. E os sinais de prontidão é uma forma indireta de avaliar a maturidade do bebê.

 E os bebês prematuros? Devem aguardar até que atinjam a idade CORRIGIDA de 6 meses como também os sinais de prontidão.

Os sinais de prontidão são:

·         Saber sentar-se com o mínimo de apoio;

·         Possuir interesse pelos alimentos dos adultos;

·         Levar brinquedos ou outros objetos a boca;

·         Sinal de protusão da língua diminuído (este reflexo inicia-se aos 6 meses);

·         Estar com controle total do pescoço.

 

1.3 Como realizar?

Aos 6 meses de idade, os alimentos complementares devem ser oferecidos três vezes ao dia (papa de fruta, papa salgada e outra papa de fruta). Esses alimentos contribuem para o fornecimento de energia, proteína e micronutrientes, além de preparar a criança para a formação de hábitos alimentares saudáveis no futuro.

Aos 7 meses, deve-se acrescentar uma segunda papa salgada à rotina alimentar.

Do 8º ao 11º mês, gradativamente, as refeições devem se assemelhar às da família, ajustando a consistência e os temperos conforme necessário.

A partir de 1 ano, a criança já pode comer como os demais membros da família, sempre observando a adequação dos alimentos.

Não há restrições para a introdução de alimentos diferentes concomitantemente, sendo que a refeição deve conter pelo menos um alimento de cada um dos grupos alimentares:

·         Cereal ou tubérculo: arroz, milho, macarrão, batatas, macaxeira, inhame, cará, aveia, trigo;

·         Leguminosa: feijões, soja, ervilha, lentilha, grão-de-bico;

·         Proteína animal: carne bovina, vísceras, frango, suíno, peixe, ovos;

·         Hortaliças: verduras, couve, alface, repolho, legumes, tomate, abobora, cenoura e etc.

É necessário em média de 8 a 10 exposições ao alimento para que ele seja plenamente aceito pela criança.

 

Editar

Métodos de IA

A literatura descreve três métodos principais de introdução alimentar, e a família pode optar por aquele que melhor se adapta à sua rotina. Além disso, é possível mesclar ou combinar diferentes técnicas conforme necessário.

É fundamental lembrar que o protagonista desse processo é o bebê. Portanto, independentemente do método escolhido, o mais adequado será sempre aquele que respeita a criança e suas habilidades.

Introdução Alimentar Tradicional (IA Tradicional):

Neste método os pais/responsáveis ofertam ao bebê alimentos amassados, em consistência de purê ou raspados, utilizando uma colher. A consistência dos alimentos evolui gradualmente de pastosos para sólidos picados, conforme o bebê cresce e desenvolve habilidades de mastigação.

É indicado que se ofereça os alimentos separados para que o bebê possa reconhecer o sabor de cada um!

Editar

Nunca deve ser passado alimentos no liquidificador ou peneira! Progredir aos poucos a consistência ao perceber que o bebê está pronto.

Vantagens:

  • Os pais têm maior controle sobre a quantidade de alimento que o bebê ingere, o que pode ser reconfortante para alguns cuidadores, especialmente no início.
  • Como o adulto oferece a comida, há menos desperdício em comparação com o BLW, onde o bebê explora os alimentos com as mãos e acaba jogando mais comida fora.
  • Esse método permite que os pais ou responsáveis acompanhem de perto a aceitação dos alimentos, a adaptação a diferentes texturas e a evolução da capacidade de deglutição.

Desvantagens:

  • O bebê tem um papel completamente passivo na alimentação, sem autonomia para decidir o que e quanto comer.
  • Como o adulto oferece a comida, o bebê pode ter dificuldade em comunicar que está satisfeito, aumentando o risco de superalimentação.
  • Há menos oportunidades para o bebê explorar os aspectos sensoriais dos alimentos, como texturas, cores e cheiros em sua forma original.
  • A falta de interação ativa pode reduzir o interesse e a aceitação de novos sabores e texturas no futuro.

Editar

Introdução Alimentar Guiada pelo Bebê (BLW - Baby-Led Weaning)

Neste método a criança leva a própria comida a boca em pedaços maiores para o bebê experimentar e descobrir suas texturas e sabores. O BLW defende amplamente o uso de alimentos in natura, desencorajando a alimentação do lactante realizada na forma de papa e purês.

Vantagens:

  • Desenvolve maior autonomia e independência, permitindo que o bebê explore os alimentos no seu próprio ritmo.
  • Auxilia no desenvolvimento das habilidades motoras finas (como a pega de pinça) e das habilidades orais-motoras (mastigação e deglutição).
  • O bebê aprende a reconhecer os sinais de fome e saciedade, contribuindo para hábitos alimentares mais saudáveis a longo prazo.
  • A família e o bebê compartilham a mesa no mesmo horário, podendo consumir os mesmos alimentos saudáveis, com as devidas adaptações de corte e preparo.

Desvantagens:

  • Embora estudos mostrem que o risco de engasgo não é maior no BLW quando feito corretamente, muitos pais sentem receio. É essencial oferecer alimentos seguros e estar atento aos sinais de engasgo.
  • O BLW gera mais sujeira e desperdício, pois o bebê está explorando e aprendendo a comer.
  • No início, pode ser difícil para a família quantificar a quantidade de alimento ingerida pelo bebê.
Editar

Introdução Alimentar Participativa ou Mista

Este método combina elementos da IA tradicional e do BLW. Os pais podem oferecer alguns alimentos em forma de purê ou amassados com colher, enquanto também oferecem outros alimentos em pedaços para o bebê explorar e comer sozinho.

Vantagens:

  • Permite que os pais adaptem e flexibilizem as abordagens conforme as necessidades e preferências do bebê e da família.
  • O bebê tem a oportunidade de experimentar diferentes texturas e desenvolver autonomia, enquanto os pais mantêm controle sobre a ingestão, proporcionando maior sensação de segurança.
  • A oferta de alimentos de ambas as formas pode reduzir as preocupações dos pais em relação à ingestão e ao risco de engasgo.

Desvantagens:

  • É essencial garantir que o bebê compreenda a diferença entre os alimentos oferecidos na colher e aqueles para autoalimentação.
  • Os pais precisam estar bem informados sobre as diretrizes de segurança e as melhores práticas para ambas as abordagens.
Editar

QUERO SABER MAIS

QUERO SABER MAIS

Conheça os doze passos para uma alimentação saudável na primeira infância: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/julho/conheca-os-doze-passos-para-uma-alimentacao-saudavel-na-primeira-infancia

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/passos_alimentacao_saudavel_menores_2anos_1edicao.pdf

Artigo - INTRODUÇÃO ALIMENTAR E SUAS DIFERENTES FORMAS: UMA REVISÃO DE LITERATURA: https://psl.pas.ifsuldeminas.edu.br/index.php/eixostech/article/download/384/217

Editar

Lactentes de 1 a 2 anos

A infância é um período de rápido crescimento e desenvolvimento, tornando os aspectos fisiológicos e nutricionais extremamente importantes. Durante o primeiro ano de vida, a criança triplica seu peso de nascimento e aumenta cerca de 50% em altura. Em casos de déficit nutricional, o peso é impactado imediatamente, enquanto a altura sofre efeitos a longo prazo. Por isso, é essencial manter o peso adequado para evitar prejuízos no crescimento. O ganho de peso no primeiro ano costuma variar entre 2 e 2,5 kg.

A circunferência cefálica ainda é relativamente grande em relação ao corpo, mas o tronco e os membros começam a alongar. A barriga pode parecer proeminente devido ao desenvolvimento muscular, e há uma gradual formação de massa muscular, permitindo maior controle dos movimentos. A erupção dentária ocorre progressivamente, chegando a cerca de 12 a 16 dentes ao final do segundo ano, sendo um importante indicador de maturação.

A recusa alimentar é uma queixa frequente no segundo ano de vida. Isso ocorre devido à redução da velocidade de crescimento, diminuindo as necessidades nutricionais e o apetite. Por esse motivo, é fundamental estimular a criança a experimentar uma ampla variedade de alimentos com diferentes sabores, texturas, cores, temperaturas e consistências, incentivando sua curiosidade e interesse pela alimentação.

Editar

Fase pré-escolar

Após completarem três anos de idade, as crianças entram na fase pré-escolar (aproximadamente dos 3 aos 6 anos). Esse período é marcado por mudanças corporais significativas, embora o ritmo de crescimento seja mais lento em comparação com os primeiros anos de vida. As principais mudanças incluem:

  • O corpo da criança torna-se mais esguio, e suas proporções começam a se assemelhar às de um adulto. A cabeça, embora ainda relativamente maior em comparação com o restante do corpo, apresenta uma diminuição gradual dessa diferença. O crescimento em altura e peso continua de forma constante, porém mais lenta.
  • As habilidades motoras grossas (como correr, pular, subir escadas e chutar) e finas (como desenhar, usar tesoura e abotoar roupas) se desenvolvem consideravelmente, proporcionando maior controle sobre os movimentos.
  • O desenvolvimento dentário ocorre completamente nessa fase. Por volta dos três anos, a criança já possui a dentição de leite completa (22 dentes), tornando essencial o cuidado com a higiene bucal.
  • O sistema imunológico se fortalece, embora a criança ainda esteja suscetível a algumas doenças comuns da infância. No entanto, nessa etapa, já há anticorpos adquiridos para diversas enfermidades.
Editar

É comum que o apetite diminua e alimentação seja deixada para segundo plano pela criança, o que pode preocupar alguns pais deixando-os ansiosos e tentando forçar a criança a comer, mas é necessário explicar aos responsáveis que geralmente é normal, desde que a criança esteja saudável e crescendo em um ritmo adequado, não deve ser uma preocupação.

Editar

Orientações sobre alimentação na fase Pré-escolar (3-6 anos)

            A neofobia é a dificuldade em aceitar alimentos novos ou desconhecidos, por isso é fundamental oferecer a maior variedade possível de alimentos até os dois anos de idade. Nessa situação, é necessário insistir na apresentação do alimento entre 8 e 10 vezes, utilizando diferentes formas. Caso a criança, mesmo após esse processo, continue recusando determinado alimento, o ideal é substituí-lo.

Outra situação comum nessa fase é a preferência por alimentos calóricos e muito doces, especialmente se a criança não foi exposta ao açúcar antes dos dois anos. Após essa idade, os pais geralmente passam a permitir guloseimas (pirulitos, doces, bombons, chocolates), e a escolha da criança passa a ser influenciada pelo sabor, em vez do valor nutricional do alimento. Por isso, o equilíbrio na alimentação é essencial.

Além disso, recompensas, chantagens e subornos devem ser evitados, assim como o uso de mamadeiras após os três anos de idade.

Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Exercício Complementar

ASSISTA O DOCUMENTÁRIO: MUITO ALÉM DO PESO

Editar

Fase escolar

Na fase escolar, que compreende aproximadamente dos 7 aos 11 anos de idade, as crianças passam por um período de crescimento físico constante e significativo, além do aprimoramento de suas habilidades motoras.

O crescimento em altura e peso ocorre de forma contínua, embora o ritmo possa variar de criança para criança. Em média, os pequenos podem crescer de 5 a 7 centímetros por ano e ganhar cerca de 2 a 3 quilos. O corpo torna-se mais esguio e semelhante ao de um adulto. A cabeça já não é desproporcional ao corpo como nas fases anteriores. Há um aumento do tecido adiposo como preparação para o estirão puberal, tanto em meninas quanto em meninos; nos meninos, há também o aumento da massa magra.

As habilidades emocionais, psicomotoras e sociais continuam a ser refinadas, tornando-se mais coordenadas e precisas. Nessa fase, as crianças já apresentam independência para seus gostos alimentares, preferências e aversões, com hábitos gerais bem definidos. Próximo ao final dessa etapa (por volta dos 9 a 11 anos), algumas meninas podem começar a apresentar os primeiros sinais da puberdade, como o desenvolvimento dos seios e o surgimento de pelos pubianos.

 

5. Recomendações energéticas

O gasto energético basal (GEB) em crianças pode ser estimado por diferentes métodos, considerando fatores como idade, sexo, peso e nível de atividade física. Alguns dos principais métodos incluem:

·         Onde: EER é a sigla para Necessidade Energética Estimada. 

·         CAF é a sigla para Cálculo Atividade Física.

Ainda existe o método prático da FAO, 2004.

 

Editar

Avaliação antropométrica na infância

A avaliação antropométrica na infância se baseia por um conjunto de medidas físicas utilizadas para avaliar o crescimento, o estado nutricional e a composição corporal de crianças. É uma ferramenta essencial para monitorar a saúde infantil e identificar precocemente problemas de nutrição ou crescimento.

 

Principais medidas antropométricas e indicadores utilizados na infância:

Medidas

Indicadores

Peso

Estatura

Perímetro cefálico

Circunferência da cintura

Estatura/ Idade (E/I)

Peso/Idade (P/I)

Peso/Estatura (P/E)

Relação cintura/quadril

IMC (IMC/Idade)

Escore Z para P/E, P/I e E/I

 

- Peso: verificado em balanças pediátricas calibradas, com a criança despida ou com o mínimo de roupa possível.

- Estatura (ou Comprimento):

·         Em crianças menores de 2 anos, mede-se o comprimento com a criança deitada em um infantômetro.

·         Em crianças maiores de 2 anos, mede-se a estatura com a criança em pé, utilizando um estadiômetro.

- Perímetro Cefálico (PC): Medido com uma fita métrica inextensível ao redor da maior circunferência da cabeça do bebê ou criança. É particularmente importante nos primeiros anos de vida para avaliar o crescimento cerebral.

  • Circunferência da Cintura (CC): Verificada na menor circunferência entre a caixa torácica e a crista ilíaca, sendo um indicador de excesso de gordura abdominal.

Os seguintes indicadores são fundamentais para avaliação:

  • Peso para Idade (P/I): Avalia se o peso da criança está adequado para sua idade, sendo um indicador para a verificação de baixo peso.
  • Estatura para Idade (E/I): Reflete todo o crescimento linear em relação à idade e o histórico nutricional de longo prazo da criança. Baixa estatura pode indicar desnutrição crônica ou outros problemas de saúde.
  • Peso para Estatura (P/E): Avalia o peso em relação à altura, sendo útil para identificar magreza ou excesso de peso, independentemente da idade, em um determinado momento.
  • Índice de Massa Corporal para Idade (IMC/I): Relaciona peso e estatura, ajustado para a idade e sexo. É o principal índice para classificar sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes.
  • Escores-Z (ou Desvios-Padrão): Expressam a distância da medida da criança em relação à média da população de referência, em unidades de desvio padrão, sendo mais precisos para identificar desvios extremos.
Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Os cadernos de saúde da criança contêm todos os dados necessários para monitorar e acompanhar seu crescimento e desenvolvimento ao longo do tempo. Por isso, é fundamental atualizar as informações coletadas a cada visita médica, facilitando a identificação precoce de possíveis desvios.

Segue modelo:

Editar

Você pode explorar e baixar as cadernetas da criança 6ª edição (2023) na Biblioteca Virtual em Saúde:

Caderneta menino: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_crianca_menino_6ed.pdf

Caderneta menina:

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_crianca_menina_6ed.pdf

Editar

Um dos métodos de classificação do estado nutricional infantil mais utilizados pelo Ministério da Saúde (MS) e pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) é o baseado em percentis, que indicam a posição da criança em relação a um grupo de referência. Por exemplo, uma criança no percentil 25 para peso significa que 25% das crianças da mesma idade e sexo têm peso inferior ao dela, enquanto 75% têm peso superior.

Editar

RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS NA INFÂNCIA

A infância é um período de intensas modificações orgânicas, sendo algumas necessidades atendidas por meio da suplementação, que deve ser individualizada e recomendada por um médico pediatra ou nutricionista após rigorosa avaliação das necessidades específicas. No entanto, algumas suplementações são frequentemente consideradas em certas fases ou condições:

Vitamina D: A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a suplementação universal de vitamina D para todas as crianças e adolescentes até os 18 anos, com doses que variam conforme a idade: 400 UI por dia para bebês menores de 1 ano e 600 UI ou mais por dia para crianças maiores de 1 ano e adolescentes.
A vitamina D é essencial para a saúde óssea, a regulação do cálcio e fósforo, além de desempenhar um papel fundamental no sistema imunológico.

Ferro: A suplementação profilática de ferro é recomendada para crianças entre 6 e 24 meses de idade, devido ao alto risco de deficiência nessa faixa etária. A dose usualmente indicada é de 1 mg de ferro elementar por kg de peso ao dia.
A anemia por deficiência de ferro é a carência nutricional mais prevalente no mundo e pode afetar o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças. O Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF), do Ministério da Saúde, também preconiza a suplementação para crianças pertencentes a outros grupos de risco.

Vitamina A: A suplementação de vitamina A é realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em crianças de 6 a 59 meses de vida, devido à alta prevalência de deficiência dessa vitamina em algumas regiões. A deficiência de vitamina A pode comprometer a visão, o sistema imunológico e o crescimento infantil.

Outras Suplementações: Em casos específicos, como restrições alimentares (dietas veganas estritas), doenças crônicas ou dificuldades na absorção de nutrientes, outras suplementações (como vitamina B12, zinco e cálcio) podem ser necessárias, sempre sob orientação profissional.

Editar

Adolescência

A adolescência é o segundo período de vida extrauterina em que o crescimento atinge sua velocidade máxima, logo após a infância. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa fase compreende a idade entre 10 e 19 anos. Profundas transformações somáticas, psicológicas e sociais ocorrem nesse período, encerrando um processo maturativo biopsicossocial do indivíduo.

O crescimento físico está relacionado ao aumento da massa corporal e à maturação dos órgãos. As necessidades nutricionais variam conforme o sexo, idade, estatura, peso e nível de atividade física. Os requerimentos nutricionais são mais elevados entre os 11 e 14 anos, reduzindo-se gradualmente ao aproximar-se dos 18 anos.

Essa fase apresenta alta vulnerabilidade nutricional, pois os adolescentes estão frequentemente expostos a riscos como desnutrição, excesso de peso, obesidade e transtornos alimentares. Por isso, pode ser necessária uma intervenção nutricional ativa e participativa da família, da escola e do nutricionista. Essa vulnerabilidade ocorre devido a fatores como:

  • Estirão de crescimento, que aumenta o apetite;
  • Maior demanda por nutrientes, necessária para sustentar o desenvolvimento acelerado;
  • Mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares, incluindo maior autonomia nas escolhas alimentares;
  • Necessidades nutricionais específicas, relacionadas à participação em esportes, distúrbios alimentares, dietas excessivas ou até mesmo ao uso de drogas e álcool.

 

Editar

Alterações Biológicas da Adolescência

A puberdade é um conjunto de transformações físicas e hormonais que marcam a transição da infância para a idade adulta, culminando na capacidade de reprodução. Esse período geralmente ocorre entre os 8 e 13 anos nas meninas e entre os 9 e 14 anos nos meninos, podendo variar de indivíduo para indivíduo.

  • Estirão puberal: O rápido aumento da altura é uma das características mais marcantes da puberdade. Nas meninas, o estirão geralmente ocorre entre os 11 e 13 anos, enquanto nos meninos ocorre entre os 12 e 15 anos.
  • Desenvolvimento muscular e esquelético: Além do crescimento em altura, há um aumento da massa muscular (mais pronunciado nos meninos) e do tamanho dos ossos.
  • Desenvolvimento das características sexuais: Essas mudanças são impulsionadas pelo aumento na produção de hormônios sexuais—estrogênio nas meninas e testosterona nos meninos.

As alterações específicas nas meninas incluem:

  • Desenvolvimento das mamas (telarca);
  • Crescimento de pelos pubianos (pubarca) e axilares;
  • Alargamento dos quadris;
  • Início da menstruação (menarca);
  • Alteração na distribuição da gordura corporal.

Já nos meninos, as alterações específicas envolvem:

  • Aumento do tamanho dos testículos e do escroto;
  • Crescimento do pênis;
  • Crescimento de pelos pubianos (pubarca), axilares e faciais;
  • Engrossamento da voz;
  • Aumento da massa muscular;
  • Primeira ejaculação (espermarca).

Outras alterações físicas comuns a ambos os sexos incluem:

  • Aumento da oleosidade da pele e do cabelo, podendo levar ao surgimento de acne;
  • Aumento da sudorese e do odor corporal.

Avaliação Nutricional na Adolescência

BA avaliação nutricional na adolescência é um processo fundamental para monitorar o crescimento, identificar riscos nutricionais, diagnosticar deficiências ou excessos de nutrientes e fornecer orientações para hábitos alimentares saudáveis durante essa fase de intensas transformações biológicas, psicológicas e sociais.

Diante disso, é essencial avaliar o estado nutricional, identificando adolescentes com baixo peso, sobrepeso, obesidade ou risco de desenvolver essas condições. Um dos métodos mais eficazes para essa avaliação é o Índice de Massa Corporal (IMC) para idade, que considera o crescimento e desenvolvimento característicos dessa fase:

É necessário realizar a pesagem utilizando uma balança calibrada, com o adolescente vestindo o mínimo de roupa possível. Após isso, deve-se aferir a estatura com um estadiômetro, garantindo que o adolescente esteja descalço e na postura correta. O próximo passo é o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), obtido pela divisão do peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros): IMC = peso (kg) / altura (m)². O resultado é então classificado utilizando as curvas de crescimento do IMC para idade e sexo, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (quadro acima).

Além do IMC, é importante compreender os padrões de consumo alimentar, incluindo a frequência e quantidade dos diferentes grupos de alimentos, horários das refeições, consumo de alimentos ultraprocessados, bem como identificar fatores de risco que podem ser socioeconômicos, culturais, psicológicos e comportamentais, influenciando o estado nutricional e os hábitos alimentares. Após essa análise, devem ser fornecidas orientações nutricionais personalizadas para promover hábitos saudáveis e corrigir possíveis problemas nutricionais identificados.

 

8.3  Recomendações Nutricionais de Vitamina e Minerais na Adolescência

As recomendações de vitaminas e minerais durante a adolescência são de extrema importância para auxiliar o rápido crescimento, desenvolvimento e a maturação sexual. As necessidades aumentam geralmente em comparação com a infância e, para algumas vitaminas e minerais, diferem entre meninos e meninas.

Cálcio: Essencial para a construção e manutenção de ossos e dentes fortes, crucial durante o estirão de crescimento da adolescência para prevenir a osteoporose mais tarde na vida.

- Recomendação: 1300 mg/dia para homens e mulheres de 9 a 18 anos.

- Fontes Alimentares: brócolis, amêndoas, sardinhas e Laticínios (leite, iogurte, queijo).

Vitamina D: Auxilia a absorção e fixação do cálcio nos ossos e auxilia na função imunológica.

- Recomendação: 600 UI (15 mcg) por dia para adolescentes.

- Fontes Alimentares: Exposição solar, gema de ovo, peixes como salmão e atum. A suplementação via oral é frequentemente recomendada.

Ferro: Necessário para a produção de glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio por todo o corpo. As necessidades aumentam significativamente para meninas adolescentes com o início da menstruação. Também é importante para meninos devido ao aumento da massa corporal magra.

- Recomendação:

Homens (14-18 anos): 8-11 mg/dia

Mulheres (14-18 anos): 15 mg/dia

- Fontes Alimentares: Carne vermelha, aves, peixe, feijão, lentilhas, tofu e vegetais de folhas verdes. A vitamina C auxilia na absorção de ferro não Heme (vegetais)

Vitamina A: Essencial para a visão, crescimento e função imunológica, e para a saúde da pele.

-Recomendação:

Homens (14-18 anos): 900 mcg de RAE/dia

Mulheres (14-18 anos): 700 mcg de RAE/dia

- Fontes Alimentares: Frutas e vegetais de cor laranja e amarelo (cenoura, abobora, mamão, laranja), fígado, gema de ovo e laticínios.

Folato (Vitamina B9): Crucial para a divisão celular e síntese de DNA, importante durante períodos de rápido crescimento.

- Recomendação: 400 mcg de DFE/dia para adolescentes.

- Fontes Alimentares: Vegetais folhosos verdes escuros, leguminosas e frutas cítricas.

Vitamina B12: Importante para a função nervosa e formação de glóbulos vermelhos.

- Recomendação: 2,4 mcg/dia para adolescentes.

- Fontes Alimentares: Encontrada principalmente em produtos de origem animal (carne, aves, peixes, ovos, laticínios). Veganos podem precisar de alimentos fortificados ou suplementos.

Zinco: Envolvido na função imunológica, cicatrização de feridas, crescimento e desenvolvimento.

- Recomendação:

Homens (14-18 anos): 11 mg/dia

Mulheres (14-18 anos): 9 mg/dia

- Fontes Alimentares: Carne, frutos do mar, feijão, nozes, sementes e grãos integrais.

 

Editar

Transtornos Alimentares e Físicos na Adolescência

Alguns problemas de extrema importância que acometem principalmente adolescentes são os transtornos alimentares. Esses transtornos de saúde mental são caracterizados por perturbações persistentes nos comportamentos alimentares e por pensamentos angustiantes relacionados à comida, ao peso corporal e à forma física.

Os adolescentes são mais vulneráveis ao desenvolvimento desses transtornos devido às intensas mudanças hormonais, físicas, sociais e emocionais que ocorrem nessa fase.

 

Os principais transtornos alimentares conhecidos são a compulsão alimentar, bulimia e a anorexia nervosa.

Editar

Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA): Caracteriza-se por episódios recorrentes de compulsão alimentar, semelhantes aos da bulimia, porém sem a presença regular de comportamentos compensatórios inadequados. Jovens com TCA experimentam uma sensação de perda de controle durante os episódios de compulsão e, geralmente, sentem culpa, angústia ou vergonha após comer em excesso.

 

Os sintomas incluem:

• Episódios recorrentes de compulsão alimentar (comer descontroladamente até se sentir extremamente cheio, com sensação de falta de controle no consumo de alimentos).

• Comer sozinho ou escondido, por vergonha da quantidade ingerida.

• Sensação de desgosto, culpa ou depressão após a compulsão.

• Adoção de dietas extremas ou períodos prolongados de jejum como estratégia compensatória.
• Ganho de peso e acúmulo de gordura abdominal, levando ao sobrepeso e à obesidade.
• Problemas gastrointestinais, como gastrite, constipação e diarreia.

1.      Bulimia Nervosa: Caracteriza-se por episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios inadequados para evitar o ganho de peso. A compulsão alimentar envolve a ingestão de uma grande quantidade de comida em um curto período de tempo, acompanhada por uma sensação de perda de controle. Os comportamentos compensatórios podem incluir vômitos autoinduzidos, uso indevido de laxantes e diuréticos, jejum excessivo e prática de exercícios extenuantes.

Os sintomas incluem:

 

• Episódios recorrentes de compulsão alimentar (comer descontroladamente até se sentir muito cheio, com sensação de falta de controle no consumo de alimentos), diferenciando-se do TCA pelos comportamentos compensatórios para prevenir o ganho de peso.

• Indução ao vômito, uso de laxantes e/ou diuréticos.

•Idas frequentes ao banheiro após as refeições.

•Preocupação persistente e excessiva com o peso e a forma corporal.
•Exercício físico excessivo, mesmo quando doente ou lesionado.

• Ausência de oscilações de peso corporal, permanecendo geralmente dentro da faixa normal ou acima dela (o que pode dificultar a identificação da condição).

 

Problemas físicos associados:

• Inflamação crônica da garganta e do esôfago (devido aos vômitos frequentes).

• Cáries dentárias e erosão do esmalte (causadas pelo ácido do vômito).

• Inchaço das glândulas salivares (aspecto de bochechas inchadas).

• Calosidades ou cicatrizes nos dedos (sinal de vômito autoinduzido).

• Irregularidades menstruais ou ausência de menstruação.

• Problemas gastrointestinais (azia, dor abdominal, constipação).

 

  1. Anorexia Nervosa: Caracteriza-se por uma severa restrição alimentar, acompanhada por um medo intenso de ganhar peso e por uma percepção distorcida da própria imagem corporal. Adolescentes com anorexia frequentemente se veem com excesso de peso, mesmo quando estão extremamente magros.

Os sintomas incluem:

• Redução drástica do consumo alimentar e severa limitação calórica.

• Preocupação excessiva com peso, forma corporal e alimentos.

• Prática excessiva de exercícios físicos, muitas vezes sem orientação adequada.

• Isolamento social, especialmente em situações familiares que envolvam comida.

•Negação da gravidade do baixo peso corporal.

• Mentir sobre a quantidade e frequência das refeições.

 

Sintomas físicos associados:

• Perda de peso significativa ou incapacidade de ganhar peso.

• IMC muito abaixo do esperado para idade e sexo.

• Amenorreia (ausência de menstruação em meninas pós-púberes).

• Pele seca e amarelada.

Os transtornos alimentares são condições complexas, influenciadas por fatores psicológicos, biológicos e sociais. Baixa autoestima, ansiedade, perfeccionismo, depressão, influência da mídia e redes sociais, bullying relacionado ao peso e insatisfação com a própria aparência são fatores que contribuem para o desenvolvimento dessas condições.

A identificação e intervenção precoces são cruciais para melhorar o prognóstico e aumentar as chances de recuperação completa.

 

ATIVIDADE:

1)      Criança do sexo feminino 7 anos com peso de 23 kg e altura de 1,20. Qual IMC e diagnóstico antropométrico relacionado ao peso/idade, estatura/ idade e IMC/idade.

2)       Adolescente de 12 anos do sexo feminino com peso de 60 kg e 1,45 de altura. Qual IMC e diagnóstico antropométrico relacionado ao IMC/idade e estatura/idade

ATIVIDADE 02:

1.      Prepare um material didático ou E-book com até 3 páginas sobre Alergia a Proteína do Leite de Vaca (APLV).

Editar

QUERO SABER MAIS

QUERO SABER MAIS

·         A influência das mídias eletrônicas na construção dos hábitos alimentares na infância: um panorama do comportamento alimentar infantil na era digital e no contexto familiar: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/31285/26893

 

·         O impacto do desenvolvimento de transtornos alimentares em adolescentes: uma revisão. https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/21648/19379

Editar

Unidade 3

Editar

Introdução

A nutrição na fase adulta tem como premissa a manutenção da saúde, a prevenção de doenças (especialmente as crônicas não transmissíveis) e a garantia da qualidade de vida. As necessidades nutricionais variam de acordo com diversos fatores, como sexo, idade, estilo de vida, nível de atividade física e estado nutricional, sendo todos esses elementos fundamentais na prevenção de doenças. A população adulta compreende indivíduos entre 20 e 60 anos de idade.

A alimentação exerce um papel fundamental e abrangente em diversas áreas da vida adulta, influenciando aspectos como a capacidade de estudar e trabalhar, a disposição para realizar atividades diárias e a sensação de bem-estar. Além disso, a alimentação faz parte de momentos de lazer e socialização, como sair para jantar, comemorar aniversários ou fazer piqueniques. Também está diretamente relacionada à nossa aparência física, bem-estar e longevidade.

Editar

Alimentação no Adulto

A principal demanda da nutrição no adulto refere-se:

·         Redução de gordura corporal;

·         Manutenção ou redução do peso;

·         Repor reservas de ferro;

·         Tratar constipação.

Mas outras doenças necessitam de suporte nutricional como:

ü  Gastrite e refluxo;

ü  Redução de taxas (hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia);

ü  Doenças intestinais, hepáticas, renais;

ü  Obesidade.

E o principal objetivo da nutrição é auxiliar o individuo nesse processo, seja de tratamento ou de cura. No entanto o indivíduo precisa desejar, estar disposto para essa mudança. E essa mudança de comportamento é o maior desafio dos profissionais de saúde! Pois muitas vezes o conhecimento não é suficiente para que haja mudanças efetivas.

E com relação aos estágios de mudança vamos recorrer a nutrição comportamental que estão descritos a seguir:

Editar
Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Um estudo realizado pela FIESP em 12 regiões brasileiras em 2018 revelou que oito em cada dez brasileiros afirmam se esforçar para ter uma alimentação saudável. Além disso, 71% dos entrevistados declararam estar satisfeitos com sua própria alimentação. No entanto, segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), a obesidade no Brasil aumentou 72% nos últimos treze anos, passando de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2019.

O papel da nutrição expandiu-se significativamente e, atualmente, é visto como uma ferramenta não apenas para a prevenção de doenças, mas também para a promoção da saúde e da qualidade de vida. Na idade adulta, a nutrição enfatiza a importância de uma dieta equilibrada para a manutenção do bem-estar e a prevenção de enfermidades.

Entretanto, diversos fatores influenciam a alimentação. O quadro abaixo sintetiza diferentes aspectos do cotidiano adulto que impactam a escolha alimentar.

Editar

Editar

Temos diversas causas para os desvios alimentares:

ü  Ordem econômicas

ü  Dificuldade de providenciar alimentação;

ü  Falta de atividade física;

ü  Excesso de trabalho (horas extras, distância do trabalho para casa);

ü  Maus hábitos alimentares.

O Brasil possui um guia alimentar para a nossa população, que é um documento de referência no campo da Alimentação e Nutrição, onde reforça o papel do Estado e a necessidade de realização de políticas publicas para garantia da implementação de suas recomendações, servindo como instrumento de diálogo com os diferentes setores do governo e da sociedade para gerar melhorias em todas as etapas do sistema alimentar.

 

4.1.1 Modos de comer

Os modos de comer atuais são caracterizados por uma complexa interação de tendências, influências culturais, socioeconômicas e tecnológicas. A vida moderna, com horários apertados, impulsiona o consumo de alimentos prontos ou semiprontos, que exigem pouco ou nenhum preparo. Ao mesmo tempo, a indústria alimentícia investe fortemente em marketing para promover esses produtos, que, além de serem mais acessíveis financeiramente, estão associados ao aumento da obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e outros problemas de saúde, devido ao alto teor de sódio, açúcares, gorduras não saudáveis e aditivos químicos.

O ato de comer em frente às telas—sejam elas televisão, computador, tablet ou celular—pode afetar uma série de comportamentos, trazendo consequências negativas para a saúde física e mental. Os principais impactos incluem: perda dos sinais internos de fome e saciedade, menor apreciação do que se come, mastigação insuficiente e aumento do risco de compulsão alimentar.

Já a comensalidade refere-se ao ato de comer junto, compartilhando a mesa e a refeição com outras pessoas. Esse hábito vai muito além da simples ingestão de alimentos para nutrição, pois envolve aspectos sociais, culturais, emocionais e até mesmo rituais que acompanham o ato de comer em companhia. A comensalidade funciona como um aglutinador social e um veículo de cultura.

Comer acompanhado pode influenciar a velocidade da ingestão, a quantidade de comida consumida e até mesmo as escolhas alimentares. A atenção à mesa e à companhia pode levar a uma alimentação mais consciente. Além disso, as refeições compartilhadas podem reforçar a identidade de um grupo—seja ele familiar, de amigos ou cultural. Os alimentos e as formas de comer juntos tornam-se marcadores de identidade.

 

4.2 Guia Alimentar da População Brasileira

Os guias alimentares devem derivar-se e ser guiados por princípios explícitos. Os princípios que orientaram a elaboração deste guia são:

  • A alimentação é mais do que a ingestão de nutrientes.
  • As recomendações sobre alimentação devem estar em sintonia com seu tempo.
  • A alimentação adequada e saudável deve derivar de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável.
  • Diferentes saberes contribuem para a formulação de guias alimentares.
  • Guias alimentares ampliam a autonomia nas escolhas alimentares.

Recomendações gerais

  1. Faça dos alimentos in natura ou minimamente processados a base da sua alimentação.
    Alimentos de origem vegetal ou animal são fundamentais para uma alimentação nutricionalmente equilibrada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável.
  2. Utilize óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades para temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias.

Quando usados com moderação em preparações culinárias, os óleos, as gorduras, o sal e o açúcar contribuem para diversificar e tornar a alimentação mais saborosa, sem comprometer seu valor nutricional.

  1. Limite o consumo de alimentos processados, utilizando-os em pequenas quantidades como ingredientes de preparações culinárias ou como parte de refeições baseadas em alimentos in natura.

Embora esses produtos possam agregar sabor e prolongar a vida útil dos alimentos, eles tendem a ser nutricionalmente desequilibrados, favorecendo o consumo excessivo de calorias.

 

Editar

PREFIRA SEMPRE ALIMENTOS E PREPARAÇÕES CULINÁRIAS A PRODUTOS PRONTOS PARA CONSUMO E EVITE PRODUTOS ULTRAPROCESSADOS

Editar

Para além das recomendações gerais o Guia traz 10 passos para uma alimentação saudável:

1.      Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação. Priorize frutas, verduras, legumes, grãos integrais, tubérculos, raízes, carnes, ovos, leite e iogurte natural.

2.      Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. Use esses ingredientes com moderação.  

3.        Limite o consumo de alimentos processados. Evite biscoitos, pães industrializados, queijos processados, conservas, entre outros.

4.      Evite o consumo de alimentos ultraprocessados. Não consuma refrigerantes, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, sorvetes, embutidos, entre outros.

5.      Coma com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia. Faça refeições em horários definidos, sem distrações e, se possível, na presença de outras pessoas.

6.      Faça compras em locais que ofereçam uma variedade de alimentos in natura ou minimamente processados. Prefira feiras, mercados e produtores locais.

7.      Desenvolva, exercite e compartilhe habilidades culinárias. Cozinhar é uma forma de ter controle sobre o que você come e de socializar.

8.      Planeje seu tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece. Reserve um momento para cozinhar e para comer com calma.

9.      Dê preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora. Opte por restaurantes que oferecem comida caseira e evite fast food.

10.  Seja crítico quanto às informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais. Nem tudo que é anunciado como saudável realmente é.

Editar

Recomendações Nutricionais para o Adulto

Inicialmente, para que se possa avaliar as recomendações nutricionais de um adulto, é necessário compreender como essa energia é gasta. Estudos apontam que entre 60% e 75% do nosso Gasto Energético Basal (GEB) são consumidos durante processos vitais, como bombeamento do coração, respiração, fala e pensamento. Além disso, entre 15% e 30% da energia são utilizadas durante a atividade física, enquanto 5% a 10% são consumidos na digestão, absorção e metabolismo dos alimentos ingeridos, assim como no armazenamento dessas reservas na forma de glicogênio e gordura (MELO, TIRAPEGUI, RIBEIRO, 2008; CARVALHO et al., 2012).

Aspectos a serem observados em uma orientação nutricional:

·         Hábito Alimentar;

·         Disponibilidade de alimentos;

·         Poder aquisitivo;

·         Quantidade de refeições realizadas;

·         Necessidades nutricionais relativas ao estado de saúde;

·         Estilo de vida e rotina diária

·         Ingestão de líquidos;

·         Controle de sal, alimentos ultraprocessados e gordura...

Avaliação Física no Adulto

A avaliação física no adulto envolve quatro grandes parâmetros: anamnese, antropometria, inquéritos alimentares e exames laboratoriais. Trata-se de um processo abrangente que visa fornecer um diagnóstico nutricional global do indivíduo.

Os critérios de avaliação podem variar conforme os objetivos—seja para a saúde geral, prática de atividade física ou diagnóstico específico—e os recursos disponíveis. No entanto, alguns critérios são fundamentais e frequentemente utilizados

Editar

Anamnese

·         Histórico: Qual é o histórico familiar, se possui doenças preexistentes, quais medicações estão em uso, se possui alergias, se já fez cirurgias.

·         Estilos de Vida: Nível de atividade física, hábitos alimentares, consumo de álcool e/ou cigarro, qualidade do sono, nível de estresse.

·         Queixas e Sintomas: Presença de dor, fadiga, falta de ar, palpitações, tonturas etc.

·         Inquérito Alimentar: Irá fornecer informações detalhadas sobre os alimentos e bebidas consumidos por uma pessoa em um período específico (últimas 24 horas ou últimos 7 dias). Sendo assim, serve como base para elucidar padrões alimentares e indicando os fatores de risco pré e patogênico.

2. Avaliação Antropométrica:

- Peso: Medido com balança calibrada.

- Altura: Medida com estadiômetro.

- Índice de Massa Corporal (IMC): Calculado pela fórmula IMC = Peso (kg)/ altura (m)2 ​. É um indicador geral de peso, classificado em categorias (baixo peso, eutrofia, sobrepeso, obesidade graus I, II e III).

·         Cálculo de Peso Ideal pelo IMC: PI = A2 x IMC (ideal)

Feminino: 20,8

Masculino: 22

·         Circunferências:

- Cintura: Medida na menor circunferência entre a última costela e a crista ilíaca. É um importante indicador de gordura abdominal e risco cardiovascular.

- Quadril: Medida na maior circunferência sobre os glúteos.

- Relação Cintura-Quadril (RCQ): Calculada pela fórmula RCQ = circunferência do quadril (cm)/ circunferência da cintura (cm)​. Também indica risco cardiovascular.

Outras circunferências podem ser medidas dependendo do objetivo (braço, coxa etc.).

 

- Dobras Cutâneas (Adipometria): Medida da espessura da gordura subcutânea em pontos específicos do corpo (tricipital, bicipital, subescapular, suprailíaca, abdominal, coxa, panturrilha). Utilizada para estimar a porcentagem de gordura corporal.

 

3. Avaliação da Composição Corporal:

 

- Bioimpedância Elétrica (BIA): Método que mede a resistência do corpo à passagem de uma corrente elétrica. A água corporal conduz a eletricidade mais facilmente que a gordura, permitindo estimar a massa magra, massa gorda e água corporal.

- Densitometria Óssea (DXA): Embora primariamente utilizada para avaliar a densidade mineral óssea, também fornece informações precisas sobre a composição corporal (massa magra, massa gorda e massa óssea). (CONSIDERADO MÉTODO OURO PARA AVALIAÇÃO DE COMPOSIÇÃO CORPORAL).

Editar

Marcadores bioquímicos

Hemograma Completo: Avalia as células sanguíneas (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas), auxiliando na detecção de anemias, infecções, inflamações e problemas de coagulação.

- Glicemia em Jejum: Mede o nível de açúcar no sangue após um período de jejum, sendo importante para o rastreamento e monitoramento do diabetes.

- Colesterol Total e Frações (LDL, HDL, VLDL) e triglicerídeos (Lipidograma): Avalia os níveis de gorduras no sangue, importantes para a avaliação do risco cardiovascular.

- Função Hepática (TGO/AST, TGP/ALT, Bilirrubinas): Avalia a saúde do fígado, detectando possíveis danos ou inflamações.

- Função Renal (Creatinina, Ureia, Taxa de Filtração Glomerular - TFG): Avalia a capacidade dos rins de filtrar resíduos do sangue.

- TSH e T4 Livre: Avaliam a função da tireoide, importante para o metabolismo geral do corpo.

- Ácido Úrico: Níveis elevados podem indicar risco de gota e problemas renais.

- Hemoglobina Glicada (HbA1c): Avalia o controle glicêmico em um período de 2 a 3 meses, útil no acompanhamento de diabetes.

- Vitamina D: Importante para a saúde óssea e outras funções do organismo.

- Vitamina B12 e Ácido Fólico: Importantes para a função neurológica e formação de células sanguíneas.

- Ferro e Ferritina: Avaliam os níveis de ferro no organismo, importantes no diagnóstico de anemias.

Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

Obesidade

A obesidade é uma doença multifatorial caracterizada pelo excesso de peso e pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo, comprometendo a saúde do indivíduo. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos maiores problemas de saúde pública global, seu diagnóstico é feito principalmente por meio do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e da avaliação do percentual de gordura corporal.

A obesidade resulta de um desequilíbrio energético, em que a ingestão calórica é significativamente maior do que o gasto energético ao longo do tempo. No entanto, diversos fatores podem contribuir para esse desequilíbrio:

 

ü  Fatores Genéticos: A predisposição genética pode influenciar o metabolismo, o apetite e a forma como o corpo armazena gordura.

ü  Fatores Ambientais: Disponibilidade a alimentos ultraprocessados, ricos em calorias, gorduras, açúcares e sal, contribui para o aumento da ingestão calórica; estilo de vida Sedentário; ambiente social e cultural.

ü  Fatores Comportamentais: Hábitos alimentares inadequados; comer emocional utilizando a comida como forma de lidar com emoções.

ü  Fatores Metabólicos e Hormonais: Algumas condições médicas e alterações hormonais podem contribuir para o ganho de peso.

ü  Fatores Psicológicos: Estresse, ansiedade e depressão podem estar relacionados a padrões alimentares não saudáveis.

ü  Uso de Medicamentos: Alguns medicamentos podem ter como efeito colateral o ganho de peso.

ü  Privação de Sono: A falta de sono adequado pode afetar os hormônios que regulam o apetite.

Os dados da Organização Mundial da Saúde são alarmantes: a obesidade é um dos mais graves problemas de saúde que enfrentamos. A estimativa para 2025 aponta que 2,3 bilhões de adultos ao redor do mundo estarão acima do peso, sendo 700 milhões classificados como obesos, ou seja, com um Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30 kg/m².

4.5.1 Complicações da obesidade

Tratamento da Obesidade

O tratamento da obesidade é multidisciplinar e visa a perda de peso gradual e sustentável, além da melhora da saúde geral e da qualidade de vida. As principais abordagens incluem:

  • Dietético: Orientação e conduta nutricional para uma dieta equilibrada, com foco em alimentos in natura ou minimamente processados, controle de porções e redução da ingestão de ultraprocessados ricos em açúcares, gorduras não saudáveis e sódio.
  • Físico: A prática regular de exercícios aeróbicos e de força contribui para o aumento do gasto energético, melhora da composição corporal e da saúde cardiovascular.
  • Farmacológico: Alguns medicamentos podem ser prescritos por médicos para auxiliar na perda de peso, geralmente em conjunto com mudanças no estilo de vida. Eles atuam reduzindo o apetite ou diminuindo a absorção de gordura.
  • Terapia Cognitivo-Comportamental: Estratégias para identificar e modificar comportamentos alimentares não saudáveis, desenvolver habilidades de enfrentamento e promover a adesão ao tratamento. Em alguns casos, o acompanhamento psicológico é essencial para lidar com questões emocionais relacionadas à alimentação e ao peso.
  • Cirúrgico: Indicado para pessoas com obesidade grave (IMC ≥ 40 kg/m²) ou obesidade associada a comorbidades graves (IMC ≥ 35 kg/m²) que não obtiveram sucesso com outras formas de tratamento. Diferentes técnicas cirúrgicas promovem a perda de peso ao restringir a capacidade do estômago e/ou reduzir a absorção de nutrientes.
Editar

Terapia Nutricional para Obesidade

O tratamento nutricional consiste em dietas balanceadas, com 20% a 30% de gorduras, 55% a 60% de carboidratos e 15% a 20% de proteínas. O fator mais importante é o déficit calórico de 500 a 1000 kcal/dia, permitindo ao paciente uma escolha variada de alimentos com adequação nutricional. Esse modelo pode se basear no Guia Alimentar, aumentando a aderência ao tratamento, pois permite que o paciente continue consumindo alimentos de seu cotidiano, facilitando uma perda de peso sustentada.

Não há evidências científicas que recomendem dietas como cetogênicas, jejum intermitente, dietas sem glúten e sem lactose para o tratamento da obesidade. Além disso, dietas com menos de 800 kcal/dia devem ser utilizadas apenas em circunstâncias muito limitadas.

1. Descreva os principais componentes de uma avaliação completa para um adulto e explique a importância de cada um deles na identificação de potenciais riscos à saúde e na prescrição dietetica.

2. Um indivíduo adulto sedentário com 55 anos, com peso de 70 kg e 1,55 altura. Calcule o IMC e classifique seu estado nutricional. Após o resultado, construa uma orientação nutricional para o paciente visando a melhoria da saúde.

3 Qual o valor de IMC considerado o individuo como obeso morbido? E quais são as indicações de terapia nutricional para esse individuo.

Editar

QUERO SABER MAIS

QUERO SABER MAIS

·         TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR EM ADULTOS E SUA RELAÇÃO COM OS HÁBITOS NUTRICIONAIS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA: https://unipar.openjournalsolutions.com.br/index.php/saude/article/view/10804/5133

 

·         CARACTERISTICAS ANTROPOMÉTRICAS, NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA E COMORBIDADES DE PACIENTES COM OBESIDADE MÓRBIDA CANDIDATOS A CIRURGIA BARIÁTRICA: https://www.revistacoorte.com.br/index.php/coorte/article/view/182/132

Editar

NUTRIÇÃO NO IDOSO

Os idosos apresentam maior suscetibilidade a alterações no estado nutricional, tornando esse aspecto crucial para a manutenção da saúde, qualidade de vida e prevenção de diversas doenças. Em países em desenvolvimento, a senescência inicia-se aos 60 anos, enquanto em países desenvolvidos, aos 65 anos. Com o envelhecimento, ocorrem mudanças metabólicas, fisiológicas e, principalmente, sociais, que podem impactar o estado nutricional dos indivíduos, como:

  • Surgimento de doenças crônicas;
  • Perda da composição óssea (osteoporose, osteopenia, sarcopenia);
  • Alterações digestivas (perda de dentes, xerostomia, trato gastrointestinal lento e disfuncional);
  • Alterações imunológicas;
  • Alterações neurológicas.

Importância da Nutrição Adequada no Idoso

A qualidade de vida e a melhora da composição corporal do idoso são favorecidas por uma adequada ingestão de proteínas, principalmente aquelas de alto valor biológico. Além disso, micronutrientes como cálcio e vitamina D são essenciais para a saúde óssea, prevenindo riscos de fraturas, comuns nessa fase, e a osteoporose.

Uma alimentação equilibrada, rica em verduras, frutas, legumes e carnes magras, pode auxiliar na prevenção e/ou controle de doenças frequentes na senescência, como diabetes, hipertensão e enfermidades cardiovasculares.

Editar

Envelhecimento x Trato Gastrointestinal

O envelhecimento traz consigo diversas alterações fisiológicas que podem afetar o trato gastrointestinal (TGI), tornando os idosos mais suscetíveis a certas desordens que afetam o estado nutricional. Essas mudanças podem ocorrer:

- Boca: Redução da produção de saliva (xerostomia), diminuição do paladar, aumento da prevalência de cáries dentárias, perda de dentes e dificuldade de mastigação.

- Esôfago: Diminuição da força das contrações esofágicas e relaxamento incompleto do esfíncter esofágico inferior, o que pode levar a disfagia (dificuldade de engolir).

- Estômago: Redução acentuada da produção de ácido clorídrico, diminuição da produção de enzimas digestivas e da motilidade gástrica (retardando o esvaziamento).

- Intestino Delgado: Atrofia das vilosidades intestinais reduzindo a área de absorção.

- Intestino Grosso: Diminuição da motilidade, aumento do tempo de trânsito do bolo fecal e alterações na microbiota intestinal, geralmente causando constipação.

Editar
·         Refluxo Gastroesofágico (DRGE): O enfraquecimento do esfíncter esofágico inferior facilita o retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, causando azia e outros sintomas.

·         Diverticulose e Diverticulite: A formação de pequenas bolsas (divertículos) na parede do cólon torna-se comum com o envelhecimento (diverticulose). A inflamação dessas bolsas leva à diverticulite, causando dor abdominal, febre e outros sintomas.

·         Síndrome do Intestino Irritável (SII): Embora possa ocorrer em qualquer idade, os sintomas da SII, como dor abdominal, inchaço, gases, diarreia e constipação, podem persistir ou se agravar em idosos.

·         Úlceras Pépticas: O uso frequente de medicações, principalmente anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), é mais comum entre idosos e pode aumentar o risco de úlceras no estômago e no duodeno.

·         Pólipos Intestinais e Câncer Colorretal: A incidência de pólipos e de câncer colorretal aumenta significativamente com a idade.

·         Má Absorção de Nutrientes: A redução das vilosidades intestinais afeta a absorção de nutrientes, como a vitamina B12, contribuindo para deficiências nutricionais.

·         Hipocloridia: Com o envelhecimento, há uma redução na produção de ácido clorídrico (HCl) no estômago, que desempenha um papel crucial na digestão de proteínas, absorção de nutrientes e proteção contra bactérias patogênicas.

·         Dispepsia Funcional: Sensação crônica de desconforto ou dor na parte superior do abdômen, sem causa orgânica aparente. O esvaziamento gástrico mais lento pode contribuir para essa condição em idosos e para a sensação de plenitude gástrica.

Desordens Gastrointestinais Comuns em Idosos

Devido às alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento, os idosos são mais propensos a desenvolver as seguintes desordens gastrointestinais:

·         Refluxo Gastroesofágico (DRGE): O enfraquecimento do esfíncter esofágico inferior facilita o retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, causando azia e outros sintomas.

·         Diverticulose e Diverticulite: A formação de pequenas bolsas (divertículos) na parede do cólon torna-se comum com o envelhecimento (diverticulose). A inflamação dessas bolsas leva à diverticulite, causando dor abdominal, febre e outros sintomas.

·         Síndrome do Intestino Irritável (SII): Embora possa ocorrer em qualquer idade, os sintomas da SII, como dor abdominal, inchaço, gases, diarreia e constipação, podem persistir ou se agravar em idosos.

·         Úlceras Pépticas: O uso frequente de medicações, principalmente anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), é mais comum entre idosos e pode aumentar o risco de úlceras no estômago e no duodeno.

·         Pólipos Intestinais e Câncer Colorretal: A incidência de pólipos e de câncer colorretal aumenta significativamente com a idade.

·         Má Absorção de Nutrientes: A redução das vilosidades intestinais afeta a absorção de nutrientes, como a vitamina B12, contribuindo para deficiências nutricionais.

·         Hipocloridia: Com o envelhecimento, há uma redução na produção de ácido clorídrico (HCl) no estômago, que desempenha um papel crucial na digestão de proteínas, absorção de nutrientes e proteção contra bactérias patogênicas.

·         Dispepsia Funcional: Sensação crônica de desconforto ou dor na parte superior do abdômen, sem causa orgânica aparente. O esvaziamento gástrico mais lento pode contribuir para essa condição em idosos e para a sensação de plenitude gástrica.

Editar

Comportamento alimentar do idoso

O comportamento alimentar na terceira idade envolve diversos fatores interligados, muitas vezes indo além da simples necessidade fisiológica de nutrientes. Compreender essa relação é essencial para que o idoso mantenha uma alimentação saudável.

A falta de companhia durante as refeições é um aspecto marcante, podendo diminuir o prazer de comer e levar à redução da ingestão alimentar. Além disso, a depressão e a ansiedade podem causar perda de apetite ou, em alguns casos, aumento do consumo de alimentos não saudáveis como forma de conforto. Outro fator relevante é a perda de autonomia para realizar atividades diárias, incluindo o preparo e consumo de alimentos, o que pode afetar o interesse pela comida. Eventos como aposentadoria, viuvez e saída dos filhos de casa podem modificar rotinas e hábitos alimentares.

Dificuldades financeiras também impactam a nutrição do idoso, podendo causar insegurança alimentar e dificultar a compra de alimentos nutritivos, levando a escolhas inadequadas. Fatores cognitivos, como demência, confusão mental e dificuldade em reconhecer os sinais de fome e saciedade, podem resultar na redução da ingestão calórica e em horários de refeição irregulares, influenciando negativamente o estado nutricional.

Além da questão financeira, outra dificuldade é a mastigação, especialmente de alimentos mais duros, como carnes e outras proteínas. Isso faz com que muitos idosos optem por alimentos macios e cremosos, frequentemente ultraprocessados e de menor valor nutricional

Editar

Avaliação Nutricional no Idoso

A avaliação física no idoso possui diversas dificuldades as alterações corporais, da idade, parâmetros bioquímicos e presença de doenças, uso de medicamentos e fatores psicossociais. Sendo importante para detectar riscos de desnutrição ou obesidade, monitorar a eficácia de intervenções nutricionais e fornecer informações para o planejamento de cuidados individualizados

 

5.3.1 Exame Físico:

Avaliação da composição corporal:

 

·         Peso: Alguns idosos podem ter dificuldade para caminhar até a balança, sendo ideal o uso de uma balança de base larga. Caso isso não seja possível, pode-se utilizar uma cadeira na balança, tarar o equipamento e, em seguida, pesar o idoso.

·         Altura: O idoso apresenta redução da estatura de aproximadamente 1 a 2,5 cm. A medição pode ser realizada com estadiômetro ou fita métrica, considerando a dificuldade de alguns idosos em permanecer totalmente eretos. Em casos em que não seja possível medir a altura diretamente, podem ser utilizadas estimativas baseadas no comprimento do braço, na altura do joelho ou na envergadura, que é aferida com os braços do paciente estendidos em um ângulo de 90º em relação ao corpo.

·         Altura do joelho: A aferição da altura do joelho é realizada com o idoso em posição supina e o joelho dobrado em um ângulo de 90º. O comprimento é medido entre a planta do pé e a superfície anterior da perna, na altura do joelho.

·         Índice de Massa Corporal (IMC): Calculado com peso (kg) / altura (m)². Os pontos de corte para idosos são diferentes dos adultos mais jovens.

·         Circunferência da cintura (CC): Medida na menor circunferência entre a última costela e a crista ilíaca. É um indicador de gordura abdominal e risco metabólico.

  • Circunferência do braço (CB): Medida no ponto médio do braço, em estado de relaxamento ao longo do corpo. Serve para estimar a redução da massa muscular e do tecido subcutâneo.
  • Circunferência da panturrilha (CP): Indicador sensível de massa muscular, especialmente importante para idosos com risco de sarcopenia. Valores baixos podem indicar desnutrição e maior risco de fragilidade.

Exame físico

O exame físico busca avaliar carências nutricionais, incluindo sinais de desnutrição.

  • Pele: Palidez, ressecamento, presença de úlceras de pressão (escaras) e redução do turgor.
  • Boca e língua: Dificuldade de mastigar, ferimentos na gengiva e perda de papilas gustativas.
  • Olhos: Ressecamento, palidez conjuntival e manchas de Bitot.
  • Estado mental: Confusão, irritabilidade e apatia.
Editar

Avaliação Laboratorial

·         Proteínas séricas: Albumina e pré-albumina (transtirretina) são indicadores do estado nutricional proteico, embora possam ser influenciados por inflamação e hidratação. A pré-albumina possui uma meia-vida mais curta e pode ser mais sensível a mudanças recentes no estado nutricional.

  • Eletrólitos: Sódio, potássio e cálcio desempenham funções essenciais no organismo e podem ser afetados pela desnutrição e desidratação.
  • Glicemia: Indicador utilizado para avaliar o metabolismo da glicose.
  • Função renal e hepática: Alterações nesses sistemas podem impactar o estado nutricional e o metabolismo de nutrientes.
  • Vitaminas e minerais específicos: A dosagem de vitaminas (B12, D, folato) e minerais (ferro, zinco) pode ser indicada em casos de suspeita de deficiência.
  • Marcadores inflamatórios: A proteína C-reativa (PCR) auxilia na interpretação dos níveis de proteínas séricas, uma vez que a inflamação pode reduzi-los independentemente do estado nutricional.
Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

5.3.2        Avaliação Subjetiva Global (ASG):

Trata-se de um método semi-quantitativo que combina informações do histórico (perda de peso, mudanças na ingestão alimentar, sintomas gastrointestinais e capacidade funcional) com dados do exame físico (perda de gordura subcutânea, perda de massa muscular, edema e ascite).

Esse método classifica o estado nutricional do idoso em bem nutrido, moderadamente nutrido, suspeito de desnutrição ou gravemente desnutrido, sendo uma abordagem simples, não invasiva e eficaz para identificar idosos em risco de desnutrição. A interpretação dos dados obtidos na avaliação física nutricional deve ser realizada de forma integrada, considerando todos os componentes.

O objetivo é identificar:

O estado nutricional atual do idoso.

A presença de deficiências nutricionais específicas.

O risco de desnutrição ou outras complicações relacionadas à nutrição.

Os fatores que contribuem para o estado nutricional inadequado.

Com base nessa avaliação, um plano nutricional individualizado deve ser elaborado.

 

Editar

Necessidades Nutricionais do Idoso

Macronutrientes:

                  

- Proteínas: Recomenda-se uma ingestão de 1,0 a 1,2 gramas de proteína por kg de peso corporal por dia para manter a massa muscular, a força e a função imunológica. Em situações de doença aguda ou crônica, essa necessidade pode aumentar para 1,2 a 1,5 g/kg/dia. Boas fontes incluem carnes magras, peixes, ovos, laticínios e leguminosas.

- Carboidratos: Devem constituir 45% a 65% da ingestão calórica total, com ênfase em carboidratos complexos e não refinados, como grãos integrais, frutas e vegetais. A ingestão de fibras é particularmente importante para a saúde intestinal, controle glicêmico e prevenção de doenças cardiovasculares, com recomendações de 30g/dia para homens e 21g/dia para mulheres com mais de 50 anos.

- Gorduras: A ingestão de gorduras deve representar 20% a 35% da ingestão calórica total, priorizando gorduras insaturadas (mono e poli-insaturadas), presentes em azeite de oliva, abacate, oleaginosas e peixes ricos em ômega-3.

- Hidratação: A recomendação é de 30 mL/kg/dia.

 

Micronutrientes:

 

·         Vitamina B12: A absorção pode ser reduzida com a idade devido à diminuição do ácido gástrico e do fator intrínseco. A recomendação é de 2,4 mcg/dia, sendo necessária, em alguns casos, a suplementação ou o consumo de alimentos fortificados.

  • Vitamina D: Essencial para a saúde óssea e a função muscular. A capacidade de sintetizá-la na pele diminui com a idade, e a ingestão dietética muitas vezes é inadequada. Recomenda-se 600-800 UI/dia, com suplementação frequentemente necessária.
  • Cálcio: Fundamental para a saúde óssea, as necessidades aumentam para 1.200 mg/dia em mulheres acima de 51 anos e homens acima de 71 anos, ajudando a reduzir a perda óssea.
  • Vitamina B6: As necessidades aumentam ligeiramente para 1,7 mg/dia em homens e 1,5 mg/dia em mulheres acima de 51 anos, sendo essencial para a função imunológica e o metabolismo proteico.
  • Folato: A recomendação é de 400 mcg/dia, essencial para a saúde cardiovascular e a função cognitiva.
  • Vitamina A: A ingestão recomendada é de 900 mcg RAE/dia para homens e 700 mcg RAE/dia para mulheres.
  • Vitamina C: Recomenda-se 90 mg/dia para homens e 75 mg/dia para mulheres, sendo importante para a função imunológica e a absorção de ferro.
  • Cálcio: A deficiência pode ocorrer devido à falta de apetite, sendo recomendado 1.200 mg/dia para grupos de risco.
  • Potássio: Essencial para a saúde cardiovascular e o controle da pressão arterial, com uma ingestão adequada de 4.700 mg/dia.
  • Magnésio: Envolvido em diversas funções metabólicas, com recomendações de 420 mg/dia para homens e 320 mg/dia para mulheres acima de 51 anos.
  • Zinco: Importante para a função imunológica, cicatrização e paladar, com recomendações de 11 mg/dia para homens e 8 mg/dia para mulheres.
  • Ferro: As necessidades diminuem para mulheres após a menopausa (8 mg/dia), enquanto para homens a recomendação permanece em 8 mg/dia.
  • Sódio: A ingestão deve ser limitada a 1.500 mg/dia para auxiliar no controle da pressão arterial.
Editar

REFLETINDO SOBRE

REFLETINDO SOBRE

5.3      Cuidados Nutricionais do Idoso

 

Os alimentos produzidos para idosos devem passar por adequações conforme suas necessidades específicas. Para avaliar essas necessidades, é essencial responder às seguintes perguntas:

  • Quantidade de alimentos ingerida: Houve aumento ou diminuição?
  • Qualidade da alimentação: Quais são os alimentos mais consumidos?
  • Número de refeições diárias: Quantas refeições realiza por dia?
  • Companhia durante as refeições: Alguém o acompanha?
  • Preparo dos alimentos: Quem é responsável por preparar as refeições?
  • Autonomia na alimentação: Consegue se alimentar sozinho ou precisa de ajuda?
  • Uso de medicações: Quais medicamentos estão sendo tomados?
  • Hidratação: Como está a ingestão de líquidos?

Caso sejam necessários ajustes para facilitar a adequação da ingestão alimentar, algumas estratégias podem ser adotadas, como:

  • Utilizar ervas aromáticas para tornar os alimentos mais atrativos.
  • Preferir alimentos marinados e cozidos para facilitar a mastigação.
  • Reduzir o uso de sal, optando por temperos naturais.
  • Modificar a consistência dos alimentos, oferecendo preparações pastosas ou líquidas quando necessário.
Editar

1. Idoso com 55 kg e 1,50. Calcule o IMC e classifique seu estado nutricional.

2. Considerando as mudanças fisiológicas comuns no processo de envelhecimento, quais são as principais recomendações nutricionais específicas para idosos, visando a manutenção da saúde, da funcionalidade e a prevenção de deficiências nutricionais?

Editar

QUERO SABER MAIS

QUERO SABER MAIS

·         Avaliação nutricional em idosos: Uma revisão integrativa: https://www.researchgate.net/profile/Debora-Pinheiro-8/publication/374396011_Avaliacao_nutricional_em_idosos_uma_revisao_integrativa/links/65427cf5ff8d8f507ce1f9b4/Avaliacao-nutricional-em-idosos-uma-revisao-integrativa.pdf

·         Depressão em idosos: um estudo de revisão bibliográfica de 2013 a 2020: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/30429/26070

Editar

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A disciplina Nutrição nos Ciclos da Vida permite aos profissionais nutricionistas compreender as bases da nutrição em cada etapa da vida, além de destacar a importância da alimentação para o desenvolvimento, a prevenção de doenças e estratégias práticas para uma alimentação saudável. Também aborda a influência de fatores externos à nutrição, como aspectos socioeconômicos, culturais e ambientais, e, sobretudo, o papel do nutricionista em diversos âmbitos e fases da vida.

As diversas referências, artigos e descrições apresentadas neste material servem como uma base inicial, mas é essencial que o aluno expanda seu conhecimento por meio de outras obras, leituras e pesquisas. Nosso objetivo foi fornecer as ferramentas necessárias para a compreensão da dinâmica da nutrição ao longo da vida, capacitando-o a tomar decisões mais informadas sobre alimentação e saúde em diferentes fases da vida.

Que o conhecimento adquirido aqui sirva como um guia valioso para promover a saúde e o bem-estar em todas as fases da jornada humana. O aprendizado sobre nutrição é um processo contínuo—não parem por aqui! Sigam, explorem e aprofundem-se no vasto universo de conhecimentos que a nutrição pode proporcionar.

 

Educação não transforma o mundo, educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Paulo Freire

Editar
Editar

BIBLIOGRAFIA

Básica

Krause: Alimentos, nutrição e dietoterapia. 13ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. MOREIRA, E.A.M.; CHIARELLO, P. G. Nutrição e Metabolismo: Atenção Nutricional - Abordagem Dietoterápica em Adultos.

. • VÍTOLO, Márcia Regina. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2008. 322 p.

• ACCIOLY, Elizabeth; SAUNDERS, Cláudia; LACERDA, Elisa Maria de Aquino. Nutrição em Obstetrícia e Pediatria. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2012. 656p.

 • CARDOSO, Ary Lopes; LOPES, Luís Anderson; TADDEI, José Augusto de A.C. Tópicos atuais em nutrição pediátrica. São Paulo: Atheneu,2004. 184p

 

Complementar

• BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Guia Alimentar para crianças menores de 2 anos., Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2019. 76p.

BRASIL. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da Criança: Nutrição Infantil – Aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009, 112p. (Cadernos de Atenção Básica, n. 23)

Melo CM de, Tirapegui J, Ribeiro SML. Gasto energético corporal: conceitos, formas de avaliação e sua relação com a obesidade. Arq Bras Endocrinol Metab [Internet]. 2008Apr;52(3):452–64. Available from: https://doi.org/10.1590/S0004-27302008000300005

A+ A-
© 2021 - TRÊS MARIAS EDU - Todos direitos reservados.