Objetivos de Aprendizagem
Debater a EaD e as vertentes da educação mediada pelas novas tecnologias de informação e da comunicação, explorando as reflexões de professores e autores que acompanharam e até mesmo participaram das mudanças nos rumos da EaD no Brasil..
A EaD tem apoiado sua metodologia em diversas tecnologias para que a proposta de implementação na prática tenha o efeito esperado.
Um dos fatores que mais tem contribuído para o sucesso da implementação da EaD é justamente o uso de ferramentas de interação e comunicação, que cada vez mais disponibilizam recursos que vão de encontro com a proposta da EaD. Tais ferramentas tecnológicas são agrupadas em ambientes de interação e comunicação chamados de Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVA.
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
A Lei 9.394 de dezembro de 96 confere à Educação a Distância (EAD) a oportunidade de integrar-se plenamente ao sistema educacional, permitindo, de forma regulamentar, sua utilização no oferecimento de disciplinas e cursos.
De acordo com Behrens (2000, página ?):
A acelerada mudança em todos os níveis leva a ponderar sobre uma educação planetária, mundial e globalizante. Estas mudanças exigem que as pessoas estejam preparadas para aprender ao longo da vida, podendo adaptar-se e criar novos cenários.
Nesse contexto, a EAD transformou-se em uma excelente alternativa para a formação acadêmica, em decorrência do crescimento do potencial interativo das novas tecnologias de comunicação e da informação.
O termo “Educação a Distância” abrange várias formas ou modelos que variam conforme os princípios pedagógicos e tecnológicos, assumidos no planejamento de suas estratégias.
Segundo o Decreto nº 2.494 de 10 de fevereiro de 1998, em seu artigo 1º, a educação a distância é:
Uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação.
Outra definição é assinalada por Aretio (1994):
A Educação a Distância é um sistema tecnológico de comunicação bidirecional, que pode ser massivo e que substitui a interação pessoal, na sala de aula, entre professor e aluno, como meio preferencial de ensino, pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e pelo apoio de uma organização e tutoria que propiciam a aprendizagem independente e flexível dos alunos.
Nesse sentido, Preti (1996) destaca que: (i) a presença física do professor tutor (interlocutor com quem o estudante vai dialogar) não é necessária e indispensável para que se dê a aprendizagem. Ela se dá de outra maneira, mediada por tecnologias de comunicação, “virtualmente”; (ii) o processo de ensino-aprendizagem mediatizado deve oferecer suporte e estruturar um sistema que viabilize e incentive a autonomia dos estudantes nos processos de aprendizagem; (iii) o uso de novas tecnologias de comunicação permite romper com as barreiras das distâncias, das dificuldades de acesso à educação e dos problemas de aprendizagem por parte dos alunos que estudam individualmente, mas não isolados e sozinhos. Oferecem possibilidade de estímulo e motivação ao estudante, de assimilação e divulgação de dados, de acesso às informações mais distantes; e (iv) o estudante não é mero receptor de informações, de mensagens.
Para Moran (1999), a Educação a Distância é o processo de ensino-aprendizagem mediado por tecnologias, no qual professores e alunos são separados espacial e/ou temporalmente. Apesar de não estarem juntos, de maneira presencial, eles podem estar conectados, interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a internet ou outros meios, como correio, televisão, vídeo, telefone e tecnologias semelhantes.
Moran (1995) esclarece que as tecnologias de comunicação não substituem o professor, mas modificam algumas das suas funções, uma vez que a tarefa de passar informações pode ser deixada aos bancos de dados, livros, vídeos e programas em CD. Desse modo, o professor transforma-se em estimulador da curiosidade do aluno por querer conhecer, por pesquisar, por buscar a informação mais relevante. Em um segundo momento, coordena o processo de apresentação dos resultados pelos alunos. Depois questiona alguns dos dados apresentados, contextualiza os resultados e os adapta à realidade dos alunos.
Atualmente, vivencia-se um período de mudança do paradigma que norteia as relações entre os homens e as nações. Por conseguinte, o processo de educação encontra-se em momento de construção de novos modelos e as novas tecnologias, presentes nos processos produtivos contemporâneos requerem da escola, enquanto meio por excelência da mediação do saber, a sua inserção no processo educativo (SAVIANI, 1999).
A discussão contemporânea encaminha-se, porém, sobre as formas possíveis de relação entre educação e tecnologia. De acordo com Lévy (1999) a tecnologia abre possibilidades de ação, mas não determina por si só as decisões humanas. O essencial, no momento, é avaliar os efeitos que seus usos podem trazer e decidir o que fazer dela.
Maraschin (2000, p.107) pensa tais efeitos à luz da constatação que o impacto das novas tecnologias produz alterações no cotidiano da vida escolar:
Os sintomas seriam sinalizadores dos pontos de impacto de algumas transformações técnico-científicas no cotidiano escolar, sendo reconhecidos como pontos críticos de desestabilização, mas também de criação, de potencialidades.
Moran (2000), trazendo esta discussão especificamente para o ensino, esclarece que há a expectativa de que os meios trarão resultados rápidos para o ensino, como já se pensou também em outras épocas.
Sem dúvida as novas tecnologias nos permitem ampliar o conceito de aula, espaço e tempo, de comunicação audiovisual, e estabelecer pontes novas entre o presencial e o virtual, entre estar juntos e o estarmos conectados a distância. Mas se ensinar dependesse só de tecnologias já teríamos achado as melhores soluções há muito tempo .
O ensino depende de outras relações mais amplas, que implicam e extrapolam o uso de novos meios. Assim, conclui que as tecnologias novas são importantes, mas não resolvem questões de fundo. Para o autor,
[...] ensinar e aprender são desafios maiores que enfrentamos em todas as épocas e particularmente agora em que estamos pressionados pela transição do modelo de gestão industrial para o da informação e do conhecimento (MORAN, 1999).
Em outras palavras, o aspecto essencial continua sendo a organização do processo educativo, visto enquanto trabalho humano e, portanto, condicionado às modificações globais, que trazem novos processos de produção e desencadeiam solicitações diferentes para o trabalhador e alterações em sua formação.
O meio impele ao trabalhador contemporâneo o desenvolvimento de capacidades: de autogestão, resolução de problemas, adaptabilidade e flexibilidade diante de novas tarefas, assumir responsabilidades e aprender de modo autônomo, trabalhando coletivamente, de modo cooperativo e pouco hierarquizado (BELLONI, 1999).
Para tanto, não bastam modificações periféricas de processos educativos, mas mudanças estruturais, associadas à ampliação do acesso à educação, inicial e continuada.
Neste contexto, Belloni (1999) alerta para o papel fundamental do ensino a distância, pois o considera não apenas como meio de superar problemas emergenciais ou de consertar fracassos dos sistemas educacionais em dado momento de sua história, mas entende que:
A EaD tende doravante a se tornar cada vez mais um elemento regular dos sistemas educativos, necessário não apenas para atender as demandas e/ou grupos específicos, mas assumindo funções de crescente importância no ensino pós-secundário, ou seja, na educação da população adulta, o que inclui o ensino superior regular e toda a grande e variada demanda de formação contínua gerada pela obsolescência da tecnologia e do conhecimento (BELLONI, 1999, pp.4-5).
A autora situa a EaD no contexto do capitalismo e dos modelos econômicos, criticando a aplicação de modelos instrucionais e behavioristas a EaD, que traria não apenas a passividade do estudante considerado como objeto e como público de massa, mas envolveria também o professor, que no entender de Belloni (1999) citando Renner (1995) estaria fadado, como o estudante, aos aspectos da educação industrializada: “proletarização, desqualificação, divisão do trabalho, democratização do espaço de trabalho e produção nova...”.
A autora coloca como essencial a superação destes modelos, que têm marcado as experiências de EaD e sugere a adoção da concepção de Aprendizagem Aberta – AA, articulada com as necessidades da Educação a Distância, propondo a Aprendizagem Aberta e a Distância – AAD, pois entendida como mais coerente com as transformações sociais e econômicas, já que caracterizada pela flexibilidade, abertura dos sistemas e maior autonomia do estudante. Enfatiza a necessidade da criação de instrumentos teórico-práticos voltados à educação de adultos e à autoaprendizagem, em um ensino centrado no aluno:
Um processo de ensino e aprendizagem centrado no estudante será então fundamental como princípio orientador de ações de EaD. Isto significa não apenas conhecer o melhor possível suas características socioculturais, seus conhecimentos e experiências, e suas demandas e expectativas, como integrá-las realmente na concepção de metodologias e materiais de ensino, de modo a criar através deles as condições de auto-aprendizagem (BELLONI, 1999, p.31).
Estas características, e não as propostas pelas correntes behavioristas, de caráter empiricista e positivista, que são coerentes com as capacidades requeridas neste novo milênio.
No que toca ao acesso e estruturação da informação, Levy (2000) discute os bits da informática como gens que fazem parte de um conjunto de tecnologia indo em direção a um controle molecular de seu objeto, o que dá uma fluidez a todas essas mensagens e lhes dá também a possibilidade de uma circulação muito rápida. O que há em comum em todas as bases nos bancos de dados do espaço cibernético? Não são as mensagens fixas, mas um potencial de mensagens e que, dependendo de quem vai utilizá-las, toma uma direção ou outra.
O autor acredita que o importante é que a informação esteja sob forma de rede e não tanto a mensagem porque esta já existia em uma enciclopédia ou dicionário. Assim, a verdadeira mutação se passa em três aspectos principais: 1. Não é mais o leitor que vai se deslocar diante do texto, mas é o texto que, como um caleidoscópio, vai se dobrar e se desdobrar diferentemente diante de cada leitor; 2. Tanto a escrita como a leitura vão mudar o seu papel. O próprio leitor vai participar da mensagem na medida em que ele não vai estar apenas ligado a um aspecto. O leitor passa a participar da própria redação do texto à medida que ele não está mais na posição passiva diante de um texto estático [...] Dessa forma, o espaço cibernético introduz a ideia de que toda leitura é uma escrita em potencial; 3. Estamos assistindo a uma desterritorialização dos textos, das mensagens, enfim, de tudo que é documento: tanto texto como mensagem se tornam matéria em potencial.
A educação a distância, inclui toda a gama de processos (carta, rádio, televisão, internet...) que visam o repasse sistemático de informações, por meio de sistemas não presenciais ou semipresenciais.
Vianney (2000) esclarece que nos encontramos na terceira geração da educação a distância. A primeira foi caracterizada pelo ensino por correspondência, com material impresso, acrescido de guia de estudo, com tarefas e exercícios enviados pelo correio. A segunda geração, a partir da década de setenta, inicia-se com o surgimento das primeiras universidades abertas, que fazem uso, além do material impresso, transmissões por televisão aberta, rádio e fitas de áudio e vídeo, integrando telefones, satélites e TV a cabo. E a terceira geração é centrada na internet, baseada em redes de conferência por computador com estações de trabalho multimídia e redes de videoconferência.
Nesse contexto, Zhang (1996) descreve a web como um ambiente de cooperação que facilita a aprendizagem, porque cria um “espaço” (mesmo que virtual) no qual os alunos interagem uns com os outros, gerando estratégias de aprendizagem e integrando novas informações em um conhecimento já existente. Segundo a autora, a web ajuda também no compartilhamento de responsabilidades e habilidades, contribuindo assim para uma possível redução de sobrecarga cognitiva. Erickson (1996) compartilha esse mesmo pensar ao argumentar que a web serve como um hipertexto social, porque, por meio dos trabalhos individuais que são disponibilizados, forma uma imensa teia de conhecimentos.
Quanto ao processo de aprendizagem, Updegrove (1995) salienta que o papel do estudante muda enormemente com o amplo uso dos recursos da internet. Quando os métodos de ensino são mais flexíveis, os estilos de aprendizagem também podem ser e as necessidades individuais e os interesses dos estudantes podem ser facilmente acomodados. Isso indica que uma variedade de estilos de aprendizagem pode ser verificada por meio das ferramentas da Internet, e os estudantes não precisam ficar limitados pelo tempo, espaço ou recursos locais.
Conforme Bédard (1998), a mediatização dos conteúdos e dos caminhos de aprendizagem para EAD permitem uma grande flexibilidade das modalidades de aprendizagem. Assim, é possível colocar o aprendiz no bojo do processo e tomar conta de seu meio físico, das suas disponibilidades temporais, do seu estilo de aprendizagem e do seu meio ambiente cultural. Isso pode ser viabilizado oferecendo-se caminhos pedagógicos que podem ser adaptados aos aspectos dos conteúdos, da estrutura e das modalidades de interações, compondo uma atividade de formação a distância.
Do observado por diversos autores, constata-se que, com o uso das novas tecnologias aplicadas ao processo educacional dos cursos a distância, os alunos adquirem um conjunto de habilidades mais diversificado. Nesse sentido, as novas tecnologias não assumem apenas caráter somatório à atividade humana, mas sim, caráter transformador.
Esta nova tendência que percebe a inserção da tecnologia na educação como meio transformador do trabalho docente e da aprendizagem no processo educativo ainda está em constituição, não sendo possível visualizar sua completude e assim, adotá-la com segurança. Por conseguinte, a proposta pedagógica atual está pautada nas teorias de ensino e aprendizagem progressistas e aberta a novas construções, na medida em que acredita na ruptura de paradigmas.
TECNOLOGIAS, MÍDIAS E RECURSOS DE UM AMBIENTE VIRTUAL
Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem devem dispor de interface amigável, simples, autoexplicativa, de fácil acesso e construído levando-se em conta pressupostos pedagógicos que valorizam a construção interativa e colaborativa do aluno valorizando a participação, a colaboração e o apoio à aprendizagem. Segue abaixo algumas ferramentas que compõe diversos Ambientes Virtuais de Aprendizagem:
Área de Aprendizagem – na área de aprendizagem o aluno encontra recursos que normalmente são disponibilizados na web, como: textos, imagens, animação, som e aplicações informáticas. Os recursos utilizados na área de aprendizagem são:
new window – o texto assinalado, ao ser clicado, aciona a abertura de uma nova janela com informações complementares;
mouse-over – ao passar o mouse sobre o texto assinalado, aparece sobre a tela uma caixa com o hipertexto;
link de URL para new window – ao clicar o texto assinalado, por meio de uma nova janela, o aluno visitará a página recomendada, fora do ambiente;
link de URL para dentro do próprio ambiente – ao clicar o texto assinalado, é possível remeter o aluno para uma visita a uma nova URL, sendo este recurso muito utilizado para visita guiada;
link para outra página ou unidade – ao clicar sobre o texto assinalado, o aluno é remetido para outra parte da página ou disciplina enquanto o texto fica conectado;
link direto para algum recurso ou ferramenta – ao clicar sobre o texto assinalado, o aluno é remetido diretamente para o recurso ou ferramenta que necessita;
outros recursos disponíveis – download de texto, vídeo, áudio ou gráfico, no formato de arquivos GIF animado ou Flash.
Barra de navegação e impressão – contendo os seguintes ícones:
saída – permite ao aluno sair do ambiente de aprendizagem;
volta – permite ao aluno voltar à página anterior;
avança – permite ao aluno avançar para a página seguinte;
imprime – permite ao aluno realizar impressão da página visível.
Barra de comunicação e apoio – contendo os ícones que remetem às ferramentas:
mural – onde estão apresentadas as informações relevantes aos alunos. Permite constante atualização sobre o desenvolvimento do curso;
perfil – ferramenta que possibilita a identificação e integração dos participantes. Essa ferramenta pode constituir-se em um importante espaço para o reconhecimento de afinidades e projetos comuns entre os participantes, características importantes para o desenvolvimento de atividade cooperativa, colaborativa e interativa;
chat – permite interação em tempo real (síncrona) entre os alunos e também entre alunos e professores;
correios – possibilita a comunicação e interação assíncronas. É um importante instrumento de interação e colaboração. Os alunos de uma turma podem, a todo o momento, trocar informações;
monitoria – promove suporte aos alunos durante todo o curso, possibilitando comunicação contínua entre o aluno e a instituição de ensino. Oferece um FAQ com as perguntas e respostas das dúvidas mais frequentes, o que se constitui em uma importante fonte de informações para os alunos. Além disso, oferece espaço para o envio de questões relativas as suas dúvidas e sugestões. Essa ferramenta configura-se como um importante apoio ao desenvolvimento de aprendizagem efetiva, uma vez que auxilia o aluno a superar dificuldades operacionais que podem pôr em risco ou prejudicar o processo de construção pelo qual está passando;
ajuda – oferece informações sobre como usar o ambiente virtual de aprendizagem, como utilizar a internet e outras questões relativas ao ambiente.
Barra de ferramentas de aprendizagem – contendo os ícones que remetem às ferramentas:
anotações – possibilita ao aluno realizar anotações, registrar ideias, lembretes, referências, endereços e links importantes etc.;
galeria – possibilita a publicação de atividades para serem compartilhadas com os colegas. Isso permite a visualização para apreciação possibilitando troca, aperfeiçoamento e reestruturação de ideias. Espaço importante para a aprendizagem colaborativa;
midiateca – disponibiliza as referências bibliográficas e complementares da disciplina, links para sites de interesse, vídeos, downloads para os textos utilizados etc. Objetiva funcionar como um banco de dados;
fórum – ferramenta que possibilita a realização de debates relacionados a temas relativos aos conteúdos sugeridos pelo professor com todos os alunos da turma. Importante ferramenta assíncrona que possibilita a participação de todos de forma colaborativa, promovendo a construção de ideias, a troca de informações, o confronto positivo de opiniões. Oportuniza a mediação do professor de forma efetiva e planejada. Outro ponto positivo: as intervenções ficam registradas e todos os participantes podem visualizar quando necessitarem;
relatório – permite ao professor tutor, no decorrer da disciplina, disponibilizar ao aluno informações sobre o seu desempenho nas atividades realizadas. Os alunos enviam suas atividades a esta área, onde ficam associados a seu nome. Os trabalhos são avaliados pelo professor que faz comentários sobre o desempenho do aluno;
tutoria – nesta ferramenta o aluno pode fazer perguntas ao professor tutor sobre os conteúdos ou sobre aspectos pedagógicos do curso. O professor tutor registra suas respostas e dessa forma a ferramenta constitui-se em um espaço importante para o diálogo e, portanto, a construção interativa/colaborativa do conhecimento. Constitui-se em um importante banco de informações para todos os alunos, uma vez que as perguntas e respostas ficam registradas e disponíveis para todos.
Barra de informações curriculares e menu de unidades – contendo os seguintes links:
curso – aciona a abertura da página com as informações gerais sobre o curso (instituição, coordenador responsável pela certificação, normas de funcionamento, critérios de avaliação);
disciplina – aciona a abertura da página com informações sobre a disciplina (programa, objetivos, orientações gerais, metodologia, calendário, programa de avaliação);
professor – abre uma janela contendo o perfil do professor (minicurrículo);
aluno – apresenta ao aluno o seu próprio perfil, objetivando a promoção do sentimento de identidade com o curso;
unidades – apresenta a relação de unidades que compõem a disciplina (módulo) e a sequência das atividades propostas.
O uso de ferramentas tecnológicas potencializaram a EaD à medida que ferramentas de interação e comunicação foram desenvolvidas com o intuito de criar um ambiente apropriado para a aplicação das metodologias propostas pela EaD. Tais ferramentas são conhecidas como Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVA, sendo recursos indispensáveis para a implementação da EaD em toda sua potencialidade.
No link a seguir há um vídeo do professor Fredric Litto falando sobre Educação a Distância:
<http://www.youtube.com/watch?v=D_5HhfcE-io>.
No link a seguir há um vídeo sobre o papel do professor na EAD:
<http://www.youtube.com/watch?v=e6OJPp9GqkY>.
No link a seguir há um vídeo sobre o papel do aluno na EaD:
<http://www.youtube.com/watch?v=ZtvyfHH8uJw>.
É apresentado abaixo um artigo de uma personalidade importante da educação brasileira, o professor Wilson Azevedo. Aproveite a leitura e reflita sobre os assuntos brilhantemente debatidos pelo professore.
E-LEARNING COMO ELEMENTO DE INTEGRAÇÃO NO PROCESSO EDUCACIONAL
Palestra proferida no Forum Internacional de Tecnologia para Gestão de Pessoas como parte da programação do 27º Congresso Nacional da Associação Brasileira de Recursos Humanos.
Wilson Azevedo (*)
Afinal, o que queremos dizer quando falamos de e-learning? Estamos falando, fundamentalmente, de educação online. E por educação entendemos o processo de ensino-aprendizagem - o que justifica uma pequena crítica ao termo e-learning, pois ele foca excessivamente a sua preocupação numa parte - sem dúvida de grande importância - do processo educacional, que é o processo de aprendizagem. Durante muito tempo a educação foi tratada como uma questão de ensino, quase sinônimo de ensino, e o foco na aprendizagem ficou em posição secundária. De algumas décadas para cá, a ênfase na aprendizagem nos ajudou a restabelecer o equilíbrio. Mas precisamos entender o processo educacional como um processo de mão dupla. Não apenas de aprendizagem, mas um processo de ensino “e” aprendizagem. Um processo de construção de conhecimento, que é coletivo e acontece em todos os ângulos dessa relação. Não apenas o aprendiz, o educando, aprende, mas o educador também aprende. Ao se relacionar com aqueles que eram vistos como aprendizes, se coloca também como aprendiz. De outra parte, aqueles cuja tarefa principal era apenas aprender também se colocam ensinando, não só ao professor, mas também aos seus colegas de aprendizagem. De forma que o processo de ensino e aprendizagem se torna cada vez mais complexo e baseado em múltipla interação. Esse aspecto hoje é salientado quando falamos em educação.
Educação on-line, portanto, é educação. Só que a sua especificidade está precisamente no fato de utilizar tecnologias que permitem novas formas de interação primeiramente com conteúdos informativos. Esse é um dos aspectos que nos chama a atenção ao travarmos contato com essas novas tecnologias. O outro aspecto é que são novas tecnologias também da comunicação, que permitem novas formas de interação entre pessoas. E essa é uma descoberta que se faz aos poucos. À medida que se vai entrando em ambientes online, percebemos que, além da informação que vem até nós, e que às vezes nos sobrecarrega, dispomos de recursos de comunicação interpessoal com o uso dessas novas tecnologias. Esse aspecto da comunicação é que nos interessa especificamente quando pensamos em e-learning e em aprendizagem colaborativa. Vejamos então a classificação e tipologia da comunicação.
O rádio ou a televisão nos permitem, a partir de um foco emissor, distribuir a informação para múltiplos receptores, característica básica dos veículos de comunicação de massa, a chamada comunicação de “um para muitos”. Já o telefone é a tecnologia mais típica do “um a um”, embora hoje ele permita que, utilizando o viva-voz, comuniquem-se “muitos com muitos”. O correio é outra tecnologia de comunicação “um a um” que, às vezes, é comunicação “um para muitos” também.
Um grande avanço oferecido pelas novas tecnologias das redes informatizadas é que nós podemos combinar as diversas formas de comunicação, a de “um para muitos”, e a web é o principal meio para se perceber isso, a comunicação “um a um”, e o correio eletrônico é a mais conhecida ferramenta usada nesse tipo de comunicação. Mas é a comunicação de muitos para muitos, a ampla interação entre pessoas, interação coletiva em ambientes virtuais projetados para isso que é a grande novidade introduzida pelas novas tecnologias de informação e, especialmente, de comunicação.
O grande diferencial destas novas tecnologias é a possibilidade de integração de todas essas formas - TV, rádio, telefone e o uso do correio - e, principalmente, a comunicação de “muitos para muitos”. As novas tecnologias nos trazem o que tenho chamado de “outra ecologia pedagógica”. Por ecologia entendo aqui a descrição de um ambiente que tem características específicas e diversas daqueles a que estamos acostumados, principalmente no campo educacional. Os ambientes em que acontecem o ensino e a aprendizagem nos são conhecidos desde a infância. A entrada de novas tecnologias, a possibilidade combinada da comunicação de “um para um”, de “um para muitos” e de “muitos para muitos”, dá origem a um outro ambiente que precisa ser conhecido antes de se pensar em desenvolver educação através de ambientes online.
Essa outra ecologia pedagógica implica uma outra experiência com o tempo. Com o serviço postal temos um histórico de experiência social bastante difundida, de uso da comunicação chamada assíncrona, a que acontece ao longo do tempo, sem hora marcada. Mas o surgimento da Internet, do correio eletrônico, nos colocou diante de uma velocidade, de uma intensificação do uso desse tipo de comunicação, que deu origem a uma outra experiência, com uma outra temporalidade. A conjugação da temporalidade que nós já conhecemos e vivenciamos, a temporalidade síncrona, com os recursos assíncronos produz um outro tipo de temporalidade, a temporalidade multissíncrona, tanto distribuída no tempo quanto simultânea. Isso permite que continuemos desenvolvendo nossas atividades enquanto, em outros canais, vamos nos comunicando com pessoas de forma distribuída ao longo do tempo. É como se no ambiente online, pudéssemos interagir com outros como que em câmara lenta, num tempo mais elástico, enquanto desenvolvemos as atividades cotidianas síncronas.
É a sensação que temos quando desenvolvemos cursos que funcionam em ambiente online. É como se duas horas de curso pudessem ser esticadas para caber ao longo de uma semana sem que interrompamos nossas atividades para ingressar nessa interação coletiva de “todos com todos”. Isso acontece como se fosse em outra dimensão, num outro espaço. A sensação que têm aqueles que convivem e interagem em ambientes online é que eles estão compartilhando um espaço, estão se encontrando e isso acontece em um espaço. Não um espaço físico, mas virtual, um espaço de comunicação, um espaço relacional. Nesse novo tempo, nesse outro espaço, nós travamos contato com outra experiência social, a possibilidade de interação de “muitos com muitos” intensa, afetiva inclusive, base das chamadas “comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa”. Mas o que são elas?
Em primeiro lugar estamos falando de comunidades. Esse é um fenômeno que não é tecnológico. É proporcionado pela tecnologia, mas é fundamentalmente sociológico. Na sociologia a distinção entre comunidade e sociedade foi um fator fundamental até para o avanço das ciências sociais. Estamos agora voltando ao conceito de comunidade quando falamos de e-learning, de educação online e, especialmente, de comunidades virtuais de aprendizagem. É um fenômeno humano. São coletividades de pessoas, mas comunidades virtuais. Quando falamos em comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa estamos falando de alguma coisa que não depende mais da identificação local, como no tradicional conceito sociológico de “comunidade”. É uma comunidade de interesse. É localizada por um endereço, sim, mas um endereço lógico, e não físico.
Essas comunidades virtuais são de aprendizagem. Há comunidades de diversos tipos, com os interesses mais diversos. Há comunidades dedicadas a hobbies, criação de animais, pescarias, etc. Nesse sentido estamos tratando aqui especialmente de comunidades virtuais de aprendizagem, as que se formam com o objetivo de aprender mais, com o objetivo de construir conhecimento, de localizar informações que, organizadas e processadas, resultem em novos conhecimentos. Estamos falando de comunidades virtuais de aprendizagem, em que é possível a interação de “muitos com muitos” proporcionada pelas novidades introduzidas pela tecnologia da informação e da comunicação.
Comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa funcionam na base da colaboração. A regra básica é a reciprocidade. Todos ensinam a todos, todos aprendem com todos. Aquela concepção sócio-interacionista que hoje se torna cada vez mais importante em Educação, em que todos aprendem com todos e todos ensinam a todos, se realiza de forma plena nessas comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa.
Esta outra ecologia pedagógica leva a uma conseqüência importante. Ela requer um reconhecimento de que esse ambiente é diferente daquilo que temos experimentado tradicionalmente. É novo para muitas pessoas, o que requer um trabalho sério de ambientação. As pessoas estão mudando de ambiente quando entram em cursos online. Estão trabalhando em um ambiente que requer uma adaptação operacional. É preciso aprender a usar isso, a mexer com aquilo, operacionalmente. Mas há uma dimensão psico-pedagógica que precisa ser trabalhada. É um novo tempo. Mas como eu me agendo nesse tempo? Como eu me sinto atrasado ou adiantado em relação a essa temporalidade que acontece em câmara lenta em relação à temporalidade do cotidiano? Uma adaptação a um espaço que não é físico. Como é que eu posso me localizar nesse espaço, se ele não tem coordenadas físicas? Uma nova experiência social: como é que eu simpatizo ou antipatizo com pessoas que nunca vi?
É preciso dar tempo para que as pessoas se adaptem. Ambientação é fundamental. Isso requer a definição de novos perfis. Um perfil de educando que seja autônomo é muito importante para a aprendizagem, mas a sociedade hoje está exigindo outras coisas. Ela exige competências em “co-labor-atividade”. É um neologismo para caracterizar essa capacidade de aprender colaborando com muitos. Portanto, é um binômio que precisa ser desenvolvido, o binômio da autonomia e da interdependência. Também exige um outro perfil de educador. Um educador que, além do domínio que precisa ter da sua especialidade, além das técnicas didáticas que ele precisa conhecer, precisa desenvolver habilidades e competências de um líder comunitário, de um animador.
O termo animador é abundante na literatura especializada, usado por muitos teóricos que trabalham os novos ambientes virtuais. O animador de comunidades virtuais é alguém que desperta o ânimo das pessoas, que desperta a alma de uma coletividade. Anima quer dizer alma. Portanto, o animador é alguém que tem um papel de liderança nesse sentido, um facilitador dos processos de integração entre as pessoas, um guia que apresenta mapas para percursos individuais ou coletivos dentro de uma comunidade.
Quais as implicações embutidas em tudo isso? A primeira delas se torna a conseqüência imediata disso. Em empreendimentos de e-learning, se você busca resultados e quer o sucesso do projeto, é fundamental investir em aprendizagem colaborativa. Essa riqueza que está envolvida nos ambientes virtuais, a novidade da comunicação de “muitos para muitos” numa tecnologia até então desconhecida para a humanidade. As redes informatizadas, tornaram possível essa comunicação. Investir nisso, portanto, se torna o diferencial. Se você está pensando em desenvolver projetos de e-learning e deseja alcançar sucesso, invista em aprendizagem colaborativa. Dá quase para enunciar uma lei: “Quanto mais você investir em aprendizagem colaborativa, mais condições de sucesso você terá”. Quanto mais interação entre pessoas e ambientes favoráveis à colaboração e à aprendizagem colaborativa, maiores serão os índices de sucesso e menores os índices de fracasso.
A segunda implicação já é uma conseqüência: investir em “peopleware”. O e-learning tem sido muito ligado à tecnologia e, não há dúvida, ele depende da tecnologia. Para desenvolver bons projetos em e-learning é preciso, sim, investir em tecnologia, em hardware, em software, em conectividade. Mas a quantidade de investimento crítica e decisiva para um projeto de educação online é em peopleware, em pessoas capazes de utilizar essa tecnologia, não apenas capazes de operar. Operar é uma coisa, mas ser capaz de utilizar pedagogicamente um ambiente online é outra coisa, de extrema relevância. Se você está envolvido em um projeto de e-learning, compare a quantidade de investimento feita em hardware, em software, em conectividade e em peopleware. Preparar professores e alunos, educandos, ambientação de alunos online, é tarefa fundamental. Quanto você está investindo nisso? Quem já está implantando projetos, analise os resultados e verifique se está sendo feito o investimento adequado em peopleware. Não apenas operacionalmente. Não estamos falando de aprender a mexer no correio eletrônico ou navegar na web. Isso é necessário também, mas estamos falando de pedagogia.
Pedagogia é a chave para compreender isso. Na história dos recursos utilizados em educação, constituiu-se uma diferença muito clara: uma coisa é um livro e outra coisa é um curso. Mesmo que alguém dê a um livro o nome de curso, não há a menor possibilidade de passar pela cabeça de ninguém que, ao comprar um livro com nome de curso, e ao ler esse livro, uma pessoa esteja fazendo um curso. Há uma percepção clara na sociedade: livro é uma coisa, curso é outra. Essa clareza ainda não temos na Internet. Livros eletrônicos, conteúdos estruturados, planejados, organizados e trabalhados para serem disponibilizados utilizando os melhores recursos de tecnologia da informação, têm sido abundantes na Internet. Costumamos denominar este material de “recurso didático”. Mas, diante da novidade que ainda é o e-learning para a sociedade em geral, nós ainda não amadurecemos essa distinção que fazermos em relação ao livro. Ao chamarmos o recurso de “curso”, as pessoas acreditam que aquilo é mesmo um curso. E, pasmem, há pessoas se matriculando, como se fosse possível se matricular num livro. Em material interativo, com conteúdo disponibilizado na Internet, nós navegamos, não nos matriculamos. Não é curso. Pode ter o nome de “curso” porque pode servir como material didático para cursos, inclusive cursos online. É conteúdo organizado, serve para cursos, mas não é curso.
Curso é uma seqüência de atividades pedagógicas organizadas, planejadas, para atender objetivos de aprendizagem e que envolve fundamentalmente, quer na dimensão presencial quer na dimensão online, interação coletiva. Mesmo que um aluno em sala de aula se levante para fazer uma pergunta ao professor, ele está sendo ouvido por todos, e aquela pergunta pode ser interceptada por um outro aluno, que pode complementá-la ou respondê-la. O professor pode relançar essa pergunta para todo o grupo e pipocam respostas que conjugadas ajudam aquela coletividade, aquela comunidade a construir o conhecimento. A possibilidade de interação coletiva faz a diferença entre o que é um curso e o que é uma publicação. E isto vale para a educação online também.
Infelizmente essa clareza ainda não está dada quando se trata de educação online, porque a percepção de que essas novas tecnologias não são apenas tecnologias de informação, mas são também da comunicação, ainda não está suficientemente difundida. Não se trata de má fé. É pelo momento, pela imaturidade do mercado, tanto do lado de desenvolvedores quanto do lado de consumidores, que ainda não alcançaram clareza suficiente para não chamar de “curso” o que não é curso.
Para concluir, gostaria de deixar com vocês esta citação de um excelente livro (1) que chama a atenção para os aspectos ligados à construção de comunidades virtuais para aprendizagem, para e-learning:
Não é a conversão de um curso que precisa ocorrer, mas antes uma mudança de paradigma com relação à maneira com que nos vemos como educadores, como vemos nossos alunos, e como vemos a própria educação. Não é um currículo que estamos convertendo, mas nossa pedagogia. A pedagogia eletrônica não diz respeito a fantásticos pacotes de software ou a simples conversão de cursos. Diz respeito ao desenvolvimento de habilidades envolvidas com a construção de uma comunidade em meio a um grupo de aprendizes, de modo a maximizar os benefícios e o potencial que esse meio oferece na arena educacional.
(1) Palloff& Pratt, Building Learning Communities in Cyberspace. S. Francisco, Jossey-Bass, 1999.
(*) Especialista em educação on-line e consultor de empresas e universidades em projetos de e-Learning. Diretor técnico-pedagógico da Aquifolium Educacional.
Fonte: http://www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/palestra.html. Acessado em 24/09/2013.
REFLITA
São apresentados abaixo dois artigos da professora Cristina Haguenauer. Aproveite a leitura e reflita sobre os assuntos brilhantemente debatidos pela professora.
Ambientes Virtuais de Aprendizagem
Cristina Haguenauer*
Este artigo, adaptado do texto publicado originalmente na Revista Mídia e Educação em 7/08/2003, apresenta e discute aspectos relativos ao uso de Ambientes Virtuais de Aprendizagem.
É notável que o avanço tecnológico possibilitou uma nova realidade educacional: o ensino mediado por computador. A inserção do computador na educação provoca uma mudança de comportamento dos participantes do processo ensino - aprendizagem. Um de seus efeitos é o aumento crescente da quantidade de informação disponível e acessível aos alunos e professores. Paralelamente, surge a possibilidade de contato remoto entre os participantes do processo através da comunicação pela Internet. Desta forma, a sala de aula perde gradativamente suas fronteiras de tempo e espaço.
Esse novo ambiente de aprendizagem favorece também a reflexão e a reformulação das metodologias de ensino praticadas nas escolas e nas universidades.
O ambiente virtual propicia o resgate de uma postura mais ativa e menos passiva dos alunos. O professor também é afetado por estas mudanças, deixando de ser o centro do processo - detentor de todo o conhecimento – para transformar-se em um mediador das atividades de aprendizagem. Nessa nova realidade, o ensino tende a tornar-se mais individualizado, adaptando-se aos diferentes perfis psicológicos, formas de aprender e comportamentos dos diferentes alunos. O estudo adquire maior flexibilidade, podendo ser realizado de acordo com a disponibilidade de tempo do aluno e no local mais adequado.
O professor também precisa adaptar-se à nova tecnologia e ao seu novo papel na sala de aula virtual. Como essa é uma mudança brusca nos paradigmas do ensino tradicional, a opção pela modalidade semi-presencial atende às dificuldades de difusão e absorção de novas tecnologias, além de permitir um custo mais acessível do que nos programas de ensino totalmente a distância. Esse formato de transição (semi-presencial) não entra em choque com o modelo tradicional, apenas incorpora elementos novos ao modelo com que professores e alunos estão acostumados, facilitando a introdução das novas tecnologias.
O desenvolvimento de materiais didáticos para uso em Ambientes Virtuais de Aprendizagem exige conhecimentos de diversos campos, como informática, programação visual, psicologia da aprendizagem e o conteúdo específico a ser ensinado, o que pressupõe a existência de uma equipe transdisciplinar. Esse novo formato de trabalho leva o professor a uma reformulação de suas práticas e métodos de ensino, de forma a obter uma mudança de qualidade significativa no processo ensino - aprendizagem.
É fundamental fornecer suporte na preparação do professor para exercer suas funções neste novo ambiente, aproveitando ao máximo os recursos oferecidos pela plataforma. É de vital importância que o professor esteja preparado para se relacionar com seus alunos através da interface computacional e para isso ele precisa dominar as ferramentas disponíveis. Uma barreira a ser ultrapassada é a visão tradicional do professor sobre o ensino. A aplicação da tecnologia na educação, o que para muitos professores é vista como um risco, não substitui nenhum dos elementos envolvidos com o ensino presencial tradicional. O ensino semi-presencial mantém ainda as principais referências do ensino presencial. Desta forma, tanto alunos quanto professores, podem realizar uma transição suave para o novo contexto e os professores podem se concentrar na adaptação e utilização das estratégias mais adequadas ao novo ambiente de ensino.
Acreditamos que o uso de Ambientes Virtuais de Aprendizagem é mais uma alternativa para dinamizar o ensino e tornar as aulas presenciais mais agradáveis e interessantes. Porém, sua adoção como suporte ao ensino presencial, depende fortemente da existência de uma infra-estrutura adequada e de uma proposta pedagógica eficiente, fatores primordiais na promoção de uma melhoria significativa do processo ensino - aprendizagem.
Professores e alunos precisam ser alfabetizados em relação às possibilidades das novas tecnologias, de modo que os desníveis de conhecimento tornem-se cada vez menores. A curiosidade e o interesse, tanto dos alunos quanto dos professores, por novidades tecnológicas pode contribuir muito para o avanço da Educação apoiada pelas Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTICs).
* Profa. Cristina Haguenauer é Engenheira Civil pela UERJ, Mestre em Ciências pela PUC-RJ, Doutora pela Coppe/UFRJ. Professora da Escola de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Lingüística Aplicada da Faculdade de Letras da UFRJ. Pesquisadora na área de Tecnologias da Informação e da Comunicação aplicadas à Educação e à Gestão do Conhecimento, coordena o Latec – Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação desde de 2000.
** Adaptado do texto publicado originalmente na revista mídia e educação em 7/08/2003, http://www.tvebrasil.com.br/educacao.
Fonte: http://www.latec.ufrj.br/educaonline/index.php?option=com_content&view=article&id=49:ambientes-virtuais-de-aprendizagem&catid=41:artigos-tecnicos&Itemid=58. Acessado em 27/09/2013.
Análise das Ferramentas do Sistema Quantum de Educação Online
Este artigo apresenta uma análise das ferramentas e funcionalidades do Sistema Quantum de Educação online, utilizado como base para a construção do sistema de gestão de aprendizagem do Consórcio CEDERJ.
O CEDERJ (Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro) é formado pelo consórcio das universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro, congregando seis universidades: UENF, UERJ, UniRio, UFF, UFRJ e UFRRJ.
A equipe do CEDERJ percebendo a grande demanda do ensino a distância adotou uma plataforma que atende aos objetivos do processo ensino–aprendizagem virtual, tantos aos acadêmicos e aos administrativos. Esta plataforma está sendo desenvolvida por uma equipe técnica do CEDERJ, que conta com a participação de equipes das universidades consorciadas na testagem do desenho lógico; do projeto físico e do ambiente virtual.
A equipe de testagem da Plataforma de aprendizagem é ligada ao LATEC/UFRJ – Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação, da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Essa equipe de pesquisa vem estudando a Plataforma CEDERJ com o objetivo de produzir uma análise ampla de suas funcionalidades, além de discutir as metodologias de ensino mais adequadas ao uso da plataforma CEDERJ. A equipe do LATEC/UFRJ conta atualmente com cerca de dez pesquisadores envolvidos com o estudo de Ambientes Virtuais de Aprendizagem e com a testagem da Plataforma CEDERJ do CEDERJ.
A plataforma CEDERJ – Sistema Quantum é um sistema gerenciador que permite a administração de cursos da mesma forma que a secretaria de uma universidade; matrícula, freqüência, notas e participação dos alunos podem ser verificadas. Oferece ferramentas de interação e comunicação, ferramentas de informação e ferramenta de conteúdo que auxiliam e facilitam o processo de ensino-aprendizagem.
Descrição das ferramentas
Agenda do curso: a agenda do curso é um calendário onde o coordenador pode registrar os principais eventos relacionados ao curso como época para matrícula, datas de exames, horário de bate-papo (chat), data de início e termino do evento divulgado.
Bibliografia: são colocados os títulos e resumos dos livros, artigos, teses, revistas e outros materiais que foram utilizados no desenvolvimento do curso.
Biblioteca: são apresentados links com sinópses para webpages indicados no curso.
Chat: o chat (ou bate-papo) é um ambiente que permite uma comunicação sincróna entre os participantes. Ao entrar no chat o participante tem uma visão de todos que estão conectados a internet naquele momento, podendo ter uma conversa reservada, com apenas um participante, ou com todos os integrantes da sala.
E-mail: o link e-mail apresenta a relação dos participantes. Para mandar uma mensagem para um participante basta seleciona-lo na lista, que funciona como uma lista de distribuição.
Download: o professor pode disponibilizar arquivos, contendo aplicações específicas que o aluno pode usar mesmo depois de se desconectar da internet.
FAQ: Frequently Asked Questions (perguntas mais frequentes) - é uma relação de perguntas e respostas que estão disponíveis para consulta a qualquer momento, alimentada pelo professor e coordenador.
Fórum: é um recurso para a realização de discussões e debates na internet. Ele permite que tanto professores como alunos exponham suas idéias e opiniões acerca dos assuntos referentes ao curso. O fluxo de comunicação do Fórum é de todos para todos e, neste caso, deve ser feito através do ambiente, isto é, você tem que estar conectado ao curso.
Mural: Área onde os coordenadores e professores disponibilizam recados e avisos para os alunos. Há a opção de permitir ao aluno colocar mensagens também.
Quadro de avisos: É uma área livre onde somente os professores e coordenadores podem colocar recados.
Tira dúvidas: Área específica para a exposição das dúvidas do aluno para posterior esclarecimento pelo professor.
Janela Pop up: ao entrar na sala de aula o aluno visualiza esta janela, onde o professor pode inserir informações diversas.
Classificação das ferramentas
As ferramentas apresentadas anteriormente são classificadas como Ferramentas de Interação e Comunicação, Ferramentas de Informação e Ferramenta de Conteúdo.
As ferramentas de interação e comunicação permitem a comunicação síncrona ou assíncrona em várias direções; As ferramentas de informação possibilitam o aluno o acesso às fontes utilizadas para a realização do curso e as indicadas. Ocorre de forma unidirecional, ou seja, é realizada somente do professor ou coordenador para todos os alunos;A ferramenta de conteúdo possibilita ao aluno aprofundar ou não seu estudo, de acordo com sua necessidade e sua disponibilidade.
Comparação e análise das ferramentas
Chat, fórum, e-mail, agenda, faq, tira dúvidas... São muitas as ferramentas disponibilizadas pelas plataformas de EAD em geral e, em particular, pela plataforma CEDERJ sistema Quantum. A utilização das ferramentas para melhorar o desempenho do ponto de vista ensino aprendizagem deve passar por uma “seleção criteriosa”, pois dependendo da funcionalidade aplicada a cada uma das ferramentas, a sua seleção pode tornar-se redundante. Assim, é fundamental que utilização das ferramentas esteja inserida no desenho instrucional do curso.
A criatividade torna-se um diferencial quando nos referimos a funcionalidade de uma determinada ferramenta; a mesma pode ser utilizada de diversas formas; a agenda por exemplo, pode conter o cronograma de um curso ou eventos importantes relacionados ao conteúdo deste.
As ferramentas agrupadas abaixo possuem características semelhantes, porém apresentam diferentes especificidades:
Fórum X Chat
A diferença entre estas ferramentas consiste na forma como a comunicação ocorre; no fórum a comunicação ocorre assincronamente enquanto no chat, de forma síncrona. O chat tem um inconveniente pois exige que todos os participantes estejam conectados em determinada hora, excluindo, desta forma, os que não estão disponíveis na hora marcada e fugindo assim da proposta da EAD. Outro inconveniente do chat é que ele não “grava” as informações que foram debatidas. No fórum, as mensagens ficam registradas e podem ser acessadas a qualquer momento, possibilitando que algum assunto discutido e colocações feitas sejam revistas. Isso possibilita que o aluno verifique, ao longo do curso, a evolução de sua aprendizagem em relação a um determinado assunto discutido.
Mural X Quadro de Avisos
Bibliografia X Biblioteca
É imprescindível que o desenvolvedor do curso saiba distinguir a funcionalidade de cada uma destas ferramentas. Na bibliografia devem ser inseridos os materiais utilizados no conteúdo do curso, já na biblioteca se insere materiais diversos relacionados a assuntos estudados no curso.
Tira dúvidas X FAQ
Dependendo do desenho do curso, as ferramentas tira dúvidas e o FAQ podem tornar-se repetitivas, confundindo o aluno pois este pode não saber qual ferramenta deve utilizar para esclarecer suas dúvidas. Nos cursos produzidos, foram utilizadas principalmente as seguintes ferramentas, com as seguintes funções:
AGENDA – foi utilizada para possibilitar ao aluno um acesso rápido ao cronograma do curso;
FÓRUM – utilizado como espaço de discussão as questões propostas pelo tutor. A dinâmica proposta seria a discussão entre os alunos, porém como a maior parte dos alunos nunca teve uma experiência anterior com ensino a distância via web, houve muita resistência e a eficiência da utilização do Forum ficou bastante reduzida.
FAQ – teve como proposta a colocação das perguntas referentes ao uso da plataforma e das ferramentas;
TIRA DÚVIDAS – A utilização desta ferramenta mostrou-se redundante e criou certa confusão entre os alunos sobre a melhor forma de postar suas dúvidas,
E-MAIL – permitiu a troca de e-mails entre alunos e tutores de forma bastante eficiente.
MURAL – foi utilizado para que os alunos se apresentassem, fazendo uma dinâmica de apresentação. A dinâmica funcionou bem, pois isso fez com que o aluno se sentisse mais a vontade, criando um vínculo emocional com o processo. Desenvolveu-se uma atividade tipo gincana, onde os alunos colocaram arquivos de determinado conteúdo e os mesmos foram usados para gerar tópicos de discussão no fórum.
Janela Pop up – informações e sugestões do tema estudado enviadas pelos alunos foram disponibilizados por três dias após o envio; isto fez com que os alunos estivessem sempre informados.
Conclusão
Devido às várias possibilidades oferecidas pela plataforma, é de extrema importância um estudo detalhado das funcionalidades das ferramentas, de forma a utilizar apenas aquelas estritamente necessárias e da forma mais adequada.
Devido à grande semelhança nas funções de algumas ferramentas, deve-se tomar muito cuidado com escolhas inadequadas, que podem criar redundâncias e conflitos, causando prejuízos ao processo de aprendizagem.
Plataformas de ensino a distância oferecem diversas ferramentas de comunicação e diversas formas de disponibilização do material didático, que facilitam o processo de aprendizagem. No entanto, o computador e a Internet ainda se apresentam como interfaces que se colocam entre o aluno e o professor e entre o aluno e o objeto de estudo. Portanto, é sempre importante ressaltar que a metodologia, a pedagogia e a eficácia da atuação das equipes de implementação assumem o papel principal no processo ensino - aprendizagem. Neste contexto, o projeto pedagógico é o principal responsável pelo êxito do programa de ensino.
Fonte: http://www.latec.ufrj.br/educaonline/index.php?option=com_content&view=article&id=63:ferramentas-da-plataforma-quantum&catid=41:artigos-tecnicos&Itemid=58. Acessado em 27/09/2013.
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MORAN, José Manuel; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. (org.). Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas-SP: Papirus, 2000.
1. Abaixo são relacionados alguns questionamentos a respeito da EaD. Responda aos questionamentos refletindo sobre os debates apresentados nesta unidade. Escreva um breve parágrafo sobre cada um dos questionamentos.
2. Na EaD, a utilização da tecnologia como didática alterou os papéis tradicionais do professor e do aluno. O que mudou nestes papéis?
3. Quais as principais dificuldades para a implementação do Ensino a Distância no Brasil?
4. A EaD pode ter a mesma qualidade da educação presencial?
5. A EaD pode representar um importante fator de democratização da educação, principalmente com relação a educação Superior?
A disciplina de Redes Sociais e Tecnologia da Informação e Comunicação trabalhou temas relevantes sobre as tecnologias que possibilitam que o trabalho colaborativo também se estenda a questões teóricas e práticas.
O uso das TICs, principalmente a internet, permite um espaço favorável para a democratização do saber. O conhecimento não se restringe somente a um grupo, é compartilhado por um amplo número de indivíduos, independente do local em que é produzido.
As distâncias são minimizadas pelo ambiente em rede, promovendo trocas colaborativas, criativas e autônomas. A escola e a família têm que estar atentas a essas mudanças inevitáveis, nunca deixando de lado os valores humanos e éticos, indispensáveis a um convívio social mais harmônico.
Entretanto, não basta apenas ter acesso às tecnologias, é preciso preparar os indivíduos, tanto na sua formação cultural, principalmente no domínio do código escrito, quanto no exercício de uma postura ética e responsável em relação aos ambientes em rede.
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