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Olá caro(a) aluno(a),
Sou Carlos Eduardo Cayres, graduado em Ciência da Computação pela UNIDERP – Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da região do Pantanal, Especialista em Desenvolvimento de Aplicações para Internet pela mesma IES. Atuo como professor universitário desde 1998 na área de teoria da computação, desenvolvimento web e programação de computadores. Atualmente sou coordenador do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Universidade Anhanguera-Uniderp e trabalho na área de desenvolvimento de Sistemas para Internet.
A disciplina de Redes Sociais e Tecnologia da Informação e Comunicação terá seu conteúdo dividido em 3 unidades. Na unidade I serão abordadas as mudanças na sociedade e no trabalho, provocadas pelas novas tecnologias. Na unidade II trabalharemos com a aplicação das novas tecnologias na EaD e suas formas de mediação. Já na unidade III, vamos debater a organização e construção da ação educativa em ambientes virtuais.
Bons estudos!
Objetivos de Aprendizagem
Apresentar as novas formas de relações pessoais e de trabalho medianas pela Tecnologia da Informação e da Comunicação, seus recursos e ferramentas..
O trabalho colaborativo tem sido potencializado pelo uso das tecnologias, possibilitando também que se estenda a questões teóricas e práticas. A ênfase em torno do trabalho agora é criar possibilidades de cooperações e produções coletivas.
É preciso tomar cuidado ao examinar tudo isso. Serão apresentadas especulações em torno do trabalho e sua organização a partir das novas técnicas em rede, sem a pretensão de fechar este ponto ainda em pleno desenvolvimento, introduzindo um diálogo sobre a cultura tecnológica e suas implicações nas mudanças no trabalho.
Grande parte dos trabalhos relacionados à Cibercultura tem deixado de lado um aspecto importante que é seu lado sociológico, definindo-se três aspectos em uma forma nova de trabalho social:
Uma mudança cultural, estabelecendo uma nova relação mais horizontal e interativa que as mídias anteriores.
Tendo aspecto de trabalho, ainda de forma não muito clara, pode ser classificado como imaterial.
Como principal aspecto é que este produto é socializado e existe a tendência de ser produto livre de código aberto.
Como se deu o surgimento do primeiro instrumento de trabalho, um pedaço de pau para atingir um animal ou pegar uma fruta em uma árvore, isso não importa. Foi com o uso do fogo com elemento transformador do alimento que o homem introduziu a subjetividade no trabalho e na sobrevivência, para transformar o alimento produzido em um novo alimento ou para seu aquecimento.
Provavelmente, a escrita surgiu nesta fase, ainda que expressa na forma de desenho de animais, também é provável que os chifres de animais abatidos fossem um dos primeiros instrumentos de trabalho deste homem.
Este foi certamente, um dos elementos acelerador da formação da comunidade e de transformação da simples coleta do alimento na natureza, para a formação de comunidades sedentárias com o início de cultivo. Os rios tiveram grande influência na formação das primeiras grandes civilizações do ocidente.
Surgem neste período os primeiros códigos e as primeiras escritas, os escribas passam a ocupar papel de destaque nas cortes, dando um impulso no desenvolvimento da subjetividade humana.
A forma de expressão deste período é tradicionalmente oral, ou seja, fundamentada nos ensinamentos passados às pessoas de forma “falada”, pois os escritos em papirus tinham alto custo e muitas vezes estes eram lavados destruindo as informações ali contidas, para escrita de novas informações.
A indústria moderna organizou os aspectos objetivos do trabalho, como conjunto de atividades, recursos, instrumentos e técnicas de que o homem se serve para produzir, em uma velocidade não conhecida antes.
O desenvolvimento das técnicas químicas e mecânicas inicialmente, e as elétricas e eletrônicas em uma segunda fase, apresentaram um progresso material jamais experimentado pela humanidade em tão curto espaço de tempo, porém os aspectos subjetivos necessários ao desenvolvimento humano foram deixados em segundo plano, quando não ignorados.
A subjetividade agora não implica apenas na distribuição dos bens materiais e culturais, mas na aceitação destes bens entre diversas formas de bens da cultura, incluindo a espiritualidade e a religião.
É sensível que os povos desejam esta autonomia e ao mesmo tempo desejam a coparticipação no desenvolvimento global, porém a gestão de bens e de sua distribuição sofre ainda os antagonismos que precipitaram duas grandes guerras mundiais.
Tecnologia é um termo que abrange o conhecimento técnico e científico e a aplicação destes conhecimentos por meio de sua transformação no uso de ferramentas, processos e materiais elaborados ou empregados a partir de tal conhecimento.
A tecnologia tem ganhado cada vez mais espaço na vida social dos indivíduos. As atuais inovações tecnológicas têm como principal ferramenta os computadores, que são utilizados em atividades práticas no dia a dia das pessoas. Nas últimas décadas o crescimento do uso dos computadores tem sido apontado como uma das principais causas do desenvolvimento tecnológico, como pode ser observado na Figura 1.
Figura 1 - Recursos tecnológicos.
Segundo Bonilla (2005), o termo “sociedade da informação” vem sendo utilizado para caracterizar a época atual em que vivemos referenciando as mudanças relacionadas às TICs, à economia, estilo de vida e outros aspectos. A autora destaca algumas definições de sociedade da informação:
Definição tecnológica: a ênfase reside no espetacular avanço das tecnologias e das notáveis transformações nos processos de armazenamento e transmissão da informação.
Definição econômica: relacionada à mensuração do tamanho e crescimento da indústria da informação.
Definição ocupacional: baseada nas transformações que vêm ocorrendo no setor do trabalho.
Definição espacial: sustentada pelas ideias de velocidade e compreensão do espaço-tempo global.
Definição cultural: referente ao crescente volume de informações que circulam diariamente pelos meios de comunicação e formam um novo ambiente informacional.
As definições citadas ainda não tornam o conceito de sociedade da informação preciso. Tais conceitos atribuem destaque as TICs no cotidiano da sociedade moderna, mas são insuficientes para defini-las por completo.
Muitas são as interpretações sobre as inovações tecnológicas, criando-se diversos conceitos a respeito. Segundo Schaff (1993), as mudanças sociais que estão ocorrendo são definidas como “revolução técnico-científica”, tendo como um de seus desdobramentos a “segunda revolução técnico-industrial”, trazendo a microeletrônica com eixo principal. Para o autor o desemprego foi uma das maiores consequências de tal “revolução”, as pessoas perderam seus empregos para a automatização industrial. Isso provocou um incremento da produtividade e da riqueza social e ao mesmo tempo a redução da demanda de trabalho humano.
Realmente, ao se incorporar novas tecnológicas ao processo produtivo, tende-se a gerar uma maior valorização do capital, reduzindo o uso de material humano. Não quer dizer que a mão de obra humana seja substituída pelas máquinas, mesmo porque, as máquinas são consideradas instrumentos de trabalho. Desprezar o trabalho humano faz com que o entendimento das mudanças históricas da época se tornem sem sentido.
É fato que as novas tecnologias estão cada vez mais presentes na sociedade atual, mas isto não quer dizer que ela seja o centro das relações sociais, mesmo que exerçam um forte impacto nestas relações.
As Tecnologias da Informação e da Comunicação são a definição de ferramentas criadas para satisfazer necessidades do homem, tendo como principal criador a sociedade capitalista.
Algumas formas de regulação social foram criadas para se manter as bases da sociedade capitalista. Segundo Gerra (2000), destaca-se a “racionalidade instrumental”, que encontra-se dependente do alcance de fins particulares e resultados imediatos. Isso a torna útil às estruturas da sociedade capitalista, reduzindo a reflexão crítica humana a meras técnicas.
A tecnologia tem grande expansão com o surgimento da computação eletrônica e da informática. Na cultura moderna faz parte do cotidiano dos indivíduos em todas as áreas de conhecimento e atuação, até mesmo no convívio humano através das redes sociais.
Figura 2 - Tecnológicos no trabalho.
A utilização desta tecnologia não passa apenas pelo saber as técnicas e ferramentas, mas deve passar pelo verdadeiro por que da sua utilização pelo indivíduo agente.
As novas tecnologias da informação e da comunicação trazem muitas consequências e pode-se observar seu poder multiplicador em praticamente todos os meios de convivência dos indivíduos. Em várias áreas as TIC têm trazido novas formas de expressão, conhecimentos, possibilidades, pensamentos e por consequência, novos desafios e perspectivas.
Diante da importância de se reconhecer o verdadeiro papel da tecnologia na sociedade atual, não sendo apenas caracterizado como conhecimento dos meios e ferramentas disponíveis, mas sim como algo que modifica, produz e reproduz métodos inovadores e diferenciados de viver e de se inserir nas relações sociais (VELOSO, 2012).
A internet em seus vários desdobramentos quanto a disponibilização de recursos de interação entre indivíduos, tem apresentado um potencial significativo. Seus recursos facilitam a interação e comunicação entre grupos heterogêneos, possibilitando em tese, a manutenção das identidades culturais e dos valores éticos.
Atualmente a Internet se configura não apenas como uma questão tecnológica, ela pode ser entendida como um importante fator cultural que influencia nas mudanças das formas de se relacionar e viver em sociedade.
Os meios de comunicação instantâneos, por exemplo, as redes sociais, blogs, Skype, e-mails e outros (Figura 3), a Internet tem modificado significativamente os meios de comunicação entre os indivíduos. Da mesma forma, a Internet tem sido utilizada como meio de produção e disseminação de grandes quantidades de informação, por exemplo, bibliotecas digitais, livros disponíveis em rede, e a própria Wikipédia uma grande enciclopédia virtual. Utilizada de forma correta, a Internet pode-se configurar como uma importante ferramenta para o desenvolvimento pessoal e coletivo, proporcionando inúmeras contribuições para o trabalho, o ensino, o laser e a cultura (VELOSO, 2012).
Figura 3 - Ferramentas de comunicação.
A possibilidade de produzir mudanças na qualidade referentes ao contexto social aponta para a importância da tecnologia. É um potencial que pode servir tanto ao interesse das classes dominantes da sociedade, e também contribuir para elaboração de um projeto voltado a população de massa (VELOSO, 2012).
Para que todo o potencial das TIC seja realmente sedimentado, faz-se necessário um processo adequação deste recurso, valorizando outras competências e não somente a tecnologia (VELOSO, 2012).
Utilizar de forma crítica e rígida os recursos tecnológicos pode trazer alterações na realização de muitas atribuições e competências. Isso tende a gerar efeitos positivos no desenvolvimento das diversas profissões. A utilização dos recursos das TIC pode contribuir para que os profissionais potencializem competências e habilidades no contexto de sua atuação em diversas políticas sociais públicas (VELOSO, 2012).
As TIC podem nos ajudar a identificar as desigualdades e potencializá-las, ao mesmo tempo estipular as relações entre diferentes dados e informações, estimulando espaços para o diálogo, aprendizagem e compartilhamento (VELOSO, 2012).
Segundo Veloso (2012), no que se refere às profissões quanto ao uso das TIC aponta-se para algumas condições fundamentais, sendo três elementos básicos que possibilitam a integração das TIC ao trabalho: vontade e interesse dos profissionais em utilizar as tecnologias; existência de condições de trabalho adequadas; existência de formação profissional voltada para o tratamento deste tema (VELOSO, 2012).
Um dos fatores importantes para uma melhor absorção das TIC ao trabalho é a formação profissional, que deve contribuir para operacionalizar os recursos técnicos e também, quebrar o paradigma da resistência do seu uso, demonstrando as diversas alternativas e efeitos positivos da utilização correta da tecnologia (VELOSO, 2012).
Uma das alternativas para tentar quebrar a resistência ao uso das TIC por parte dos profissionais das diversas áreas é a reflexão que pode ser realizada nos meios de capacitação, como cursos de graduação, pós-graduação, capacitações e demais espaços de debate (VELOSO, 2012).
No que se refere à formação profissional, não se pode pensar em um simples ensino da informática básica, mas uma formação que direcione os profissionais para o entendimento e absorção dos potenciais das TIC, possibilitando a inserção dos benefícios da tecnologia no ambiente de trabalho. Não se pode esquecer que para uma adequação das TIC ao ambiente de trabalho é preciso verificar as condições e disponibilidade de recursos físicos, materiais e humano em quantidade e qualidade necessárias para realização das atividades tecnológicas.
Outro fator relevante quanto à absorção das TIC no ambiente de trabalho, está relacionada ao interesse dos profissionais no seu uso. A resistência dos profissionais em inserir no seu trabalho os recursos oferecidos pelas tecnologias pode estar relacionada à falta de interesse no seu uso, ou seja, não há interesse, mas na verdade, há uma resistência quanto à incorporação das TIC no ambiente de trabalho.
Tal resistência está relacionada às mudanças e melhorias que as TIC podem introduzir na realização das tarefas do cotidiano do profissional. Isso implica em atualização profissional, mudança de perfil, que traz melhorias na execução dos trabalhos, direcionando o profissional para as novas tendências inovadoras e firmando sua presença no mercado de trabalho cada vez mais tecnológico.
Uma abordagem mais aprofundada da importância da inserção das TIC no trabalho durante a formação profissional é um fator que pode contribuir muito para a quebra da barreira que ainda existe a tal inserção.
Para fixar a inserção das TIC no ambiente de trabalho subtende-se que no processo de formação profissional sejam abordando tanto os aspectos gerais do uso da tecnologia, quanto os benefícios que as TIC podem agregar às profissões.
Alguns profissionais buscam qualificação por meio de cursos de informática básica voltada para os editores de texto, planilhas eletrônicas e outros aplicativos mais utilizados no cotidiano do trabalho. Em alguns casos a qualificação se dá dentro da própria empresa, até mesmo por necessidade de aperfeiçoamento em virtude de mudanças nos sistemas operados pelos profissionais.
A grande demanda das atividades desenvolvidas no dia a dia dos profissionais fomenta a necessidade da inserção das TIC. É importante identificar as necessidades nos processos do trabalho para adequação das tecnologias apropriadas.
A importância da abordagem das TIC na formação profissional não quer dizer que tal conteúdo deva ter prioridade sobre os demais conteúdos que contemplam a formação profissional nas diversas áreas. A tecnologia deve ser trabalhada em igualdade de relevância com as demais competências e habilidades que fazem parte do trabalho profissional, deixando bem claro que a tecnologia não é prioridade na autonomia do trabalho, mas segundo Veloso (2012) no projeto profissional, nos valores e nas referências fundamentais das profissões.
Sendo assim, a formação profissional preocupada com a abordagem das TIC pode contribui para que seja tratada como conteúdo complementar na formação profissional, útil partindo do princípio que possibilita uma articulação das competências profissionais, não sendo no processo de formação, o principal item.
Conforme Veloso (2102), a presença das TIC na formação profissional é uma condição de grande importância, embora não seja a única para que o processo de introdução das tecnologias ao trabalho aconteça de forma rica e consistente. A abordagem das TIC na formação profissional pode tornar-se fundamental para que os profissionais possam desenvolver uma percepção criteriosa de tais tecnologias.
Com as discussões anteriores é possível verificar que informatizar não leva naturalmente a introdução das TIC no trabalho. Tal introdução precisa de condições para que os profissionais entendam o verdadeiro potencial que os recursos da tecnologia podem agregar ao trabalho.
Segundo Veloso (2012), isso demanda um série de esforços que envolvem a existência de condições adequadas de trabalhos, bem como envolvimento com o trabalho, vontade política, formação e qualificação profissional contínuas, dentre outros fatores. Muitas vezes as condições necessárias para a incorporação das TIC não estão disponíveis para os profissionais, dificultando tal incorporação. Portanto, conhecer as condições de trabalho dos profissionais é vital para que a incorporação das TIC seja possível.
Embora condições para incorporação não seja o único pré-requisito, considera-se aspecto básico, sendo condição a presença de materiais e objetos necessários à incorporação.
Em muitas organizações a falta de condições adequadas de trabalho, até mesmo a falta de requisitos mínimos necessários para o desenvolvimento profissional sobrecarregando o trabalhador, gerando um ambiente tenso e estressante.
Mesmo com tantas dificuldades muito profissionais sonham com a inserção com a introdução das TIC nas rotinas do trabalho, tentando eliminar as barreiras reais presentes no dia a dia. Pode-se apontar a dificuldade de acesso a equipamentos básicos para a prática das TIC, como computadores, impressoras, suprimentos de informática, e também, a falta de espaços para qualificação na área.
Para uma efetiva introdução das TIC no ambiente profissional é relevante que as condições de trabalho sejam favoráveis. Ma maioria dos casos a frequência da tecnologia se dá em ambientes de trabalho que existam condições que os profissionais acreditam ser adequadas.
Incentivar a introdução das TIC à rotina do trabalho deve passar por uma reflexão da importância que as condições de trabalho exercem em tal processo. A simples existência de condições não garante a introdução das TIC, é preciso articulação entre condições e potencialidades que as TIC poderão agregar ao trabalho, aí sim, processos de formação profissional que atenda as demandas e especificidades de cada profissão se fazem necessário, ajudando no processo de introdução da TIC no trabalho.
As tecnologias possibilitam que o trabalho colaborativo também se estenda a questões teóricas e práticas. A ênfase em torno do trabalho agora é criar possibilidades de cooperações e produções coletivas.
É preciso tomar cuidado ao examinar tudo isso, foi apresentada uma deliberada especulação em torno do trabalho e sua organização a partir das novas técnicas em rede, sem a pretensão de fechar este ponto ainda em pleno desenvolvimento, mas de introduzir o diálogo sobre Cibercultura.
No link a seguir há um vídeo sobre TIC – Tecnologia da Informação
e da Comunicação:
<http://www.youtube.com/watch?v=cl1291SqSow>.
É apresentado abaixo um artigo da professora Martorelli Dantas debatendo EaD, ambiente corporativo e formação continuada. Aproveite a leitura e reflita sobre os assuntos brilhantemente debatidos pela professora.
O ENSINO A DISTÂNCIA NO AMBIENTE CORPORATIVO, UMA FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA
Martorelli Dantas(*)
Não é de hoje que se diz que é preciso estudar sempre. É necessário que os profissionais, sejam quais forem as suas áreas de atuação, estejam em contínuo processo de desenvolvimento e aprendizado. Esta realidade tem feito profissionais já estabelecidos no mercado de trabalho retornarem aos bancos escolares, para fazerem MBA’s e cursos de especialização. Refletir, repensar e trocar experiências com outras pessoas igualmente envolvidas no mundo produtivo tornou-se compulsório.
Mas nem todas as pessoas têm oportunidade de tempo e condições financeiras para estes cursos, que em geral são caros e demandam o deslocamento do profissional, freqüentemente, para outros países, e quando não, para outros estados. Há profissionais que estão em um momento tal de suas vidas que a retirada do “front” de trabalho neste instante não seria estratégica. As razões são várias: dificilmente conseguiriam retornar para ocupar a mesma posição depois do período de estudos, não têm reservas financeiras para bancarem tal afastamento, não contam com um projeto de estímulo à educação continuada em suas empresas. É para esses profissionais, inclusive, que o modelo corporativo de EaD (Ensino a Distância) parece-me especialmente apropriado.
Disse “inclusive” porque EaD não é uma forma de estudar para quem não tem tempo ou dinheiro. Quem não tem tempo para estudar e não tem recursos para financiar este estudo, nem conta com quem possa fazê-lo, simplesmente não pode estudar. É urgente que desfaçamos o engano de que é possível fazer bons cursos, ter bons professores e ter um crescimento profissional real sem investimento. Isso não é possível, e acredito que nunca foi nem nunca será.
Mas voltando à questão da utilização do Ensino a Distância no ambiente corporativo, devo afirmar que esta tem sido uma tendência dos nossos dias.
Primeiro foram as grandes universidades do mundo que começaram a utilizar com seus alunos de MBA, já na década de 80, meios como apostilas, fitas de vídeo e áudio, para instruírem aqueles com maior dificuldade de deslocamento. Com o advento da Internet parece que todos esses recursos encontraram um só caminho para ligarem alunos, professores e a própria instituição de ensino. Isso com a facilidade de que a comunicação pode ser feita não apenas de um para muitos, mas de forma completamente interativa, constituindo uma verdadeira comunidade de aprendizado.
Mais recentemente as empresas de grande porte como a Accor Brasil, BankBoston, DataSul e Visa perceberam o potencial e a necessidade de manter suas estrelas dentro de suas próprias portas e criaram as Universidades Corporativas. Elas, nada mais são, que a criação, intramurus, de comunidades de aprendizado colaborativo, que oferecem a oportunidade aos funcionários da empresa de trocarem suas experiências e aprenderem com especialistas convidados. E nenhum canal se mostrou mais eficaz para isso que a Internet, com seus recursos multimídia e infindas possibilidades de interação.
Se a escola entrou na empresa, e não mais para alfabetizar, é preciso também que a pedagogia faça o mesmo. Não há formação, crescimento e transformação sem educação, e o ensino corporativo não é exceção à regra. É preciso formar educadores capazes de dimensionar modelos e estratégias próprias para a implantação de sistemas de educação continuada através do EaD dentro das empresas, sob risco de despendermos inutilmente esforços, tempo e recursos.
A Aquifolium é uma empresa, entre outras, que tem se dedicado a preparar esses educadores para agirem dentro de universidades, escolas, corporações e iniciativas independentes.
Já passaram por nossos cursos, eventos e palestras mais de mil alunos, os quais estão engajados em um mercado de trabalho crescente e exigente. Acredito que muitas empresas que já possuem toda uma estrutura de comunicação interna através da Internet, poderiam usar os equipamentos e o pessoal treinado, sob a supervisão e orientação de educadores, para desenvolver seus próprios cursos de aperfeiçoamento profissional. Para implementá-los não precisa ser rico, basta ser grande.
(*) A autora é professora da Escola Superior de Marketing do Recife, da Universidade de Pernambuco e membro da Equipe Pedagógica da Aquifolium Educacional.
Fonte : <http://www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/martorelli.html.> Acessado em 23/09/2013.
REFLITA
É apresentada abaixo uma entrevista do professor Wilson Azevedo debatendo a tecnologia na educação. Aproveite a leitura e reflita sobre os assuntos brilhantemente debatidos pelo professor.
TECNOLOGIA EM FAVOR DA EDUCAÇÃO
Entrevista concedida ao portal WWWork
Wilson Azevedo
wwwork: Quais são os serviços oferecidos pela Aquifolium?
Wilson Azevedo: A Aquifolium é uma empresa que desenvolve projetos para a internet, com forte ênfase no aspecto humano e comunicacional da rede, sem negligenciar o tratamento adequado da tecnologia. Nossa unidade de negócios educacionais, a Aquifolium Educacional, dedica-se especificamente à educação on line, isto é, ao desenvolvimento de projetos de educação utilizando redes informatizadas, sendo a educação à distância o principal campo que vem demandando nossa atuação.
wwwork: Na sua opinião, como está sendo o desenvolvimento do ensino à distância no Brasil?
Wilson Azevedo: Primeiramente, creio que deve-se destacar que o Brasil ocupa posição de destaque em nível mundial no que diz respeito à educação à distância. Aqui foram desenvolvidos os mais bem-sucedidos programas com uso de rádio e TV. Um exemplo deles é o TeleCurso 2000, caso de sucesso, destacado mundialmente. Mas, ainda estamos num processo embrionário. Temos algumas iniciativas que deveriam ser corretamente classificadas no campo editorial e no mercado de publicações, embora esteja muito claro para a maioria das pessoas que o fato de se ler um livro que tem o título “curso de alguma coisa” não significa que se esteja efetivamente fazendo um curso. Ainda não se tem a mesma clareza quando se trata de publicações eletrônicas em páginas na web.
wwwork: A educação à distância existe desde fins do século XVIII. A evolução da tecnologia é um dos principais motivos para a popularização do ensino à distância? Você acha que é uma tendência a utilização cada vez mais frequente e usual da internet no ensino?
Wilson Azevedo: Não diria que estejamos assistindo a uma popularização da EaD no Brasil. Pelo contrário, estamos assistindo a um processo compreensível de elitização da educação à distância. A EaD no Brasil sempre foi vista como uma modalidade popular, ou voltada para os andares inferiores do edifício social, uma maneira de, supletivamente, atender aos que iam ficando excluídos do sistema educacional presencial. Nossos principais programas à distância sempre estiveram voltados à alfabetização e à formação básica da população de baixa renda.
O advento das redes corporativas e da internet conferiu um novo status a educação à distância. A educação online vem sendo vista por empresas e instituições de ensino como uma forma nova de atender a outro tipo de excluído, não o excluído social, mas o excluído pela falta de disponibilidade de tempo ou pela distância em relação aos centros de excelência, uma elite gerencial, executiva, profissional que vem se dirigindo os mais recentes esforços em educação online.
wwwork: Quais são as vantagens e desvantagens da educação à distância para os alunos e professores?
Wilson Azevedo: As principais vantagens, mas também os maiores perigos, se encontram na flexibilidade em relação ao tempo. Alunos e professores não ficam mais presos às grades de horários que definem uma hora para começar e outra para encerrar uma aula. Alunos e professores precisam de maior disciplina para estabelecer os horários que lhes são mais convenientes - e efetivamente dedicar-se ao estudo nestes horários. Isto requer um perfil mais autônomo e independente para o aluno, coisa que nosso sistema educacional não incentiva nem desenvolve.
Além disto, no caso específico da educação on line, o aluno - e também o professor - precisa adaptar-se a uma outra ecologia pedagógica, um outro ambiente caracterizado por uma temporalidade multissincrona, uma espacialidade virtual e uma sociabilidade comunitária. Esta adaptação é um processo delicado que precisa ser bem trabalhado para evitar-se o fracasso, a angústia e a frustração.
wwwork: E a relação entre estudante e professor, não fica prejudicada?
Wilson Azevedo: Na EaD convencional, baseada em módulos auto-instrucionais, com uso de servico postal, rádio ou TV, este sempre foi um problema. Mais ainda do que a relação estudante-professor, a fecunda experiência de relacionamento interpessoal e comunitário em turmas de alunos era totalmente impossível com uso destas tecnologias. Mas justamente uma das maiores contribuições das novas tecnologias da informação e da comunicação, notadamente da internet, reside na possibilidade de interação coletiva à distância - que pode ser intensa, de altíssima qualidade e elevado grau de profundidade, quando bem incentivada e trabalhada. A maior contribuição está nesta possibilidade de envolver alunos e professores em comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa.
wwwork: A motivação do estudante não diminui com o ensino à distância? Esse tipo de ensino não estimula uma individualização dos estudantes por não estarem reunidos em grupos?
Wilson Azevedo: No modelo baseado na chamada auto-instrução isto é um fato. Mas este foi um modelo desenvolvido diante dos limites impostos pelas tecnologias classificadas como da primeira (rádio, TV) e da segunda geração (software educativo, CD-ROM) e pela orientação do contexto econômico e cultural da sociedade industrial. Com o advento da chamada “sociedade da informação” e das tecnologias de terceira geração, as das redes de computadores, não precisamos ficar presos a este modelo. Aliás, é um desperdício utilizar a internet apenas para a auto-instrução, um equívoco de enfoque desenvolver um curso on-line como se fosse um CD-ROM educativo. A internet combina as 3 possibilidades de comunicação: de um-para-um, de um-para-muitos e, sobretudo, de muitos-para-muitos. Via internet, comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa podem envolver o estudante, mantendo sua motivação e estimulando a constante e intensa troca e cooperação de todos com todos. Não perceber isto tem sido um equívoco, infelizmente, ainda muito comum em iniciativas educacionais na internet. Mas acho que estamos assistindo a um processo de gradual amadurecimento, tanto de instituições, quanto do público, que nos fará perceber com mais nitidez que a aprendizagem colaborativa em comunidades virtuais oferece o modelo mais adequado à educação on-line.
É apresentado abaixo um artigo debatendo EaD e o mercado de trabalho. Aproveite a leitura e reflita sobre os assuntos brilhantemente debatidos pela professora.
A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E O MERCADO DE TRABALHO
Ana Carolina Garcez Bueno Carneiro
César Augusto Garcez Bueno Carneiro
Mariana Mayrink Giardini
RESUMO
A revolução tecnológica mudou costumes, hábitos e valores na sociedade contemporânea e trouxe facilidades para a área da educação, que é uma das que mais faz uso dos recursos tecnológicos. A competição e exigência do mercado de trabalho levam cada vez mais pessoas a buscarem conhecimento e uma formação (graduação, pós-gradução, mestrado, doutorado) e o EAD tem proporcionado essa facilidade a muita gente, que por motivo de distancia, financeiro e outros, não pode estar presente em uma faculdade, mas também surge a preocupação da aceitação do mercado com relação ao profissional na área da Aquacultura/Engenharia de Pesca/Aquicultura, Técnico em Piscicultura, formado pelo ensino a distância.
PALAVRAS-CHAVE: EAD, Tecnologia, Profissional.
INTRODUÇÃO
As novas tecnologias já fazem parte da vida cotidiana da sociedade, e as mudanças comportamentais já são bem evidentes. A internet facilita a vida das pessoas, principalmente com relação a informações e pesquisas e agilidade em alguns tipos de serviço, a exemplo compras. A quantidade de informações também é grande, então é necessário filtrar as informações de seu interesse.
As pessoas que pela correria do cotidiano, problemas financeiros, e outros de cunho pessoal que estão à procura de estudo para ingressar no mercado de trabalho, que está cada vez mais exigente, têm a necessidade de fazer uma faculdade, e hoje em dia temos o método EaD (EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA), que permite acesso a educação de forma mais fácil, inclusive em menos tempo que uma faculdade com ensino presencial.
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
É um ensino na qual o aluno não precisa esta fisicamente presente em um ambiente de ensino como escola, universidade. A didática deste ensino depende da tecnologia, a exemplo, a internet, via mais utilizada hoje como estudos a distância por outro lado o aluno tem que se esforçar porque se torna um estudo mais autônomo que é empregado nos horários em que o aluno despose para dedicar-se ao estudo.
EAD NO BRASIL
Segundo a enciclopédia Wikipédia, no Brasil, desde a fundação do Instituto Rádio Técnico Monitor, em 1939, o hoje Instituto Monitor, iniciaram várias experiências de educação a distância com relativo sucesso. As experiências brasileiras, governamentais e privadas, foram muitas e representaram, nas últimas décadas, a mobilização de grandes contingentes de recursos. No passado, os resultados não foram suficientes para ter aceitação governamental e social da modalidade de educação a distância no país. Porém, a realidade brasileira já mudou e o governo brasileiro criou leis e estabeleceu normas para a modalidade de educação a distância no país.
As bases legais para essa modalidade foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases na Educação Nacional n°9.394, de 20 de dezembro de 1996, regulamentada pelo decreto n°5.622 de 20 de dezembro de 2005, que revogou os decretos n°2.494 de 10/02/98, e n°2.561 de 27/04/98, com normatização definida na Portaria Ministerial n°4.361 de 2004. No decreto n°5.622 dita que, ficam obrigatórios os momentos presenciais para avaliação, estágios, defesas de trabalhos e conclusão de curso.Classifica os níveis de modalidades educacionais em educação básica, de jovens e adultos, especial, profissional e superior. Os cursos deverão ter a mesma duração definida para os cursos na modalidade presencial e ainda, poderão aceitar transferência e aproveitar estudos realizados em cursos presenciais, da mesma forma que cursos presenciais poderão aproveitar estudos realizados em cursos a distância.
Regulariza o credenciamento de instituições para oferta de cursos e programas na modalidade a distância (básica, de jovens e adultos, especial, profissional e superior).
ASPECTO IDEOLÓGICO
A EaD caracteriza-se por estabelecer uma comunicação de diversas maneiras, suas possibilidades ampliaram-se em meio às mudanças tecnológicas como uma modalidade alternativa para superar limites de tempo e espaço. Seus referenciais são fundamentados nos quatro pilares da Educação do Século XXI publicados pela UNESCO, que são: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.
Desta forma, a Educação deixa de ser concebida como apenas transferência de informações e passa a ser norteada pela contextualização de conhecimentos úteis ao aluno. Na educação a distância, o aluno é desafiado a pesquisar e entender o conteúdo, de forma a participar da disciplina.
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E O MERCADO DE TRABALHO
Apesar de a educação a distância ser um modelo sério, legalizado e com respaldo e amparo do MEC, e de ser adotado hoje em quase todas as faculdades e universidades do Brasil, algumas pessoas que pretendem fazer uma faculdade à distância têm se preocupado com sua aceitação ou não pelo mercado de trabalho. Uns usam a expressão reconhecimento pelo mercado de trabalho, outros apenas aceitação, mas no fundo a preocupação é a mesma. O mercado de trabalho formal vai sempre optar pelo que é mais formal. O mercado menos formal tende a observar a capacidade do indivíduo e não apenas a sua formação. Então, diante disso é evidente que a preocupação com o mercado de trabalho poderá se justificar ou não.
OS ALUNOS DE HOJE E PROFISSIONAIS DE AMANHÃ
A grande preocupação não é o que o mercado e trabalho acha ou deixa de achar da educação a distância e sim o tipo de profissional que as faculdades EAD vão enviar para o mercado. O receio maior é que muitas pessoas estejam despreparadas para enfrentar um curso a distância e conseqüentemente para ingressar no mercado de trabalho em que se pretende formar, dependendo da área, a exemplo a saúde, por irresponsabilidade de um mau profissional, vidas podem estar em jogo. Diante do estudo feito, foi possível perceber que alguns alunos têm dificuldade de compreensão de um simples texto, prova disso são as dúvidas, comentários em chats, rodapés, posts, sem contar nos erros de português (ortografia), grafia errada, a faculdade não corrige esses erros e provavelmente irão parar no mercado de trabalho. As baixas mensalidades de EAD e comodidade de horário e local despertam o interesse de muita gente, isso é bom, pois a faculdade é uma extensão e não o básico, logo os alunos devem fazer estudos por conta própria, seja em cursinho ou através de conteúdo gratuito disponível na internet, criar o hábito de leitura e informação, adquirindo mais conhecimento e experiência sobre a área de estudo desejada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
É indiscutível que a educação a distância é a modalidade de ensino que mais cresce no país. O mercado de trabalho passa a reconhecer o valor e a importância que a EAD proporciona aos novos profissionais formados por um sistema que inibe a atitude passiva e capacita trabalhadores com perfis de autonomia e independência. “Os que se formaram mostram que têm bastante disciplina, empenho, são organizados e cumprem prazos”, acredita Constantino Cavalheiro, diretor da Catho Educação. “No processo seletivo, a empresa não avalia a modalidade de ensino, mas a instituição. Se é de renome, é aceita. O que conta é a reputação da escola. E mais importante que o certificado é o conhecimento do aluno e sua capacidade de apresentar resultado.”
Foram observados os crescentes índices de empresas que tanto acreditam na educação a distância como também usufruem dela como eficiente método de treinamento para a capacitação de seus colaboradores. “Em 2007, pela primeira vez desde a criação do Enade (2004), o Inep (órgão de avaliação e pesquisa do MEC) comparou o desempenho dos alunos dos mesmos cursos nas modalidades a distância e presencial. Em sete das 13 áreas onde essa comparação é possível, alunos da modalidade a distância se saíram melhores do que os demais.” (Fonte: Folha de São Paulo)
A realidade é que haverá sim empresas que irão torcer o nariz para quem fez uma faculdade a distância, mas isto não é regra no mercado. O importante é se preocupar com a sua formação e fazer a diferença, procurar uma instituição confiável, usufruir de todos os recursos disponíveis para sanar as possíveis duvidas de conteúdo, para ser um bom profissional , enfim, assim terá aceitação do mercado sem nenhum problema.
Fonte: www.abed.org.br/congresso2013/cd/380.doc
VELOSO, Renato. Tecnologias da informação e comunicação. São Paulo: Saraiva, 2011.
LAURINDO, Fernando José Barbin; ROTONDARO, Roberto Gilioli. Gestão Integrada de Processos e da Tecnologia da Informação. São Paulo: Atlas, 2006.
1. Reflita sobre o que você entende por Tecnologia da Informação.
2. Continuando as reflexões. Agora que você já tem a percepção do que é Tecnologia da Informação, o que você entende por Tecnologia da Informação e da Comunicação?
3. Faça uma pesquisa sobre a utilização de recursos tecnológicos no cotidiano das pessoas quanto às relações sociais. O objetivo é identificar que tipos de recursos da TIC as pessoas têm utilizado nas relações pessoais de trabalho mediadas pela tecnologia.
Debater as mudanças que as novas Tecnologias de Informação e da Comunicação têm provocado nas relações socioculturais e na forma de promover a aprendizagem por meio dos recursos disponibilizados pelas novas ferramentas tecnológicas..
Uma das principais ferramentas das TIC favorável à democratização do saber é sem dúvida a internet. O conhecimento não se restringe somente a um grupo, é compartilhado por um amplo número de indivíduos, independente do local em que é produzido.
Os ambientes em rede minimizam as distâncias, promovendo trocas colaborativas, criativas e autônomas. A escola e a família tem que estar atentas a essas mudanças inevitáveis, nunca deixando de lado os valores humanos e éticos, indispensáveis a um bom convívio social.
As novas tecnologias de informação tendem a provocar mudanças socioculturais que a sociedade atual ainda não tem condições de assimilar. Ao se modificar aspectos sociais, resistências surgirão, principalmente por que, não se sabe o impacto que estas transformações provocarão.
As redes sociais, como Facebook, Orkut, Skype (Figura 4), entre outras, apresentam formas de interação que atraem pela diversidade de informações com recursos variados: sons, imagens, tudo muito interativo. A escola tradicional não traz novos desafios e isso causa desconfiança nas metodologias tradicionais de ensino. Isso gera um descaso diante das formas de aplicação de conteúdos e formas de avaliação que fogem ao cotidiano do jovem do século XXI. É preciso incorporar os meios audiovisuais em suas práticas estudantis e a gama de riquezas que as TICs podem proporcionar.
Figura 4 - Facebook e Skype.
Os jovens do século XXI querem dialogar, discutir, diversificar e não apenas participar de um modelo de assimilação de conteúdo. O conceito de “nativos digitais” segundo Belloni (1999) define estes jovens com muita propriedade, pois, frente à geração dos “imigrantes digitais”, eles possuem habilidades e competências para o uso das novas tecnologias principalmente porque interagem no ambiente em rede com extrema naturalidade.
Com isso, o compartilhamento de informações se tornou uma marca da nova web, em que os jovens procuram e desejam criar juntos, muito próximos do que Pierre Lévy (1999) definiu como inteligência coletiva. No entanto, existem desafios a serem desvendados na rede de informações, pois, se por um lado, ela pode ser fascinante, por outro, pode ser igualmente obscura, percorrendo caminhos perigosos.
Mudar a postura passiva do telespectador, aproximando-os das novas TICs, é um grande desafio para os indivíduos do século XXI. Pesquisas indicam um crescimento na modalidade em educação a distância e o ensino presencial não pode ser apenas transferido para o ensino a distância, por meio das novas ferramentas tecnológicas. É preciso ter cuidado com a preparação dos materiais, atentando para as especificidades dos educandos, contextualizando os conhecimentos na região onde o aluno está inserido.
O governo, a partir de 2007, estabeleceu políticas de referências de qualidade para regulamentação dos cursos a distância, com a finalidade de minimizar os efeitos muitas vezes insatisfatórios desta modalidade de ensino, preocupado com a grande expansão da EAD no Brasil.
Um dos objetivos é garantir que uma proposta de projeto de curso superior a distância precisa estar atento a um forte compromisso institucional visando garantir uma formação técnico-científica para o trabalho, considerando também, a dimensão política para a formação do cidadão. Além do mais, a educação superior presencial ou a distância, nas suas diversas formas de combinações entre presencial, presencial virtual e a distância, precisa evidenciar o desenvolvimento humano, diante do comprometimento da concepção de uma sociedade mais justa.
Outro fato importante no documento é que a educação deve superar a visão fragmentada do conhecimento, elaborando uma estrutura de interdisciplinaridade e contextualização.
A educação encontra nesse panorama um ambiente desafiador e diferente dos meios de comunicação de massa. Por exemplo, a televisão apresenta um material voltado ao consumo e à padronização do pensamento, a estrutura teórico/prática dos cursos de EAD percorre um caminho contrário, pois deve basear-se nos questionamentos, práticas e discursos inovadores para que consiga despertar a autonomia, criatividade e cidadania no seu público-alvo.
Atentado para o problema, a EAD deve promover a interação entre alunos e entre alunos e professores, utilizando-se de ambientes que propiciem ferramentas como fóruns e chats, disponibilizando o conhecimento de forma autônoma. Assim sendo, é preciso diferenciar interação e interatividade, que, muitas vezes são colocadas de forma prolixa. Para Belloni (1999), o conceito sociológico de interação é a ação recíproca entre dois ou mais atores onde ocorre intersubjetividade, isto é, encontro entre dois sujeitos, que pode ser mediada por algum veículo técnico de comunicação (telefone ou carta).
Em contrapartida, interatividade é o recurso técnico disponibilizado por um determinado meio, como hipertextos em geral ou jogos eletrônicos. Existe também o conceito de interatividade como a atividade humana que age sobre a máquina e recebe em troca uma resposta.
Torna-se inevitável a mudança no papel do professor diante dos novos modelos de interatividade. O novo paradigma exige que o professor se transforme em mediador do conhecimento rompendo a barreira dos encontros clássicos em sala de aula. No modelo tradicional a aprendizagem acontecia, muitas vezes, mediante trocas teóricas por meio dos diálogos. Educadores atentos aos objetivos propostos pela disciplina devem recorrer a diferentes linguagens, diversificando a compreensão dos diferentes conteúdos, indo ao encontro do mundo sociocultural dos educandos. O professor torna-se também é um aprendiz das linguagens visuais e sonoras na atual quebra de paradigmas hierárquicos e cabe também a ele a autoaprendizagem diante do novo contexto educacional. É um a caminho sem volta.
O uso das redes sociais, como prática de interação social, tem arrebanhado inúmeros adeptos, entretanto a mudança da prática para o ambiente de aprendizagem, não consegue obter a mesma aceitação. Estudos apontam que os alunos de educação a distância ainda não conseguem dominar as diferentes formas interativas disponíveis. Os ambientes virtuais de aprendizagem, como fóruns, salas de bate-papo, emails ainda não são bem utilizados pelos estudantes, isso faz com ele não se sinta integrado ao curso do qual faz parte. Segundo Serra (2005), este fator é um dos determinantes para a evasão dos cursos na modalidade a distância. Talvez por esta razão que a nova regulamentação (2007) tenha definido que os cursos precisam estimular as trocas de saberes por meio de fóruns, salas de bate-papo, chats, pois são estas formas de convivência que permitem que o aluno avance nas etapas de compreensão dos conteúdos.
A dificuldade de se expressar por meio da escrita é outro aspecto a considerar como obstáculo à interatividade, em especial ao eixo comunicativo (SERRA, 2005). Os textos podem apresentar duplo sentido ou ser escrito de forma confusa, dificultando a compreensão por parte do professor/tutor na aprendizagem. Na rede a quantidade de informações encontradas é muito diversificada e os alunos têm dificuldade em filtrar, pois não conseguem distinguir a relevância de um texto para outro, bem como a confiabilidade dos links das pesquisas. A habilidade de filtrar o que realmente é relevante torna-se uma das competências indispensáveis ao saber e que se desenvolvem ao longo da prática de aprendizagem, tanto no ensino a distância quanto no ensino presencial.
É preciso considerar também o acesso aos meios tecnológicos dos educandos: bibliotecas, laboratórios, videoteca, entre outros. Além disso, a educação, sobretudo, na modalidade a distância, precisa disponibilizar cursos introdutórios sobre alfabetização digital, a fim de sanar dúvidas, para que os estudantes tenham condições de produzir bons resultados.
Enfim, é indispensável que o material a ser disponibilizado deve ser pensado e articulado por uma equipe multidisciplinar para que o ambiente de ensino-aprendizagem seja atrativo, diminuindo o crescente abismo que separa a escola da sociedade.
Pesquisas apontam que, a não interação provoca ausência de laços de comunicação, como consequência, um distanciamento do ambiente de aprendizagem em rede. A mudança de comportamento, porém, vem sendo exercitada de forma espontânea por meio das redes sociais ou pelas buscas de informação mediante matérias jornalísticas, músicas, blogs, entre outros.
Pode-se perceber que os usuários em rede gostam de ler notícias em rede e expor o seu pensamento aos demais, tecendo seus próprios comentários sobre o assunto. Esta prática tem se tornado frequente, mas ela nem sempre contribui para um debate democrático; pode-se criar um ambiente muitas vezes constrangedor, pois a divergência de opiniões acaba cirando uma atmosfera de hostilidade entre alguns indivíduos.
As dificuldades em criar um ambiente de trocas de ideias verdadeiramente efetivas em rede, por meio do debate, são as mesmas que se vê em sala de aula.
Apesar disso, ferramentas tecnológicas como o Orkut e o Facebook, enquanto redes sociais, têm demonstrado um envolvimento promissor no que diz respeito às comunidades associadas por um determinado assunto. Ainda assim, o fato de os participantes de comunidades estabelecerem trocas a partir de um interesse comum, muitas vezes, expressa um aprendizado que vai a além do ambiente em rede.
A colaboração é surpreendente neste aspecto, seja pela disposição no esclarecimento de dúvidas ou pela troca de material entre os membros. Com a mesma proposta surgem os ambientes nos quais os usuários têm espaço para expor sua criação individual por meio de expressões literárias, musicais. Por sua vez, o ambiente escolar do ensino presencial, também tem utilizado tais formas de interação fazendo a articulação entre os conteúdos curriculares.
As mudanças que norteiam as boas práticas sociais e que vem ocorrendo em meio ao ambiente em rede, ainda são novidade para grande parte da população. Faz-se necessário, um debate mais amplo em torno de políticas públicas, no contexto brasileiro, buscando uma democratização no acesso à rede, pois a falta de recursos que possibilitem o acesso às redes pela massa da população ainda é realidade no Brasil.
Não podemos deixar de lado a má qualidade técnica da internet que dificulta a operacionalização do seu uso. Da mesma forma, encontram-se os estímulos legais que permitirão que a ampla população tenha acesso à TV digital, dinamizando assim, recursos interativos a favor destas mudanças.
O acesso às tecnologias de informação e comunicação tende a fortalecer os laços entre gerações, visto que, percebe-se uma diversidade entre os que vivenciam estas ferramentas desde o início do processo da aprendizagem, os chamados “nativos digitais”, e os que não contaram com tal condição.
As redes sociais têm atraído cada vez mais um número maior de participantes, buscando interagir com pessoas conhecidas, estabelecer interação com outras pessoas e até mesmo interagir com grupos afins.
Tendo em vista este quadro de interação, a forma e a frequência de utilização das redes sociais pelos alunos do ensino superior, será possível criar um meio para diagnosticar novas técnicas pedagógicas para a educação e formação.
As redes sociais na Web emergem das práticas de interação orientadas para a partilha e formação de grupos de interesse que estão na origem das narrativas digitais da Sociedade do Conhecimento. A construção coletiva e colaborativa na Web representa uma das principais características destas organizações.
As formas e contextos de interação na rede são realizados por meio da mediação digital. Entretanto, o processo se estende além da visão tecnológica da mediação e incide igualmente, nas práticas de mediação social e cognitiva entre os indivíduos que fazem parte da rede. Sendo assim, o conhecimento construído no contexto da rede torna-se uma representação coletiva.
O conceito da rede no sentido de abertura nos remete para a flexibilidade de um modelo organizacional com tendência não hierárquica, não centralizada e horizontal, descrito ainda pela interação nos meios digitais e pelas experiências sociais e colaborativas.
Tal flexibilidade integra a capacidade de reconfiguração do sentido e objetivos da rede social no seu processo de desenvolvimento. Novos desafios surgem para a reflexão educacional, ao nível da inovação nos contextos e práticas de aprendizagem para a Sociedade do Conhecimento.
Atualmente as redes sociais na Internet representam uma nova forma de relacionamento na sociedade atual. Cada vez mais as redes sociais têm assumido um papel central na Web 2.0, sendo vislumbrada como uma plataforma que aproveita a finalidade da rede, considerando que se utilizar as aplicações, mais ricas elas se tornam.
As novas tecnologias têm causado profundas mudanças na compreensão dos processos de interação social, afetando igualmente o processo de aprendizagem e conhecimento. Pode-se citar a percepção de rede para a interação social em um cenário globalizado, isso acarreta um novo pensamento sobre os modos de organização dos grupos e comunidades.
O conceito de Web 2.0, referindo-se a rede de produção individual, coletiva e colaborativa, introduz aos alunos novas formas e possibilidades de criação de conteúdos e de utilização desses, definidos como blogues, redes sociais, atividades em mundos virtuais e wikis, como mostra a Figura 5.
Figura 5 - Interatividade através das redes de computadores.
Os recursos da Web 2.0 como as redes sociais e os wikis, como diferencial para acrescentar novas metodologias de ensino e aprendizagem, permite desenvolver formas interativas e colaborativas para os estudantes, fazendo uso de recursos com os quais estão familiarizados.
A preparação de novos conteúdos baseados na Web. A criação de conteúdos nas plataformas baseadas na Web acarreta o envolvimento dos alunos no desenvolvimento das suas competências, buscando aumentar a capacidade crítica e criativa.
A utilização de blogues, wikis e redes sociais transformou a Internet com o aumento das suas potencialidade, dando ênfase a grande quantidade de informação relacionadas entre si, e sempre disponível para os indivíduos conectados.
As redes sociais tornaram-se frequentes em ambientes de aprendizagem, permitindo a exploração de novas formas de ensino e aprendizagem, salientando-se, como exemplo, o Facebook, que foca o espírito de comunidade colaborativa.
O paradigma do estudo centrado no estudante está em conformidade com a utilização que eles fazem das redes sociais, criando assim, de acordo com o seu perfil, uma rede de contatos e de partilha de informação e de conhecimento.
Como exemplos de redes sociais, destacamos: Facebook, Youtube e Twitter.
O Facebook (Figura 6) surgiu em fevereiro de 2004, começou por ser uma rede usada apenas por estudantes, mas foi ganhando espaço, tornando-se a rede social mais utilizada em todo o mundo. É uma rede social que permite a partilha de informação e mensagens, proporcionando aos utilizadores aderir a grupos organizados de trabalho, de ensino ou de região, para interagirem com outras pessoas com interesses comuns.
Figura 6 - Facebook.
O YouTube (Figura 7) é uma rede, essencialmente orientada para a partilha de vídeo. Tem vindo a ser dotada de características mais sociais, nomeadamente, ao nível da inserção de comentários de vídeos e de partilha de opiniões. Surgiu em 2005 e é atualmente um dos sítios mais populares devido à diversidade e quantidade de conteúdos disponibilizados que variam desde vídeos de entretenimento até vídeos educativos e de promoção empresarial. A revista Time elegeu o YouTube, em 2006, como a maior invenção do ano, por constituir uma plataforma educativa e de entretenimento utilizada por milhões de pessoas.
Figura 7 - Youtube.
O Twitter ou Tweeter (Figura 8) é uma rede social livre que apareceu em 2006 e desde então tem crescido em todo o mundo. É muitas vezes descrito como o “SMS da Internet”. O Twitter pode ser caracterizado por possuir uma interface que permite aos seus utilizadores enviar e ler “tweets” ou mensagens de outros utilizadores conhecidos. Os tweets são baseados em textos que não ultrapassam 140 caracteres, sendo atualizados pelo próprio utilizador. É necessária a criação de uma conta para poder aceder a esta interface, na qual se partilha conhecimento sobre diversos assuntos, tais como músicas, fotos e filmes.
Figura 8 - Twitter.
Mesmo sendo possível caracterizar com as redes sociais mais utilizadas atualmente, tal caracterização tende a ser imperfeita. Isso se justifica pelo dinamismo das suas potencialidades e objetivos de utilização tornando difíceis tais caracterizações, bem como a diversidade de indivíduos e interesses por trás da utilização das redes sociais.
O uso das TICs, principalmente a internet, permite um espaço favorável para a democratização do saber. O conhecimento não se restringe somente a um grupo, é compartilhado por um amplo número de indivíduos, independente do local em que é produzido.
As distâncias são minimizadas pelo ambiente em rede, promovendo trocas colaborativas, criativas e autônomas. A escola e a família têm que estar atentas a essas mudanças inevitáveis, nunca deixando de lado os valores humanos e éticos, indispensáveis a um convívio social mais harmônico.
Não basta apenas ter acesso às tecnologias, é preciso preparar os indivíduos, tanto na sua formação cultural, principalmente no domínio do código escrito, quanto no exercício de uma postura ética e responsável em relação aos ambientes em rede.
Por fim, as bases para uma democratização do ensino, seja presencial ou a distância, ainda vem sendo estruturadas, pois são inúmeros os fatores que envolvem a aprendizagem nos dias atuais.
Vídeos da entrevista com o Prof. Dr. Gilberto Lacerda – Redes Sociais e EaD
Parte 1:
<http://www.youtube.com/watch?v=RMIWsxFumFo>.
Parte 2:
<http://www.youtube.com/watch?v=lHzKgcjajIM>.
Parte 3:
<http://www.youtube.com/watch?v=XQYu-yh64I0>.
Parte 4:<http://www.youtube.com/watch?v=PcmZHbNfK_M>.
É apresentado abaixo um artigo de uma personalidade importante da educação brasileira, o professor Fredric M. Litto. Aproveite a leitura e reflita sobre os assuntos brilhantemente debatidos pelo professor.
EDUCAÇÃO A DISTANCIA NO BRASIL: INFLEXÍVEL E TUTELADA
Apesar da mão pesada e da visão estreita dos que controlam os freios da educação no país, a educação a distância é realidade consolidada e oportuna para o nosso desenvolvimento.
Fredric M. Litto
A confrontação de experiências e pesquisas entre instituições públicas e privadas de todo o país e do exterior discutidas no VIII Congresso Internacional de Educação a Distância, de 6 a 8 deste mês em Brasília, deixou como resultado a perplexidade sobre como essa abordagem pedagógica está crescendo qualitativamente apesar dos ‘‘freios’’ colocados pelas entidades encarregadas de fiscalizar o andamento do ensino superior no Brasil.
As universidades corporativas virtuais de instituições respeitáveis como Petrobras, Caixa Econômica Federal, Xerox, Brahma, Algar, Accor, e Banco Boston, que podem operar livremente, sem tutela governamental, estão ampliando cada vez mais as atividades. E o ensino fundamental e o básico, por meio de renomados e bem-sucedidos projetos como Telecurso 2000 (da Fundação Roberto Marinho em parceria com a Fiesp), Klick Educação e Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, revelam um celeiro de capacitação a distância de centenas de milhares de brasileiros.
O gargalo segurando o desenvolvimento pleno de aprendizagem a distância ocorre no ensino superior, onde a cultura secular brasileira de centralização, credencialismo e tutelagem está criando situação paradoxal em que o próprio governo força os cidadãos e instituições do país a caminhar na direção de desobediência civil. Embora a Constituição garanta às universidades do país autonomia no tocante a seus currículos e auto-organização, de fato isso não ocorre, e instituições autorizadas para ministrar cursos presenciais são obrigadas a solicitar nova autorização quando querem oferecer os mesmos cursos a distância. Durante o VIII Congresso, o responsável pela área de educação a distância no Ministério da Educação informou dados desconcertantes: nos últimos dois anos, apenas seis cursos (cinco de graduação e um de pós-graduação latu senso) foram aprovados; atualmente existem quatro mil pedidos de autorização de cursos a distância aguardando averiguação; e, por ora, o Ministério não está aceitando novos pedidos.
Está configurada, assim, situação clara de ‘‘freio’’, por meios burocráticos e antidemocráticos, visando favorecer certos atores que buscam favores particulares no cenário educacional brasileiro. Nos anos que restam a esta administração, não será possível averiguar a viabilidade pedagógica de quatro mil cursos. Dessa forma, fechando a porta para novas solicitações, são beneficiados os poucos que estavam na fila. E isso num cenário em que muitas instituições particulares estão iniciando atividades de educação a distância, visando a novas fontes financeiras que substituam mensalidades inadimplentes nos cursos presenciais, enquanto as públicas querem dar acesso mais democrático ao ensino superior.
O mais incrível é que fora do Brasil a educação a distância é considerada ‘‘educação flexível’’, porque permite que o aluno participe do seu curso virtualmente, no dia e hora que quiser, sem interferir em seu horário de trabalho. Parece que as autoridades do Ministério de Educação ignoram o fato de que países como Índia, Indonésia, Turquia e China têm megauniversidades, instituições oferecendo ensino superior a distância para mais do que quinhentos mil alunos cada uma. No mês passado, a nova Universidade Estadual de Amazonas realizou um vestibular gratuito; foram 190 mil inscritos, o que representa 10% da população do estado. A demanda reprimida para a educação superior no Brasil é vasta e só pode ser plenamente atendida mediante opções como educação a distância. Trinta tentativas já foram feitas nos últimos trinta anos para estabelecer uma ‘‘universidade aberta a distância‘‘ no país; todas fracassadas devido a forças ocultas que temem perder a hegemonia geográfica educacional. Já estão correndo rumores de que os proprietários de instituições particulares, capazes de financiar as campanhas para as próximas eleições, estão favorecendo quem não favorece a expansão de educação a distância. Sem nova atitude, será inevitável repetir os erros do passado, quando o Brasil era um dos líderes internacionais de educação a distância (Telecurso, Projeto Minerva, Telepostos no Maranhão...) e perdeu essa posição devido à descontinuidade e ao desinteresse governamental.
Em reuniões recentes na América do Norte e na Espanha, testemunhei a existência de projetos para a invasão da América Latina de cursos universitários a distância de boa qualidade. Por um lado, considero isso benéfico porque aumentaria para a nossa população a oferta de acesso ao conhecimento; por outro, preocupa-me a evidente ameaça de uma nova colonização, tanto intelectual quanto econômica, que isso representa. Temo, também, o efeito que a invasão teria nas universidades públicas e privadas. De qualquer forma, trata-se de fenômeno irreversível, não controlável por portarias ou tentativas de censurar as redes digitais.
O ministro de Educação não pode continuar desestimulando os interessados em ensino superior a distância, como fez numa conferência com o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, em dezembro passado; como o fez de novo no dia 4 de agosto último nas páginas deste jornal; e como o fez para um grupo de reitores de universidades católicas que estavam em Brasília recentemente para inaugurar sua rede multiinstitucional de educação a distância. Desinformado, ele não acredita que as universidades brasileiras tenham capacidade e metodologia apropriadas para realizar aprendizagem de qualidade a distância. Os sucessos no exterior, nesse setor, argumentam contra essa opinião desinformada. A vizinha Argentina, por exemplo, apesar da crise econômica que enfrenta, é exemplo de expansão na área.
(*) Graduação em Rádio-Televisão – University of California, Los Angeles (1960) e doutorado em História do Teatro - Indiana University (1969). Desde 1995 é presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância; Membro do Comité Executivo do ICDE - International Council of Open and Distance Learning; e membro do Conselho Editorial das revistas científicas: American Journal of Distance Education, - Revista Iberoamericana de Educación a Distancia, - Advanced Technology and Learning, - International Review of Research in Open & Distance Learning e - Open Learning.
Fonte : http://www2.metodista.br/unesco/PCLA/revista9/forum%209-5.htm. Acessado em 24/09/2013.
É apresentada abaixo uma entrevista do professor Wilson Azevedo. Aproveite a leitura e reflita sobre os assuntos brilhantemente debatidos pelo professor.
COMUNIDADES VIRTUAIS PRECISAM DE ANIMADORES DA INTELIGÊNCIA COLETIVA
Entrevista concedida ao portal da UVB (Universidade Virtual Brasileira)
Wilson Azevedo é diretor da Aquifolim Educacional e consultor técnico-pedagógico do Senai. Nesta entrevista exclusiva à uvb.br, afirma que comunidades virtuais precisam de animadores, não de normas. “O segredo não está nem em normas, nem em tecnologia, está em pessoas, educadores capacitados para atuarem como animadores da inteligência coletiva em comunidades virtuais.”
UVB.BR - A adaptação de um estudante ao ambiente virtual de estudo é fácil? Quais as maiores dificuldades e causas?
Wilson Azevedo - Nenhuma adaptação pode ser caracterizada como “fácil”. Qualquer processo de adaptação envolve o ser humano como um todo. Não se trata apenas de “saber mexer”, mas de sentir-se à vontade, e isto envolve aspectos sócio-afetivos, além de cognitivos e psico-motores.
A adaptação de estudantes ao ambiente virtual vai além do mero adestramento técnico-operacional. O ambiente on-line caracteriza-se por uma experiência com o tempo e o espaço diversa daquela que encontramos em ambientes presenciais, uma temporalidade multi-sincrona e um espaço fundamentalmente comunicacional, não-físico.
Não é uma questão de aprender a navegar na internet ou de aprender a usar o e-mail. É uma outra temporalidade dentro da qual o aluno precisa aprender a agendar-se e um novo espaço no qual precisa aprender a se movimentar, uma sensação de contigüidade sem simultaneidade que a maioria daqueles que iniciam cursos on-line nunca experimentou antes.
Mas é também uma outra experiência em termos de sociabilidade, uma intensa troca interpessoal e comunitária sem o contato face a face. Estas coordenadas temporais, espaciais e sociais definem uma outra ecologia pedagógica à qual o estudante precisará adaptar-se. Sem dúvida, esta adaptação não é fácil, por mais familiarizado que o estudante esteja com o software e o hardware.
O maior risco é confundir este processo psico-pedagógico de ambientação on-line com o mero adestramento técnico-operacional. Considerar apto e ambientado um aluno apenas porque sabe clicar nas áreas corretas da tela é não compreender os aspectos que realmente importam num processo de ambientação on-line.
UVB.BR - Quais as soluções possíveis para estes problemas?
Azevedo - A principal solução está em levar a sério a necessidade psico-pedagógica de ambientação; está em desenvolver um programa de ambientação com alunos que ingressam pela primeira vez num curso on-line. Assim como a adaptação de crianças em idade pré-escolar deve ser bem encaminhada e quando não o é, cria problemas futuros para o aprendizado da criança, um processo mal-sucedido de ambientação on-line pode afetar o rendimento de alunos on-line e, por isto, precisa ser encaminhado com todo cuidado.
Um bom programa de ambientação deve fazer o aluno sentir o que chamamos de “vertigem” virtual, um pouco da tontura que a mudança de referências espaço-temporais e sociais provoca. Neste processo de adaptação, o aluno precisa ser acompanhado com cuidado, pois emoções são despertadas. Em alguns casos pode ser senão doloroso, no mínimo desconfortável, e uma equipe pedagógica deve estar apta a amparar estudantes neste processo.
O aluno precisa receber orientações que o auxiliem a administrar seu tempo numa outra temporalidade, precisa experimentar a interação entre pessoas e sentir como ela pode ser intensa, apesar da distância e da falta de contato face a face, precisa sentir que a comunicação face a face não representa a plenitude comunicacional, mas também é afetada por limitações, que comunicação, seja on-line, seja presencial, sempre importa limitações e potencialidades. É preciso criar condições e oportunidades para que ele vivencie isto e adapte-se a esta ecologia pedagógica específica do mundo virtual.
Há muito o que ser feito num programa de ambientação on-line e nada disto tem a ver com o mero adestramento operacional. Até macacos são capazes de aprender a tocar no lugar certo de uma tela. Mas aprender a ser um aluno on-line mobiliza muito mais do que o reflexo condicionado...
UVB.BR - ...E para os professores, como se dá a migração da aula presencial à virtual?
Azevedo - Ela começa com a experiência de ser aluno on-line e, portanto, de passar também por um processo de ambientação on-line. Mas prossegue com um processo sério de reflexão sobre o que é aprender e o que é ensinar e sobre como isto pode acontecer on-line. Eu costumo definir este processo como um processo de “conversão” pedagógica. O mundo virtual é um outro mundo. Exige uma abordagem pedagógica especifica que aproveite o que de melhor ele oferece para o processo de ensino-aprendizagem. Não levar isto em consideração tem resultado em cursos muito ruins. Aliás, uma grande confusão em educação on-line tem sido chamar de “curso” o que não é curso...
Na educação presencial em geral temos muita clareza sobre o que é um livro, uma apostila, e o que é um curso. Mesmo que na capa esteja escrito, digamos, “Curso de Geometria”, ninguém imagina que ao comprar e ler o livro estará fazendo um curso de Geometria. Um livro, mesmo que tenha o titulo de “curso”, é um livro, não um curso, e ninguém tem o menor problema em fazer esta distinção. Todos entendemos que ele pode ser um bom recurso didático em um curso, um elemento auxiliar - mas não é um curso...
Não existe esta mesma clareza quando se trata de internet. Fico impressionado com a facilidade com que se aceita hoje que um website com o nome de “curso” seja confundido com um curso. Muita gente acredita que ao navegar num site está fazendo um curso, só porque colocaram no site o nome de curso.
Ora, um website, mesmo que tenha o nome de “curso”, não é um curso, é uma publicação eletrônica. Pode ser um bom recurso didático, assim como um livro. Mas não pode ser confundido com um curso. No entanto, com muita freqüência faz-se esta confusão. Por quê? Basicamente porque falta reflexão séria, aprofundada, sobre o que é educação on-line, o que é ensinar e aprender em redes informatizadas.
Professores que não se aprofundam em educação on-line são muito facilmente induzidos a vender gato por lebre e a atuar como autores de apostilas eletrônicas que são empurradas para o mercado com o nome de “curso”. É preciso superar esta “ingenuidade virtual” e amadurecer uma pedagogia on-line.
UVB.BR - É possível identificar o tipo de professor que melhor se adapta ao meiovirtual?
Azevedo - O professor que tem maiores dificuldades para adaptar-se ao meio virtual não é o tecnofobo ou o que tem dificuldades de adaptação com a tecnologia. Dificuldades de adaptação operacional são facilmente resolvidas. Quem tem mais dificuldade de adaptar-se ao ambiente virtual de ensino-aprendizagem é o professor que só se sente seguro quando o aluno está calado. Sabe aquele professor que abre a aula dizendo “bom dia” e só pára de falar quando toca o sinal indicando o fim da aula?
Este professor tem dificuldades com a interação social em sala de aulas, seja ela virtual ou não. Por isto tende a utilizar a internet da mesma maneira, sem permitir interação entre pessoas. Seu modelo pedagógico pressupõe que sua função principal é a de distribuição de informações, a transmissão de conteúdos. É o tipo de professor que facilmente cai na arapuca da “apostila-eletrônica-com-o-nome-de-curso”.
O professor que se adapta com mais facilidade é o que trabalha de maneira cooperativa, que abre espaço para as colocações de seus alunos, que trabalha dentro de um processo de intensa troca mútua, comunitária, de todos com todos, alunos e professor.
Este professor percebe melhor o imenso potencial das comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa. Pode até ter alguma dificuldade inicial de apertar o botão certo e clicar no lugar certo da tela, mas isto ele logo supera. Para este perfil de professor a “conversão” pedagógica é mais suave e, geralmente, mais bem-sucedida.
UVB.BR - As dificuldades de alunos e professores com ambientes virtuais só serão superadas com a simplificação dos procedimentos de uso da internet, tornando-a mais “amigável”?
Azevedo - Não. Certamente a “superação” de ambientes virtuais é hoje um tema importante da agenda de discussão em torno da internet em geral. Mas não é o único e nem o principal fator a ser considerado.
As superação destas dificuldades requer, antes de mais nada, que se desenvolva um sério programa de ambientação on-line. Somente depois disto é que se pode proceder a um “ajuste fino”, com um redesenho de ambientes virtuais de ensino-aprendizagem segundo o critério da facilidade de uso...
UVB.BR - A educação a distância está amarada aos ambientes virtuais de aprendizagem - programas?
Azevedo - Não diria que está “amarrada”. Diria que alguns projetos correm o risco de ficar “amarrados” porque partem do terrível equívoco de pensar que educação on-line é uma questão de tecnologia. Educação on-line é uma questão de pedagogia.
A tecnologia é um elemento absolutamente secundário, acessório. Mas alguns projetos colocam a carroça na frente dos bois e tratam primeiramente de selecionar uma ferramenta de software sem ter a menor clareza quanto ao modelo pedagógico com o qual pretendem trabalhar. O problema, neste caso, não está no software, mas na estreiteza de visão de quem assim procede...
UVB.BR - Os ambientes virtuais de aprendizagem (programas) disponíveis hoje atendem por completo as necessidades de alunos e professores?
Azevedo - Não, não atendem. Percebe-se neles um capricho exagerado no que tange ao gerenciamento e controle, estatísticas de acesso, rastreamento da navegação do aluno e coisas assim, e algum cuidado com ferramentas para disponibilizarão de conteúdos. Mas evidencia-se um desleixo absoluto no trato das ferramentas para interação comunitária on-line, sejam assíncronas (fórum, listas), sejam sincronas (chats, videoconferência, whiteboards virtuais). Isto é altamente revelador do modelo pedagógico que está neles embutido, dos pressupostos pedagógicos que orientaram seu desenvolvimento.
UVB.BR - O que estaria faltando?
Azevedo - Numa palavra, falta Pedagogia. Os pacotes de software hoje disponíveis no mercado são concebidos a partir de pressupostos pedagógicos não explicitados e não questionados, irrefletidos; pressupostos que hoje estão sendo amplamente criticados. Trabalham com modelos educacionais hoje considerados superados.
Em grande medida vale para eles a caracterização de “vanguarda do atraso” ou, como dizem alguns especialistas, “um passo à frente no que diz respeito à tecnologia e dois passos atrás no que diz respeito à Pedagogia...”
UVB.BR - Ao invés de forçar o aluno a usar um ambiente virtual de aprendizagem, não seria melhor deixá-lo escolher o modelo que melhor se adapta ou dimensioná-lo, por exemplo, através da escolha de “ferramentas buffet”?
Azevedo - Isto equivaleria a deixar que o aluno decida, numa escola presencial, como deve ser o projeto arquitetônico do prédio escolar. Não é o tipo de opção que deva ser deixada à exclusiva opção do aluno. Pode-se e, na verdade, deve-se ouvir o aluno sempre. Mas não se pode fugir da responsabilidade de definir um projeto pedagógico e sua conseqüência arquitetônica, presencial ou virtual, o ambiente escolar.
Talvez faça algum sentido deixar à livre escolha do aluno se o projeto pedagógico pressupõe que ele será deixado isolado, sozinho, interagindo com software, apostilas eletrônicas ou impressas, e muito rara e eventualmente interagindo com outras pessoas, talvez um “tutor”, um estagiário para tirar eventuais dúvidas ou corrigir alguns testes.
Num projeto assim, faz sentido deixar o aluno escolher seu ambiente. Afinal é ele que vai ficar ali sozinho a maior parte do tempo mesmo. Mas se o modelo pedagógico se baseia em aprendizagem colaborativa, estimulada por espaços de intensa interação coletiva entre pessoas, então isto não faz muito sentido...
UVB.BR - Os ambientes virtuais de aprendizagem não são pouco intuitivos e/ou ergonômicos para os alunos?
Azevedo - Além dos problemas de natureza pedagógica, de filosofia educacional, muitos têm este tipo de problema de usabilidade. Mas este não é um problema exclusivo destes ambientes ou pacotes de software. É um problema generalizado na web.
A web traz uma dupla marca de imaturidade: além de ser coisa nova, é feita por profissionais muito novos, alguns recém saídos da adolescência, que não tiveram oportunidade de viver experiências diferenciadas no campo da comunicação social. Por isto a imaturidade impera na web.
O que mais se vê são sites onde tudo se mexe, tudo pisca e tudo fala, mas que são uma impenetrável floresta para o usuário. Um recurso tecnológico é selecionado mais em função do gosto do desenvolvedor, do que em função das necessidades de comunicação do site ou das facilidades que oferece ao usuário. Um discutível critério de “beleza” ou “sedução” acaba pesando mais que a usabilidade.
UVB.BR - Embora os ambientes virtuais de aprendizagem favoreçam o surgimento de comunidades virtuais, não há instrumentos para normatizar a aprendizagem nessas comunidades. Que instrumentos o senhor sugeriria para que as comunidades apresentem maior aproveitamento de aprendizagem?
Azevedo - Nenhum. Não é uma questão de normatização. Comunidades virtuais precisam de animadores, não de normas. Quando não dispõem de animadores competentes, pouca coisa acontece. Quando dispõem de elementos com boa formação, experientes e capazes para a tarefa de animação comunitária, o aproveitamento é altíssimo.
Não sugiro um instrumento: sugiro pessoas bem preparadas. O segredo não está nem em normas, nem em tecnologia, está em pessoas, educadores capacitados para atuarem como animadores da inteligência coletiva em comunidades virtuais...
UVB.BR - Qual o futuro dos ambientes virtuais de aprendizagem? Para onde eles caminham?
Azevedo - Não vou “descrever” um futuro. Vou apenas apontar a direção para a qual eu gostaria que este futuro caminhasse. Gostaria que os ambientes virtuais de ensino-aprendizagem caminhassem para uma maior integração entre tecnologia e educação. Gostaria que a pedagogia comandasse o processo de desenvolvimento destes ambientes e não a informática.
Gostaria que pudéssemos contar com bons recursos síncronos e assíncronos para interação comunitária, bem desenhados e adaptados especificamente a necessidades educacionais. Gostaria, enfim, que fossem pensados e concebidos a partir de novos paradigmas educacionais, coerentes com a nova realidade, com a nova economia e com a nova cultura que a internet vem ajudando a fazer avançar e disseminar.
Fonte : http://www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/entruvb.html. Acessado em 24/09/2013.
GITOMER, Jeffrey. Boom de Mídias Sociais. São Paulo: Makron Books, 2012.
1. Responda as questões relacionadas ao Facebook. O objetivo é identificar os passos básicos para conhecer uma das mídias sociais mais utilizadas para relacionamento mediado por tecnologias da informação e da comunicação.
a) Como usar o Facebook?
b) Como linkar perfis no seu Facebook?
c) Como criar um grupo compartilhado no Facebook?
d) Como criar eventos e convidar amigos no Facebook?
e) Como criar um link amigável para seu perfil no Facebook?
2. Vários dos serviços ou ferramentas atualmente utilizados na internet têm uma aplicação direta nos serviços de informação, bem como na área de pesquisa e ensino. Cada um deles têm aplicações diversas, podendo atender a diferentes finalidades. Faça um breve resumo dos recursos de comunicação e interação disponibilizados pelo chat, observando as possibilidades de sua aplicação como ferramenta de mediação na EAD.
Debater a EaD e as vertentes da educação mediada pelas novas tecnologias de informação e da comunicação, explorando as reflexões de professores e autores que acompanharam e até mesmo participaram das mudanças nos rumos da EaD no Brasil..
A EaD tem apoiado sua metodologia em diversas tecnologias para que a proposta de implementação na prática tenha o efeito esperado.
Um dos fatores que mais tem contribuído para o sucesso da implementação da EaD é justamente o uso de ferramentas de interação e comunicação, que cada vez mais disponibilizam recursos que vão de encontro com a proposta da EaD. Tais ferramentas tecnológicas são agrupadas em ambientes de interação e comunicação chamados de Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVA.
A Lei 9.394 de dezembro de 96 confere à Educação a Distância (EAD) a oportunidade de integrar-se plenamente ao sistema educacional, permitindo, de forma regulamentar, sua utilização no oferecimento de disciplinas e cursos.
De acordo com Behrens (2000, página ?):
A acelerada mudança em todos os níveis leva a ponderar sobre uma educação planetária, mundial e globalizante. Estas mudanças exigem que as pessoas estejam preparadas para aprender ao longo da vida, podendo adaptar-se e criar novos cenários.
Nesse contexto, a EAD transformou-se em uma excelente alternativa para a formação acadêmica, em decorrência do crescimento do potencial interativo das novas tecnologias de comunicação e da informação.
O termo “Educação a Distância” abrange várias formas ou modelos que variam conforme os princípios pedagógicos e tecnológicos, assumidos no planejamento de suas estratégias.
Segundo o Decreto nº 2.494 de 10 de fevereiro de 1998, em seu artigo 1º, a educação a distância é:
Uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação.
Outra definição é assinalada por Aretio (1994):
A Educação a Distância é um sistema tecnológico de comunicação bidirecional, que pode ser massivo e que substitui a interação pessoal, na sala de aula, entre professor e aluno, como meio preferencial de ensino, pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e pelo apoio de uma organização e tutoria que propiciam a aprendizagem independente e flexível dos alunos.
Nesse sentido, Preti (1996) destaca que: (i) a presença física do professor tutor (interlocutor com quem o estudante vai dialogar) não é necessária e indispensável para que se dê a aprendizagem. Ela se dá de outra maneira, mediada por tecnologias de comunicação, “virtualmente”; (ii) o processo de ensino-aprendizagem mediatizado deve oferecer suporte e estruturar um sistema que viabilize e incentive a autonomia dos estudantes nos processos de aprendizagem; (iii) o uso de novas tecnologias de comunicação permite romper com as barreiras das distâncias, das dificuldades de acesso à educação e dos problemas de aprendizagem por parte dos alunos que estudam individualmente, mas não isolados e sozinhos. Oferecem possibilidade de estímulo e motivação ao estudante, de assimilação e divulgação de dados, de acesso às informações mais distantes; e (iv) o estudante não é mero receptor de informações, de mensagens.
Para Moran (1999), a Educação a Distância é o processo de ensino-aprendizagem mediado por tecnologias, no qual professores e alunos são separados espacial e/ou temporalmente. Apesar de não estarem juntos, de maneira presencial, eles podem estar conectados, interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a internet ou outros meios, como correio, televisão, vídeo, telefone e tecnologias semelhantes.
Moran (1995) esclarece que as tecnologias de comunicação não substituem o professor, mas modificam algumas das suas funções, uma vez que a tarefa de passar informações pode ser deixada aos bancos de dados, livros, vídeos e programas em CD. Desse modo, o professor transforma-se em estimulador da curiosidade do aluno por querer conhecer, por pesquisar, por buscar a informação mais relevante. Em um segundo momento, coordena o processo de apresentação dos resultados pelos alunos. Depois questiona alguns dos dados apresentados, contextualiza os resultados e os adapta à realidade dos alunos.
Atualmente, vivencia-se um período de mudança do paradigma que norteia as relações entre os homens e as nações. Por conseguinte, o processo de educação encontra-se em momento de construção de novos modelos e as novas tecnologias, presentes nos processos produtivos contemporâneos requerem da escola, enquanto meio por excelência da mediação do saber, a sua inserção no processo educativo (SAVIANI, 1999).
A discussão contemporânea encaminha-se, porém, sobre as formas possíveis de relação entre educação e tecnologia. De acordo com Lévy (1999) a tecnologia abre possibilidades de ação, mas não determina por si só as decisões humanas. O essencial, no momento, é avaliar os efeitos que seus usos podem trazer e decidir o que fazer dela.
Maraschin (2000, p.107) pensa tais efeitos à luz da constatação que o impacto das novas tecnologias produz alterações no cotidiano da vida escolar:
Os sintomas seriam sinalizadores dos pontos de impacto de algumas transformações técnico-científicas no cotidiano escolar, sendo reconhecidos como pontos críticos de desestabilização, mas também de criação, de potencialidades.
Moran (2000), trazendo esta discussão especificamente para o ensino, esclarece que há a expectativa de que os meios trarão resultados rápidos para o ensino, como já se pensou também em outras épocas.
Sem dúvida as novas tecnologias nos permitem ampliar o conceito de aula, espaço e tempo, de comunicação audiovisual, e estabelecer pontes novas entre o presencial e o virtual, entre estar juntos e o estarmos conectados a distância. Mas se ensinar dependesse só de tecnologias já teríamos achado as melhores soluções há muito tempo .
O ensino depende de outras relações mais amplas, que implicam e extrapolam o uso de novos meios. Assim, conclui que as tecnologias novas são importantes, mas não resolvem questões de fundo. Para o autor,
[...] ensinar e aprender são desafios maiores que enfrentamos em todas as épocas e particularmente agora em que estamos pressionados pela transição do modelo de gestão industrial para o da informação e do conhecimento (MORAN, 1999).
Em outras palavras, o aspecto essencial continua sendo a organização do processo educativo, visto enquanto trabalho humano e, portanto, condicionado às modificações globais, que trazem novos processos de produção e desencadeiam solicitações diferentes para o trabalhador e alterações em sua formação.
O meio impele ao trabalhador contemporâneo o desenvolvimento de capacidades: de autogestão, resolução de problemas, adaptabilidade e flexibilidade diante de novas tarefas, assumir responsabilidades e aprender de modo autônomo, trabalhando coletivamente, de modo cooperativo e pouco hierarquizado (BELLONI, 1999).
Para tanto, não bastam modificações periféricas de processos educativos, mas mudanças estruturais, associadas à ampliação do acesso à educação, inicial e continuada.
Neste contexto, Belloni (1999) alerta para o papel fundamental do ensino a distância, pois o considera não apenas como meio de superar problemas emergenciais ou de consertar fracassos dos sistemas educacionais em dado momento de sua história, mas entende que:
A EaD tende doravante a se tornar cada vez mais um elemento regular dos sistemas educativos, necessário não apenas para atender as demandas e/ou grupos específicos, mas assumindo funções de crescente importância no ensino pós-secundário, ou seja, na educação da população adulta, o que inclui o ensino superior regular e toda a grande e variada demanda de formação contínua gerada pela obsolescência da tecnologia e do conhecimento (BELLONI, 1999, pp.4-5).
A autora situa a EaD no contexto do capitalismo e dos modelos econômicos, criticando a aplicação de modelos instrucionais e behavioristas a EaD, que traria não apenas a passividade do estudante considerado como objeto e como público de massa, mas envolveria também o professor, que no entender de Belloni (1999) citando Renner (1995) estaria fadado, como o estudante, aos aspectos da educação industrializada: “proletarização, desqualificação, divisão do trabalho, democratização do espaço de trabalho e produção nova...”.
A autora coloca como essencial a superação destes modelos, que têm marcado as experiências de EaD e sugere a adoção da concepção de Aprendizagem Aberta – AA, articulada com as necessidades da Educação a Distância, propondo a Aprendizagem Aberta e a Distância – AAD, pois entendida como mais coerente com as transformações sociais e econômicas, já que caracterizada pela flexibilidade, abertura dos sistemas e maior autonomia do estudante. Enfatiza a necessidade da criação de instrumentos teórico-práticos voltados à educação de adultos e à autoaprendizagem, em um ensino centrado no aluno:
Um processo de ensino e aprendizagem centrado no estudante será então fundamental como princípio orientador de ações de EaD. Isto significa não apenas conhecer o melhor possível suas características socioculturais, seus conhecimentos e experiências, e suas demandas e expectativas, como integrá-las realmente na concepção de metodologias e materiais de ensino, de modo a criar através deles as condições de auto-aprendizagem (BELLONI, 1999, p.31).
Estas características, e não as propostas pelas correntes behavioristas, de caráter empiricista e positivista, que são coerentes com as capacidades requeridas neste novo milênio.
No que toca ao acesso e estruturação da informação, Levy (2000) discute os bits da informática como gens que fazem parte de um conjunto de tecnologia indo em direção a um controle molecular de seu objeto, o que dá uma fluidez a todas essas mensagens e lhes dá também a possibilidade de uma circulação muito rápida. O que há em comum em todas as bases nos bancos de dados do espaço cibernético? Não são as mensagens fixas, mas um potencial de mensagens e que, dependendo de quem vai utilizá-las, toma uma direção ou outra.
O autor acredita que o importante é que a informação esteja sob forma de rede e não tanto a mensagem porque esta já existia em uma enciclopédia ou dicionário. Assim, a verdadeira mutação se passa em três aspectos principais: 1. Não é mais o leitor que vai se deslocar diante do texto, mas é o texto que, como um caleidoscópio, vai se dobrar e se desdobrar diferentemente diante de cada leitor; 2. Tanto a escrita como a leitura vão mudar o seu papel. O próprio leitor vai participar da mensagem na medida em que ele não vai estar apenas ligado a um aspecto. O leitor passa a participar da própria redação do texto à medida que ele não está mais na posição passiva diante de um texto estático [...] Dessa forma, o espaço cibernético introduz a ideia de que toda leitura é uma escrita em potencial; 3. Estamos assistindo a uma desterritorialização dos textos, das mensagens, enfim, de tudo que é documento: tanto texto como mensagem se tornam matéria em potencial.
A educação a distância, inclui toda a gama de processos (carta, rádio, televisão, internet...) que visam o repasse sistemático de informações, por meio de sistemas não presenciais ou semipresenciais.
Vianney (2000) esclarece que nos encontramos na terceira geração da educação a distância. A primeira foi caracterizada pelo ensino por correspondência, com material impresso, acrescido de guia de estudo, com tarefas e exercícios enviados pelo correio. A segunda geração, a partir da década de setenta, inicia-se com o surgimento das primeiras universidades abertas, que fazem uso, além do material impresso, transmissões por televisão aberta, rádio e fitas de áudio e vídeo, integrando telefones, satélites e TV a cabo. E a terceira geração é centrada na internet, baseada em redes de conferência por computador com estações de trabalho multimídia e redes de videoconferência.
Nesse contexto, Zhang (1996) descreve a web como um ambiente de cooperação que facilita a aprendizagem, porque cria um “espaço” (mesmo que virtual) no qual os alunos interagem uns com os outros, gerando estratégias de aprendizagem e integrando novas informações em um conhecimento já existente. Segundo a autora, a web ajuda também no compartilhamento de responsabilidades e habilidades, contribuindo assim para uma possível redução de sobrecarga cognitiva. Erickson (1996) compartilha esse mesmo pensar ao argumentar que a web serve como um hipertexto social, porque, por meio dos trabalhos individuais que são disponibilizados, forma uma imensa teia de conhecimentos.
Quanto ao processo de aprendizagem, Updegrove (1995) salienta que o papel do estudante muda enormemente com o amplo uso dos recursos da internet. Quando os métodos de ensino são mais flexíveis, os estilos de aprendizagem também podem ser e as necessidades individuais e os interesses dos estudantes podem ser facilmente acomodados. Isso indica que uma variedade de estilos de aprendizagem pode ser verificada por meio das ferramentas da Internet, e os estudantes não precisam ficar limitados pelo tempo, espaço ou recursos locais.
Conforme Bédard (1998), a mediatização dos conteúdos e dos caminhos de aprendizagem para EAD permitem uma grande flexibilidade das modalidades de aprendizagem. Assim, é possível colocar o aprendiz no bojo do processo e tomar conta de seu meio físico, das suas disponibilidades temporais, do seu estilo de aprendizagem e do seu meio ambiente cultural. Isso pode ser viabilizado oferecendo-se caminhos pedagógicos que podem ser adaptados aos aspectos dos conteúdos, da estrutura e das modalidades de interações, compondo uma atividade de formação a distância.
Do observado por diversos autores, constata-se que, com o uso das novas tecnologias aplicadas ao processo educacional dos cursos a distância, os alunos adquirem um conjunto de habilidades mais diversificado. Nesse sentido, as novas tecnologias não assumem apenas caráter somatório à atividade humana, mas sim, caráter transformador.
Esta nova tendência que percebe a inserção da tecnologia na educação como meio transformador do trabalho docente e da aprendizagem no processo educativo ainda está em constituição, não sendo possível visualizar sua completude e assim, adotá-la com segurança. Por conseguinte, a proposta pedagógica atual está pautada nas teorias de ensino e aprendizagem progressistas e aberta a novas construções, na medida em que acredita na ruptura de paradigmas.
TECNOLOGIAS, MÍDIAS E RECURSOS DE UM AMBIENTE VIRTUAL
Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem devem dispor de interface amigável, simples, autoexplicativa, de fácil acesso e construído levando-se em conta pressupostos pedagógicos que valorizam a construção interativa e colaborativa do aluno valorizando a participação, a colaboração e o apoio à aprendizagem. Segue abaixo algumas ferramentas que compõe diversos Ambientes Virtuais de Aprendizagem:
Área de Aprendizagem – na área de aprendizagem o aluno encontra recursos que normalmente são disponibilizados na web, como: textos, imagens, animação, som e aplicações informáticas. Os recursos utilizados na área de aprendizagem são:
new window – o texto assinalado, ao ser clicado, aciona a abertura de uma nova janela com informações complementares;
mouse-over – ao passar o mouse sobre o texto assinalado, aparece sobre a tela uma caixa com o hipertexto;
link de URL para new window – ao clicar o texto assinalado, por meio de uma nova janela, o aluno visitará a página recomendada, fora do ambiente;
link de URL para dentro do próprio ambiente – ao clicar o texto assinalado, é possível remeter o aluno para uma visita a uma nova URL, sendo este recurso muito utilizado para visita guiada;
link para outra página ou unidade – ao clicar sobre o texto assinalado, o aluno é remetido para outra parte da página ou disciplina enquanto o texto fica conectado;
link direto para algum recurso ou ferramenta – ao clicar sobre o texto assinalado, o aluno é remetido diretamente para o recurso ou ferramenta que necessita;
outros recursos disponíveis – download de texto, vídeo, áudio ou gráfico, no formato de arquivos GIF animado ou Flash.
Barra de navegação e impressão – contendo os seguintes ícones:
saída – permite ao aluno sair do ambiente de aprendizagem;
volta – permite ao aluno voltar à página anterior;
avança – permite ao aluno avançar para a página seguinte;
imprime – permite ao aluno realizar impressão da página visível.
Barra de comunicação e apoio – contendo os ícones que remetem às ferramentas:
mural – onde estão apresentadas as informações relevantes aos alunos. Permite constante atualização sobre o desenvolvimento do curso;
perfil – ferramenta que possibilita a identificação e integração dos participantes. Essa ferramenta pode constituir-se em um importante espaço para o reconhecimento de afinidades e projetos comuns entre os participantes, características importantes para o desenvolvimento de atividade cooperativa, colaborativa e interativa;
chat – permite interação em tempo real (síncrona) entre os alunos e também entre alunos e professores;
correios – possibilita a comunicação e interação assíncronas. É um importante instrumento de interação e colaboração. Os alunos de uma turma podem, a todo o momento, trocar informações;
monitoria – promove suporte aos alunos durante todo o curso, possibilitando comunicação contínua entre o aluno e a instituição de ensino. Oferece um FAQ com as perguntas e respostas das dúvidas mais frequentes, o que se constitui em uma importante fonte de informações para os alunos. Além disso, oferece espaço para o envio de questões relativas as suas dúvidas e sugestões. Essa ferramenta configura-se como um importante apoio ao desenvolvimento de aprendizagem efetiva, uma vez que auxilia o aluno a superar dificuldades operacionais que podem pôr em risco ou prejudicar o processo de construção pelo qual está passando;
ajuda – oferece informações sobre como usar o ambiente virtual de aprendizagem, como utilizar a internet e outras questões relativas ao ambiente.
Barra de ferramentas de aprendizagem – contendo os ícones que remetem às ferramentas:
anotações – possibilita ao aluno realizar anotações, registrar ideias, lembretes, referências, endereços e links importantes etc.;
galeria – possibilita a publicação de atividades para serem compartilhadas com os colegas. Isso permite a visualização para apreciação possibilitando troca, aperfeiçoamento e reestruturação de ideias. Espaço importante para a aprendizagem colaborativa;
midiateca – disponibiliza as referências bibliográficas e complementares da disciplina, links para sites de interesse, vídeos, downloads para os textos utilizados etc. Objetiva funcionar como um banco de dados;
fórum – ferramenta que possibilita a realização de debates relacionados a temas relativos aos conteúdos sugeridos pelo professor com todos os alunos da turma. Importante ferramenta assíncrona que possibilita a participação de todos de forma colaborativa, promovendo a construção de ideias, a troca de informações, o confronto positivo de opiniões. Oportuniza a mediação do professor de forma efetiva e planejada. Outro ponto positivo: as intervenções ficam registradas e todos os participantes podem visualizar quando necessitarem;
relatório – permite ao professor tutor, no decorrer da disciplina, disponibilizar ao aluno informações sobre o seu desempenho nas atividades realizadas. Os alunos enviam suas atividades a esta área, onde ficam associados a seu nome. Os trabalhos são avaliados pelo professor que faz comentários sobre o desempenho do aluno;
tutoria – nesta ferramenta o aluno pode fazer perguntas ao professor tutor sobre os conteúdos ou sobre aspectos pedagógicos do curso. O professor tutor registra suas respostas e dessa forma a ferramenta constitui-se em um espaço importante para o diálogo e, portanto, a construção interativa/colaborativa do conhecimento. Constitui-se em um importante banco de informações para todos os alunos, uma vez que as perguntas e respostas ficam registradas e disponíveis para todos.
Barra de informações curriculares e menu de unidades – contendo os seguintes links:
curso – aciona a abertura da página com as informações gerais sobre o curso (instituição, coordenador responsável pela certificação, normas de funcionamento, critérios de avaliação);
disciplina – aciona a abertura da página com informações sobre a disciplina (programa, objetivos, orientações gerais, metodologia, calendário, programa de avaliação);
professor – abre uma janela contendo o perfil do professor (minicurrículo);
aluno – apresenta ao aluno o seu próprio perfil, objetivando a promoção do sentimento de identidade com o curso;
unidades – apresenta a relação de unidades que compõem a disciplina (módulo) e a sequência das atividades propostas.
O uso de ferramentas tecnológicas potencializaram a EaD à medida que ferramentas de interação e comunicação foram desenvolvidas com o intuito de criar um ambiente apropriado para a aplicação das metodologias propostas pela EaD. Tais ferramentas são conhecidas como Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVA, sendo recursos indispensáveis para a implementação da EaD em toda sua potencialidade.
No link a seguir há um vídeo do professor Fredric Litto falando sobre Educação a Distância:
<http://www.youtube.com/watch?v=D_5HhfcE-io>.
No link a seguir há um vídeo sobre o papel do professor na EAD:
<http://www.youtube.com/watch?v=e6OJPp9GqkY>.
No link a seguir há um vídeo sobre o papel do aluno na EaD:
<http://www.youtube.com/watch?v=ZtvyfHH8uJw>.
É apresentado abaixo um artigo de uma personalidade importante da educação brasileira, o professor Wilson Azevedo. Aproveite a leitura e reflita sobre os assuntos brilhantemente debatidos pelo professore.
E-LEARNING COMO ELEMENTO DE INTEGRAÇÃO NO PROCESSO EDUCACIONAL
Palestra proferida no Forum Internacional de Tecnologia para Gestão de Pessoas como parte da programação do 27º Congresso Nacional da Associação Brasileira de Recursos Humanos.
Wilson Azevedo (*)
Afinal, o que queremos dizer quando falamos de e-learning? Estamos falando, fundamentalmente, de educação online. E por educação entendemos o processo de ensino-aprendizagem - o que justifica uma pequena crítica ao termo e-learning, pois ele foca excessivamente a sua preocupação numa parte - sem dúvida de grande importância - do processo educacional, que é o processo de aprendizagem. Durante muito tempo a educação foi tratada como uma questão de ensino, quase sinônimo de ensino, e o foco na aprendizagem ficou em posição secundária. De algumas décadas para cá, a ênfase na aprendizagem nos ajudou a restabelecer o equilíbrio. Mas precisamos entender o processo educacional como um processo de mão dupla. Não apenas de aprendizagem, mas um processo de ensino “e” aprendizagem. Um processo de construção de conhecimento, que é coletivo e acontece em todos os ângulos dessa relação. Não apenas o aprendiz, o educando, aprende, mas o educador também aprende. Ao se relacionar com aqueles que eram vistos como aprendizes, se coloca também como aprendiz. De outra parte, aqueles cuja tarefa principal era apenas aprender também se colocam ensinando, não só ao professor, mas também aos seus colegas de aprendizagem. De forma que o processo de ensino e aprendizagem se torna cada vez mais complexo e baseado em múltipla interação. Esse aspecto hoje é salientado quando falamos em educação.
Educação on-line, portanto, é educação. Só que a sua especificidade está precisamente no fato de utilizar tecnologias que permitem novas formas de interação primeiramente com conteúdos informativos. Esse é um dos aspectos que nos chama a atenção ao travarmos contato com essas novas tecnologias. O outro aspecto é que são novas tecnologias também da comunicação, que permitem novas formas de interação entre pessoas. E essa é uma descoberta que se faz aos poucos. À medida que se vai entrando em ambientes online, percebemos que, além da informação que vem até nós, e que às vezes nos sobrecarrega, dispomos de recursos de comunicação interpessoal com o uso dessas novas tecnologias. Esse aspecto da comunicação é que nos interessa especificamente quando pensamos em e-learning e em aprendizagem colaborativa. Vejamos então a classificação e tipologia da comunicação.
O rádio ou a televisão nos permitem, a partir de um foco emissor, distribuir a informação para múltiplos receptores, característica básica dos veículos de comunicação de massa, a chamada comunicação de “um para muitos”. Já o telefone é a tecnologia mais típica do “um a um”, embora hoje ele permita que, utilizando o viva-voz, comuniquem-se “muitos com muitos”. O correio é outra tecnologia de comunicação “um a um” que, às vezes, é comunicação “um para muitos” também.
Um grande avanço oferecido pelas novas tecnologias das redes informatizadas é que nós podemos combinar as diversas formas de comunicação, a de “um para muitos”, e a web é o principal meio para se perceber isso, a comunicação “um a um”, e o correio eletrônico é a mais conhecida ferramenta usada nesse tipo de comunicação. Mas é a comunicação de muitos para muitos, a ampla interação entre pessoas, interação coletiva em ambientes virtuais projetados para isso que é a grande novidade introduzida pelas novas tecnologias de informação e, especialmente, de comunicação.
O grande diferencial destas novas tecnologias é a possibilidade de integração de todas essas formas - TV, rádio, telefone e o uso do correio - e, principalmente, a comunicação de “muitos para muitos”. As novas tecnologias nos trazem o que tenho chamado de “outra ecologia pedagógica”. Por ecologia entendo aqui a descrição de um ambiente que tem características específicas e diversas daqueles a que estamos acostumados, principalmente no campo educacional. Os ambientes em que acontecem o ensino e a aprendizagem nos são conhecidos desde a infância. A entrada de novas tecnologias, a possibilidade combinada da comunicação de “um para um”, de “um para muitos” e de “muitos para muitos”, dá origem a um outro ambiente que precisa ser conhecido antes de se pensar em desenvolver educação através de ambientes online.
Essa outra ecologia pedagógica implica uma outra experiência com o tempo. Com o serviço postal temos um histórico de experiência social bastante difundida, de uso da comunicação chamada assíncrona, a que acontece ao longo do tempo, sem hora marcada. Mas o surgimento da Internet, do correio eletrônico, nos colocou diante de uma velocidade, de uma intensificação do uso desse tipo de comunicação, que deu origem a uma outra experiência, com uma outra temporalidade. A conjugação da temporalidade que nós já conhecemos e vivenciamos, a temporalidade síncrona, com os recursos assíncronos produz um outro tipo de temporalidade, a temporalidade multissíncrona, tanto distribuída no tempo quanto simultânea. Isso permite que continuemos desenvolvendo nossas atividades enquanto, em outros canais, vamos nos comunicando com pessoas de forma distribuída ao longo do tempo. É como se no ambiente online, pudéssemos interagir com outros como que em câmara lenta, num tempo mais elástico, enquanto desenvolvemos as atividades cotidianas síncronas.
É a sensação que temos quando desenvolvemos cursos que funcionam em ambiente online. É como se duas horas de curso pudessem ser esticadas para caber ao longo de uma semana sem que interrompamos nossas atividades para ingressar nessa interação coletiva de “todos com todos”. Isso acontece como se fosse em outra dimensão, num outro espaço. A sensação que têm aqueles que convivem e interagem em ambientes online é que eles estão compartilhando um espaço, estão se encontrando e isso acontece em um espaço. Não um espaço físico, mas virtual, um espaço de comunicação, um espaço relacional. Nesse novo tempo, nesse outro espaço, nós travamos contato com outra experiência social, a possibilidade de interação de “muitos com muitos” intensa, afetiva inclusive, base das chamadas “comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa”. Mas o que são elas?
Em primeiro lugar estamos falando de comunidades. Esse é um fenômeno que não é tecnológico. É proporcionado pela tecnologia, mas é fundamentalmente sociológico. Na sociologia a distinção entre comunidade e sociedade foi um fator fundamental até para o avanço das ciências sociais. Estamos agora voltando ao conceito de comunidade quando falamos de e-learning, de educação online e, especialmente, de comunidades virtuais de aprendizagem. É um fenômeno humano. São coletividades de pessoas, mas comunidades virtuais. Quando falamos em comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa estamos falando de alguma coisa que não depende mais da identificação local, como no tradicional conceito sociológico de “comunidade”. É uma comunidade de interesse. É localizada por um endereço, sim, mas um endereço lógico, e não físico.
Essas comunidades virtuais são de aprendizagem. Há comunidades de diversos tipos, com os interesses mais diversos. Há comunidades dedicadas a hobbies, criação de animais, pescarias, etc. Nesse sentido estamos tratando aqui especialmente de comunidades virtuais de aprendizagem, as que se formam com o objetivo de aprender mais, com o objetivo de construir conhecimento, de localizar informações que, organizadas e processadas, resultem em novos conhecimentos. Estamos falando de comunidades virtuais de aprendizagem, em que é possível a interação de “muitos com muitos” proporcionada pelas novidades introduzidas pela tecnologia da informação e da comunicação.
Comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa funcionam na base da colaboração. A regra básica é a reciprocidade. Todos ensinam a todos, todos aprendem com todos. Aquela concepção sócio-interacionista que hoje se torna cada vez mais importante em Educação, em que todos aprendem com todos e todos ensinam a todos, se realiza de forma plena nessas comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa.
Esta outra ecologia pedagógica leva a uma conseqüência importante. Ela requer um reconhecimento de que esse ambiente é diferente daquilo que temos experimentado tradicionalmente. É novo para muitas pessoas, o que requer um trabalho sério de ambientação. As pessoas estão mudando de ambiente quando entram em cursos online. Estão trabalhando em um ambiente que requer uma adaptação operacional. É preciso aprender a usar isso, a mexer com aquilo, operacionalmente. Mas há uma dimensão psico-pedagógica que precisa ser trabalhada. É um novo tempo. Mas como eu me agendo nesse tempo? Como eu me sinto atrasado ou adiantado em relação a essa temporalidade que acontece em câmara lenta em relação à temporalidade do cotidiano? Uma adaptação a um espaço que não é físico. Como é que eu posso me localizar nesse espaço, se ele não tem coordenadas físicas? Uma nova experiência social: como é que eu simpatizo ou antipatizo com pessoas que nunca vi?
É preciso dar tempo para que as pessoas se adaptem. Ambientação é fundamental. Isso requer a definição de novos perfis. Um perfil de educando que seja autônomo é muito importante para a aprendizagem, mas a sociedade hoje está exigindo outras coisas. Ela exige competências em “co-labor-atividade”. É um neologismo para caracterizar essa capacidade de aprender colaborando com muitos. Portanto, é um binômio que precisa ser desenvolvido, o binômio da autonomia e da interdependência. Também exige um outro perfil de educador. Um educador que, além do domínio que precisa ter da sua especialidade, além das técnicas didáticas que ele precisa conhecer, precisa desenvolver habilidades e competências de um líder comunitário, de um animador.
O termo animador é abundante na literatura especializada, usado por muitos teóricos que trabalham os novos ambientes virtuais. O animador de comunidades virtuais é alguém que desperta o ânimo das pessoas, que desperta a alma de uma coletividade. Anima quer dizer alma. Portanto, o animador é alguém que tem um papel de liderança nesse sentido, um facilitador dos processos de integração entre as pessoas, um guia que apresenta mapas para percursos individuais ou coletivos dentro de uma comunidade.
Quais as implicações embutidas em tudo isso? A primeira delas se torna a conseqüência imediata disso. Em empreendimentos de e-learning, se você busca resultados e quer o sucesso do projeto, é fundamental investir em aprendizagem colaborativa. Essa riqueza que está envolvida nos ambientes virtuais, a novidade da comunicação de “muitos para muitos” numa tecnologia até então desconhecida para a humanidade. As redes informatizadas, tornaram possível essa comunicação. Investir nisso, portanto, se torna o diferencial. Se você está pensando em desenvolver projetos de e-learning e deseja alcançar sucesso, invista em aprendizagem colaborativa. Dá quase para enunciar uma lei: “Quanto mais você investir em aprendizagem colaborativa, mais condições de sucesso você terá”. Quanto mais interação entre pessoas e ambientes favoráveis à colaboração e à aprendizagem colaborativa, maiores serão os índices de sucesso e menores os índices de fracasso.
A segunda implicação já é uma conseqüência: investir em “peopleware”. O e-learning tem sido muito ligado à tecnologia e, não há dúvida, ele depende da tecnologia. Para desenvolver bons projetos em e-learning é preciso, sim, investir em tecnologia, em hardware, em software, em conectividade. Mas a quantidade de investimento crítica e decisiva para um projeto de educação online é em peopleware, em pessoas capazes de utilizar essa tecnologia, não apenas capazes de operar. Operar é uma coisa, mas ser capaz de utilizar pedagogicamente um ambiente online é outra coisa, de extrema relevância. Se você está envolvido em um projeto de e-learning, compare a quantidade de investimento feita em hardware, em software, em conectividade e em peopleware. Preparar professores e alunos, educandos, ambientação de alunos online, é tarefa fundamental. Quanto você está investindo nisso? Quem já está implantando projetos, analise os resultados e verifique se está sendo feito o investimento adequado em peopleware. Não apenas operacionalmente. Não estamos falando de aprender a mexer no correio eletrônico ou navegar na web. Isso é necessário também, mas estamos falando de pedagogia.
Pedagogia é a chave para compreender isso. Na história dos recursos utilizados em educação, constituiu-se uma diferença muito clara: uma coisa é um livro e outra coisa é um curso. Mesmo que alguém dê a um livro o nome de curso, não há a menor possibilidade de passar pela cabeça de ninguém que, ao comprar um livro com nome de curso, e ao ler esse livro, uma pessoa esteja fazendo um curso. Há uma percepção clara na sociedade: livro é uma coisa, curso é outra. Essa clareza ainda não temos na Internet. Livros eletrônicos, conteúdos estruturados, planejados, organizados e trabalhados para serem disponibilizados utilizando os melhores recursos de tecnologia da informação, têm sido abundantes na Internet. Costumamos denominar este material de “recurso didático”. Mas, diante da novidade que ainda é o e-learning para a sociedade em geral, nós ainda não amadurecemos essa distinção que fazermos em relação ao livro. Ao chamarmos o recurso de “curso”, as pessoas acreditam que aquilo é mesmo um curso. E, pasmem, há pessoas se matriculando, como se fosse possível se matricular num livro. Em material interativo, com conteúdo disponibilizado na Internet, nós navegamos, não nos matriculamos. Não é curso. Pode ter o nome de “curso” porque pode servir como material didático para cursos, inclusive cursos online. É conteúdo organizado, serve para cursos, mas não é curso.
Curso é uma seqüência de atividades pedagógicas organizadas, planejadas, para atender objetivos de aprendizagem e que envolve fundamentalmente, quer na dimensão presencial quer na dimensão online, interação coletiva. Mesmo que um aluno em sala de aula se levante para fazer uma pergunta ao professor, ele está sendo ouvido por todos, e aquela pergunta pode ser interceptada por um outro aluno, que pode complementá-la ou respondê-la. O professor pode relançar essa pergunta para todo o grupo e pipocam respostas que conjugadas ajudam aquela coletividade, aquela comunidade a construir o conhecimento. A possibilidade de interação coletiva faz a diferença entre o que é um curso e o que é uma publicação. E isto vale para a educação online também.
Infelizmente essa clareza ainda não está dada quando se trata de educação online, porque a percepção de que essas novas tecnologias não são apenas tecnologias de informação, mas são também da comunicação, ainda não está suficientemente difundida. Não se trata de má fé. É pelo momento, pela imaturidade do mercado, tanto do lado de desenvolvedores quanto do lado de consumidores, que ainda não alcançaram clareza suficiente para não chamar de “curso” o que não é curso.
Para concluir, gostaria de deixar com vocês esta citação de um excelente livro (1) que chama a atenção para os aspectos ligados à construção de comunidades virtuais para aprendizagem, para e-learning:
Não é a conversão de um curso que precisa ocorrer, mas antes uma mudança de paradigma com relação à maneira com que nos vemos como educadores, como vemos nossos alunos, e como vemos a própria educação. Não é um currículo que estamos convertendo, mas nossa pedagogia. A pedagogia eletrônica não diz respeito a fantásticos pacotes de software ou a simples conversão de cursos. Diz respeito ao desenvolvimento de habilidades envolvidas com a construção de uma comunidade em meio a um grupo de aprendizes, de modo a maximizar os benefícios e o potencial que esse meio oferece na arena educacional.
(1) Palloff& Pratt, Building Learning Communities in Cyberspace. S. Francisco, Jossey-Bass, 1999.
(*) Especialista em educação on-line e consultor de empresas e universidades em projetos de e-Learning. Diretor técnico-pedagógico da Aquifolium Educacional.
Fonte: http://www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/palestra.html. Acessado em 24/09/2013.
São apresentados abaixo dois artigos da professora Cristina Haguenauer. Aproveite a leitura e reflita sobre os assuntos brilhantemente debatidos pela professora.
Ambientes Virtuais de Aprendizagem
Cristina Haguenauer*
Este artigo, adaptado do texto publicado originalmente na Revista Mídia e Educação em 7/08/2003, apresenta e discute aspectos relativos ao uso de Ambientes Virtuais de Aprendizagem.
É notável que o avanço tecnológico possibilitou uma nova realidade educacional: o ensino mediado por computador. A inserção do computador na educação provoca uma mudança de comportamento dos participantes do processo ensino - aprendizagem. Um de seus efeitos é o aumento crescente da quantidade de informação disponível e acessível aos alunos e professores. Paralelamente, surge a possibilidade de contato remoto entre os participantes do processo através da comunicação pela Internet. Desta forma, a sala de aula perde gradativamente suas fronteiras de tempo e espaço.
Esse novo ambiente de aprendizagem favorece também a reflexão e a reformulação das metodologias de ensino praticadas nas escolas e nas universidades.
O ambiente virtual propicia o resgate de uma postura mais ativa e menos passiva dos alunos. O professor também é afetado por estas mudanças, deixando de ser o centro do processo - detentor de todo o conhecimento – para transformar-se em um mediador das atividades de aprendizagem. Nessa nova realidade, o ensino tende a tornar-se mais individualizado, adaptando-se aos diferentes perfis psicológicos, formas de aprender e comportamentos dos diferentes alunos. O estudo adquire maior flexibilidade, podendo ser realizado de acordo com a disponibilidade de tempo do aluno e no local mais adequado.
O professor também precisa adaptar-se à nova tecnologia e ao seu novo papel na sala de aula virtual. Como essa é uma mudança brusca nos paradigmas do ensino tradicional, a opção pela modalidade semi-presencial atende às dificuldades de difusão e absorção de novas tecnologias, além de permitir um custo mais acessível do que nos programas de ensino totalmente a distância. Esse formato de transição (semi-presencial) não entra em choque com o modelo tradicional, apenas incorpora elementos novos ao modelo com que professores e alunos estão acostumados, facilitando a introdução das novas tecnologias.
O desenvolvimento de materiais didáticos para uso em Ambientes Virtuais de Aprendizagem exige conhecimentos de diversos campos, como informática, programação visual, psicologia da aprendizagem e o conteúdo específico a ser ensinado, o que pressupõe a existência de uma equipe transdisciplinar. Esse novo formato de trabalho leva o professor a uma reformulação de suas práticas e métodos de ensino, de forma a obter uma mudança de qualidade significativa no processo ensino - aprendizagem.
É fundamental fornecer suporte na preparação do professor para exercer suas funções neste novo ambiente, aproveitando ao máximo os recursos oferecidos pela plataforma. É de vital importância que o professor esteja preparado para se relacionar com seus alunos através da interface computacional e para isso ele precisa dominar as ferramentas disponíveis. Uma barreira a ser ultrapassada é a visão tradicional do professor sobre o ensino. A aplicação da tecnologia na educação, o que para muitos professores é vista como um risco, não substitui nenhum dos elementos envolvidos com o ensino presencial tradicional. O ensino semi-presencial mantém ainda as principais referências do ensino presencial. Desta forma, tanto alunos quanto professores, podem realizar uma transição suave para o novo contexto e os professores podem se concentrar na adaptação e utilização das estratégias mais adequadas ao novo ambiente de ensino.
Acreditamos que o uso de Ambientes Virtuais de Aprendizagem é mais uma alternativa para dinamizar o ensino e tornar as aulas presenciais mais agradáveis e interessantes. Porém, sua adoção como suporte ao ensino presencial, depende fortemente da existência de uma infra-estrutura adequada e de uma proposta pedagógica eficiente, fatores primordiais na promoção de uma melhoria significativa do processo ensino - aprendizagem.
Professores e alunos precisam ser alfabetizados em relação às possibilidades das novas tecnologias, de modo que os desníveis de conhecimento tornem-se cada vez menores. A curiosidade e o interesse, tanto dos alunos quanto dos professores, por novidades tecnológicas pode contribuir muito para o avanço da Educação apoiada pelas Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTICs).
* Profa. Cristina Haguenauer é Engenheira Civil pela UERJ, Mestre em Ciências pela PUC-RJ, Doutora pela Coppe/UFRJ. Professora da Escola de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Lingüística Aplicada da Faculdade de Letras da UFRJ. Pesquisadora na área de Tecnologias da Informação e da Comunicação aplicadas à Educação e à Gestão do Conhecimento, coordena o Latec – Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação desde de 2000.
** Adaptado do texto publicado originalmente na revista mídia e educação em 7/08/2003, http://www.tvebrasil.com.br/educacao.
Fonte: http://www.latec.ufrj.br/educaonline/index.php?option=com_content&view=article&id=49:ambientes-virtuais-de-aprendizagem&catid=41:artigos-tecnicos&Itemid=58. Acessado em 27/09/2013.
Análise das Ferramentas do Sistema Quantum de Educação Online
Este artigo apresenta uma análise das ferramentas e funcionalidades do Sistema Quantum de Educação online, utilizado como base para a construção do sistema de gestão de aprendizagem do Consórcio CEDERJ.
O CEDERJ (Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro) é formado pelo consórcio das universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro, congregando seis universidades: UENF, UERJ, UniRio, UFF, UFRJ e UFRRJ.
A equipe do CEDERJ percebendo a grande demanda do ensino a distância adotou uma plataforma que atende aos objetivos do processo ensino–aprendizagem virtual, tantos aos acadêmicos e aos administrativos. Esta plataforma está sendo desenvolvida por uma equipe técnica do CEDERJ, que conta com a participação de equipes das universidades consorciadas na testagem do desenho lógico; do projeto físico e do ambiente virtual.
A equipe de testagem da Plataforma de aprendizagem é ligada ao LATEC/UFRJ – Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação, da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Essa equipe de pesquisa vem estudando a Plataforma CEDERJ com o objetivo de produzir uma análise ampla de suas funcionalidades, além de discutir as metodologias de ensino mais adequadas ao uso da plataforma CEDERJ. A equipe do LATEC/UFRJ conta atualmente com cerca de dez pesquisadores envolvidos com o estudo de Ambientes Virtuais de Aprendizagem e com a testagem da Plataforma CEDERJ do CEDERJ.
A plataforma CEDERJ – Sistema Quantum é um sistema gerenciador que permite a administração de cursos da mesma forma que a secretaria de uma universidade; matrícula, freqüência, notas e participação dos alunos podem ser verificadas. Oferece ferramentas de interação e comunicação, ferramentas de informação e ferramenta de conteúdo que auxiliam e facilitam o processo de ensino-aprendizagem.
Descrição das ferramentas
Agenda do curso: a agenda do curso é um calendário onde o coordenador pode registrar os principais eventos relacionados ao curso como época para matrícula, datas de exames, horário de bate-papo (chat), data de início e termino do evento divulgado.
Bibliografia: são colocados os títulos e resumos dos livros, artigos, teses, revistas e outros materiais que foram utilizados no desenvolvimento do curso.
Biblioteca: são apresentados links com sinópses para webpages indicados no curso.
Chat: o chat (ou bate-papo) é um ambiente que permite uma comunicação sincróna entre os participantes. Ao entrar no chat o participante tem uma visão de todos que estão conectados a internet naquele momento, podendo ter uma conversa reservada, com apenas um participante, ou com todos os integrantes da sala.
E-mail: o link e-mail apresenta a relação dos participantes. Para mandar uma mensagem para um participante basta seleciona-lo na lista, que funciona como uma lista de distribuição.
Download: o professor pode disponibilizar arquivos, contendo aplicações específicas que o aluno pode usar mesmo depois de se desconectar da internet.
FAQ: Frequently Asked Questions (perguntas mais frequentes) - é uma relação de perguntas e respostas que estão disponíveis para consulta a qualquer momento, alimentada pelo professor e coordenador.
Fórum: é um recurso para a realização de discussões e debates na internet. Ele permite que tanto professores como alunos exponham suas idéias e opiniões acerca dos assuntos referentes ao curso. O fluxo de comunicação do Fórum é de todos para todos e, neste caso, deve ser feito através do ambiente, isto é, você tem que estar conectado ao curso.
Mural: Área onde os coordenadores e professores disponibilizam recados e avisos para os alunos. Há a opção de permitir ao aluno colocar mensagens também.
Quadro de avisos: É uma área livre onde somente os professores e coordenadores podem colocar recados.
Tira dúvidas: Área específica para a exposição das dúvidas do aluno para posterior esclarecimento pelo professor.
Janela Pop up: ao entrar na sala de aula o aluno visualiza esta janela, onde o professor pode inserir informações diversas.
Classificação das ferramentas
As ferramentas apresentadas anteriormente são classificadas como Ferramentas de Interação e Comunicação, Ferramentas de Informação e Ferramenta de Conteúdo.
As ferramentas de interação e comunicação permitem a comunicação síncrona ou assíncrona em várias direções; As ferramentas de informação possibilitam o aluno o acesso às fontes utilizadas para a realização do curso e as indicadas. Ocorre de forma unidirecional, ou seja, é realizada somente do professor ou coordenador para todos os alunos;A ferramenta de conteúdo possibilita ao aluno aprofundar ou não seu estudo, de acordo com sua necessidade e sua disponibilidade.
Comparação e análise das ferramentas
Chat, fórum, e-mail, agenda, faq, tira dúvidas... São muitas as ferramentas disponibilizadas pelas plataformas de EAD em geral e, em particular, pela plataforma CEDERJ sistema Quantum. A utilização das ferramentas para melhorar o desempenho do ponto de vista ensino aprendizagem deve passar por uma “seleção criteriosa”, pois dependendo da funcionalidade aplicada a cada uma das ferramentas, a sua seleção pode tornar-se redundante. Assim, é fundamental que utilização das ferramentas esteja inserida no desenho instrucional do curso.
A criatividade torna-se um diferencial quando nos referimos a funcionalidade de uma determinada ferramenta; a mesma pode ser utilizada de diversas formas; a agenda por exemplo, pode conter o cronograma de um curso ou eventos importantes relacionados ao conteúdo deste.
As ferramentas agrupadas abaixo possuem características semelhantes, porém apresentam diferentes especificidades:
Fórum X Chat
A diferença entre estas ferramentas consiste na forma como a comunicação ocorre; no fórum a comunicação ocorre assincronamente enquanto no chat, de forma síncrona. O chat tem um inconveniente pois exige que todos os participantes estejam conectados em determinada hora, excluindo, desta forma, os que não estão disponíveis na hora marcada e fugindo assim da proposta da EAD. Outro inconveniente do chat é que ele não “grava” as informações que foram debatidas. No fórum, as mensagens ficam registradas e podem ser acessadas a qualquer momento, possibilitando que algum assunto discutido e colocações feitas sejam revistas. Isso possibilita que o aluno verifique, ao longo do curso, a evolução de sua aprendizagem em relação a um determinado assunto discutido.
Mural X Quadro de Avisos
Bibliografia X Biblioteca
É imprescindível que o desenvolvedor do curso saiba distinguir a funcionalidade de cada uma destas ferramentas. Na bibliografia devem ser inseridos os materiais utilizados no conteúdo do curso, já na biblioteca se insere materiais diversos relacionados a assuntos estudados no curso.
Tira dúvidas X FAQ
Dependendo do desenho do curso, as ferramentas tira dúvidas e o FAQ podem tornar-se repetitivas, confundindo o aluno pois este pode não saber qual ferramenta deve utilizar para esclarecer suas dúvidas. Nos cursos produzidos, foram utilizadas principalmente as seguintes ferramentas, com as seguintes funções:
AGENDA – foi utilizada para possibilitar ao aluno um acesso rápido ao cronograma do curso;
FÓRUM – utilizado como espaço de discussão as questões propostas pelo tutor. A dinâmica proposta seria a discussão entre os alunos, porém como a maior parte dos alunos nunca teve uma experiência anterior com ensino a distância via web, houve muita resistência e a eficiência da utilização do Forum ficou bastante reduzida.
FAQ – teve como proposta a colocação das perguntas referentes ao uso da plataforma e das ferramentas;
TIRA DÚVIDAS – A utilização desta ferramenta mostrou-se redundante e criou certa confusão entre os alunos sobre a melhor forma de postar suas dúvidas,
E-MAIL – permitiu a troca de e-mails entre alunos e tutores de forma bastante eficiente.
MURAL – foi utilizado para que os alunos se apresentassem, fazendo uma dinâmica de apresentação. A dinâmica funcionou bem, pois isso fez com que o aluno se sentisse mais a vontade, criando um vínculo emocional com o processo. Desenvolveu-se uma atividade tipo gincana, onde os alunos colocaram arquivos de determinado conteúdo e os mesmos foram usados para gerar tópicos de discussão no fórum.
Janela Pop up – informações e sugestões do tema estudado enviadas pelos alunos foram disponibilizados por três dias após o envio; isto fez com que os alunos estivessem sempre informados.
Conclusão
Devido às várias possibilidades oferecidas pela plataforma, é de extrema importância um estudo detalhado das funcionalidades das ferramentas, de forma a utilizar apenas aquelas estritamente necessárias e da forma mais adequada.
Devido à grande semelhança nas funções de algumas ferramentas, deve-se tomar muito cuidado com escolhas inadequadas, que podem criar redundâncias e conflitos, causando prejuízos ao processo de aprendizagem.
Plataformas de ensino a distância oferecem diversas ferramentas de comunicação e diversas formas de disponibilização do material didático, que facilitam o processo de aprendizagem. No entanto, o computador e a Internet ainda se apresentam como interfaces que se colocam entre o aluno e o professor e entre o aluno e o objeto de estudo. Portanto, é sempre importante ressaltar que a metodologia, a pedagogia e a eficácia da atuação das equipes de implementação assumem o papel principal no processo ensino - aprendizagem. Neste contexto, o projeto pedagógico é o principal responsável pelo êxito do programa de ensino.
Fonte: http://www.latec.ufrj.br/educaonline/index.php?option=com_content&view=article&id=63:ferramentas-da-plataforma-quantum&catid=41:artigos-tecnicos&Itemid=58. Acessado em 27/09/2013.
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1. Abaixo são relacionados alguns questionamentos a respeito da EaD. Responda aos questionamentos refletindo sobre os debates apresentados nesta unidade. Escreva um breve parágrafo sobre cada um dos questionamentos.
2. Na EaD, a utilização da tecnologia como didática alterou os papéis tradicionais do professor e do aluno. O que mudou nestes papéis?
3. Quais as principais dificuldades para a implementação do Ensino a Distância no Brasil?
4. A EaD pode ter a mesma qualidade da educação presencial?
5. A EaD pode representar um importante fator de democratização da educação, principalmente com relação a educação Superior?
A disciplina de Redes Sociais e Tecnologia da Informação e Comunicação trabalhou temas relevantes sobre as tecnologias que possibilitam que o trabalho colaborativo também se estenda a questões teóricas e práticas.
Entretanto, não basta apenas ter acesso às tecnologias, é preciso preparar os indivíduos, tanto na sua formação cultural, principalmente no domínio do código escrito, quanto no exercício de uma postura ética e responsável em relação aos ambientes em rede.
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